08/01/2014
Revista Época mostra satisfação fictícia dos bancários do Itaú e Bradesco
Crédito: Seeb Rio de Janeiro
Quem lê a edição das "70 melhores empresas", da Revista Época, que fala de uma suposta satisfação dos funcionários do Itaú e do Bradesco, certamente vai pensar que as matérias fazem parte de um desses materiais de publicidade das instituições financeiras. O texto sobre o Itaú tem como título "clareza" e "justiça" e diz que "os funcionários valorizam muito a forma como o banco cuida da gestão de pessoas".
A vice-presidente do Sindicato dos Bancários do Rio de Janeiro, Adriana Nalesso (foto), ficou indignada com a bajulação da imprensa aos banqueiros. "Não vejo onde está a justiça de uma empresa que demite milhares de trabalhadores em função de uma política desumana de alta rotatividade baseada na dispensa de antigos funcionários para contratar novos com salários inferiores, tudo para cortar despesas e aumentar os lucros e que impõe metas abusivas e pratica assédio moral", critica.
Segundo a matéria, os funcionários do banco dizem que "há um cuidado especial com o processo de avaliação de desempenho", para que "não ocorra nenhuma injustiça ou favorecimento por questões pessoais".
Adriana rebate. "Gostaria de saber quais funcionários a revista consultou para ter respostas tão fora da realidade. Só se forem executivos do alto escalão que ganham 234 vezes mais de bônus do que os bancários de participação nos lucros", destaca.
Outro absurdo da matéria é afirmar que o "recrutamento interno é prioridade" e que "as vagas só são preenchidas quando não há ninguém preparado da empresa para assumir o cargo".
"A alta rotatividade nos bancos, a maior entre todos os setores da economia, é a prova cabal de que os banqueiros não priorizam o quadro interno para as promoções, mas colocam sempre em primeiro lugar o melhor jeito de lucrarem ainda mais, mesmo que seja através das demissões", afirma.
Gestão que agrada?
No caso do Bradesco, a revista mantém o mesmo estilo bajulador. Diz que o banco tem um modelo de gestão de pessoas que "vem agradando seus funcionários".
A matéria diz ainda que "as chances de crescimento profissional são imensas" e cita como exemplo o caso de uma suposta funcionária que afirma que já foi "promovida três vezes" em apenas dois anos de casa.
"Se a personagem da matéria existe, ela é mesmo um fenômeno. Desafio uma pesquisa junto aos bancários para saber quantos trabalhadores conseguem três promoções em dois anos. O caso deve se referir a uma 'super funcionária'", ironiza.
Já a participação nos lucros, a reportagem diz que o Bradesco "paga em duas vezes antecipadamente". Adriana lembra que a PLR é fruto da greve e da luta da categoria junto ao Sindicato e não de uma concessão dos patrões e que a PLR paga em duas vezes não é uma exclusividade do Bradesco, mas uma prática em todos as instituições financeiras.
Ela defende ainda a democratização da mídia. "Matérias como estas reafirmam que a imprensa no Brasil é financiada pela burguesia e, por isso, ela reproduz o discurso dominante e expressa os interesses do capital", conclui.
Assédio
O Sindicato solicitou à direção do Itaú uma reunião urgente para tratar dos inúmeros casos de assédio moral no banco, especialmente nas agências de Madureira e Jacarepaguá, a que possui mais reclamações feitas pelos bancários. Até o fechamento desta edição, o banco ainda não havia confirmado a data para o encontro.
Segurança
Também foi encaminhado ofício semelhante pelo Sindicato ao Itaú para marcar uma reunião, cujo objetivo é encontrar uma solução para a falta de segurança nas agências do Itaú do Centro, Grajaú e Botafogo. Nessas unidades, chamadas de Agências de Negócios, não há vigilantes.
O banco alega que isto se deve ao fato de não haver caixas humanos no atendimento. O que não se justifica, porque, sem vigilantes, a vida de bancários e clientes está em risco. Essa é a segunda vez que ofício neste sentido é enviado. A primeira foi no dia 11 de novembro.
