Funcionários do Bradesco atormentados com abusos
Bancários do DCPS sofrem com demissões imotivadas e a quem permanece sobram assédio moral e sobrecarga de trabalho
São Paulo – Uma série de problemas ronda os funcionários do DCPS (Departamento de Comercialização de Produtos e Serviços) do Bradesco. Demissões imotivadas, assédio moral e desrespeito à jornada são os principais causadores do descontentamento no setor instalado na Cidade de Deus, matriz do banco.
De acordo com o dirigente sindical Osvaldo Caetano de Jesus, nos últimos dois meses cerca de 20 funcionários foram demitidos do departamento. “E o que não falta é trabalho. Segundo os funcionários remanescentes, existe muita sobrecarga, o que está causando adoecimento e um clima de medo, terror e descontentamento”, explica.
A ex-funcionária do setor Carla (nome fictício) estava a um ano de entrar no período de estabilidade pré-aposentadoria quando foi demitida sob a alegação de reestruturação. “Eram 26 anos de banco. Me senti sem valor nenhum. Você trabalha muito, sofre pressão imensa por causa da falta de funcionários e em troca eles nos demitem. É muita decepção”, desabafou.
Com relação a sobrecarga, Carla conta que, após sua demissão, um colega acumulou suas funções. “E Isso porque ele já tinha absorvido as tarefas de outra pessoa dispensada antes de mim”, completa.
Nos últimos 12 meses, o Bradesco cortou 2.690 postos de trabalho.
Horas extras – Outra constatação é que o Bradesco utiliza um banco de horas, o que é ilegal, pois não há acordo com o Sindicato para isso. Para “tapar o buraco” de quem é dispensado, os remanescentes são obrigados a extrapolar a jornada constantemente. Só que em vez de pagar horas extras o Bradesco os obriga a compensar o tempo estendido.
“Para piorar, quem decide quando e como compensar é o banco. Quer dizer que é mais prático mandar esses bancários embora e criar esse mecanismo ao invés de manter os funcionários ou até mesmo contratar mais pessoal. Essa é a logica torta do Bradesco que não aceitamos”, avalia Osvaldo, acrescentando que os funcionários têm de registrar corretamente sua entrada e saída no banco. “Temos um acordo de ponto eletrônico justamente para coibir o trabalho gratuito. Se os funcionários forem ameaçados ou constrangidos, devem denunciar.”
> Funcionários aprovam acordo de ponto eletrônico
Assédio – Outro problema que gera dor de cabeça nos bancários do DCPS é o assedio moral. Segundo o dirigente, os gestores possuem postura desrespeitosa com os funcionários. “Eles exigem que o serviço seja realizado, mesmo sabendo dos problemas do setor. A situação está tão critica que ninguém escapa das humilhações, seja homem, mulher, lesionados ou pessoas com deficiência”, afirma.
Denuncie ao Sindicato – Osvaldo alerta aos bancários para que não comuniquem problemas vivenciados na rotina de trabalho ao SA 8000, instrumento de denúncia do banco. “Temos relatos de que o canal não resolve os problemas, e quem denuncia ainda corre o risco de perseguição por parte do assediador”, afirma.
O dirigente lembra que o Sindicato possui um canal confiável e que garante o anonimato. “Esse sim o trabalhador pode confiar. Sua identidade ficará totalmente em sigilo e o caso será acompanhado até a solução”, garante.
Rodolfo Wrolli
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