Fonte: Seeb Rio de Janeiro
Quem lê a edição das "70 melhores empresas", da Revista Época, que fala de uma suposta satisfação dos funcionários do Itaú e do Bradesco, certamente vai pensar que as matérias fazem parte de um desses materiais de publicidade das instituições financeiras. O texto sobre o Itaú tem como título "clareza" e "justiça" e diz que "os funcionários valorizam muito a forma como o banco cuida da gestão de pessoas".A vice-presidente do Sindicato dos Bancários do Rio de Janeiro, Adriana Nalesso (foto), ficou indignada com a bajulação da imprensa aos banqueiros. "Não vejo onde está a justiça de uma empresa que demite milhares de trabalhadores em função de uma política desumana de alta rotatividade baseada na dispensa de antigos funcionários para contratar novos com salários inferiores, tudo para cortar despesas e aumentar os lucros e que impõe metas abusivas e pratica assédio moral", critica.
Segundo a matéria, os funcionários do banco dizem que "há um cuidado especial com o processo de avaliação de desempenho", para que "não ocorra nenhuma injustiça ou favorecimento por questões pessoais".
Adriana rebate. "Gostaria de saber quais funcionários a revista consultou para ter respostas tão fora da realidade. Só se forem executivos do alto escalão que ganham 234 vezes mais de bônus do que os bancários de participação nos lucros", destaca.
Outro absurdo da matéria é afirmar que o "recrutamento interno é prioridade" e que "as vagas só são preenchidas quando não há ninguém preparado da empresa para assumir o cargo".
"A alta rotatividade nos bancos, a maior entre todos os setores da economia, é a prova cabal de que os banqueiros não priorizam o quadro interno para as promoções, mas colocam sempre em primeiro lugar o melhor jeito de lucrarem ainda mais, mesmo que seja através das demissões", afirma.
Gestão que agrada?
No caso do Bradesco, a revista mantém o mesmo estilo bajulador. Diz que o banco tem um modelo de gestão de pessoas que "vem agradando seus funcionários".
A matéria diz ainda que "as chances de crescimento profissional são imensas" e cita como exemplo o caso de uma suposta funcionária que afirma que já foi "promovida três vezes" em apenas dois anos de casa.
"Se a personagem da matéria existe, ela é mesmo um fenômeno. Desafio uma pesquisa junto aos bancários para saber quantos trabalhadores conseguem três promoções em dois anos. O caso deve se referir a uma 'super funcionária'", ironiza.
Já a participação nos lucros, a reportagem diz que o Bradesco "paga em duas vezes antecipadamente". Adriana lembra que a PLR é fruto da greve e da luta da categoria junto ao Sindicato e não de uma concessão dos patrões e que a PLR paga em duas vezes não é uma exclusividade do Bradesco, mas uma prática em todos as instituições financeiras.
Ela defende ainda a democratização da mídia. "Matérias como estas reafirmam que a imprensa no Brasil é financiada pela burguesia e, por isso, ela reproduz o discurso dominante e expressa os interesses do capital", conclui.
Assédio
O Sindicato solicitou à direção do Itaú uma reunião urgente para tratar dos inúmeros casos de assédio moral no banco, especialmente nas agências de Madureira e Jacarepaguá, a que possui mais reclamações feitas pelos bancários. Até o fechamento desta edição, o banco ainda não havia confirmado a data para o encontro.
Segurança
Também foi encaminhado ofício semelhante pelo Sindicato ao Itaú para marcar uma reunião, cujo objetivo é encontrar uma solução para a falta de segurança nas agências do Itaú do Centro, Grajaú e Botafogo. Nessas unidades, chamadas de Agências de Negócios, não há vigilantes.
O banco alega que isto se deve ao fato de não haver caixas humanos no atendimento. O que não se justifica, porque, sem vigilantes, a vida de bancários e clientes está em risco. Essa é a segunda vez que ofício neste sentido é enviado. A primeira foi no dia 11 de novembro.
Fonte: Seeb Rio de Janeiro
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