11/12/2013
Polícia Federal multa 20 bancos em R$ 9 milhões por falha na segurança
A Polícia Federal (PF) aplicou nesta terça-feira (10) multa recorde de R$ 9,079 milhões contra 20 bancos por falhas na segurança de agências e postos de atendimento bancário, durante a 99ª reunião da Comissão Consultiva para Assuntos de Segurança Privada (CCASP), em Brasília. O campeão foi o Banco do Brasil, com multas de R$ 2,755 milhões, seguido do Bradesco com R$ 1,733 milhão, do Itaú com R$ 1,669 milhão, do Santander com R$ 1,358 milhão e da Caixa Econômica Federal com R$ 767 mil.
A reunião foi presidida pelo diretor executivo da Polícia Federal, Rogério Galloro, que assumiu em junho o segundo posto hierárquico da corporação. Ele estava sentado ao lado da delegada Silvana Helena Vieira Borges, titular da Coordenadoria-Geral de Controle de Segurança Privada (CGCSP).
Estiveram em pauta 867 processos contra bancos, abertos pelas delegacias estaduais de segurança privada (Delesp), por causa do descumprimento da lei federal nº 7.102/83 e de portarias da Polícia Federal. As principais irregularidades foram número insuficiente e falta de rendição de vigilantes no horário de almoço, alarmes e portas giratórias inoperantes, transporte de valores por bancários, inauguração de agências sem plano de segurança aprovado e cerceamento da fiscalização de policiais federais, dentre outras.
Veja o montante de multas por banco:
Banco do Brasil - R$ 2.755.533,77
Bradesco - R$ 1.733.824,32
Itaú - R$ 1.669.352,63
Santander - R$ 1.358.606,70
Caixa - R$ 767.630,03
HSBC - R$ 266.047,35
Banco de Brasília - R$ 127.700,51
Banestes - R$ 101.095,88
Mercantil do Brasil - R$ 63.850,25
Banrisul - R$ 42.566,12
Rural - R$ 35.471,77
Banco da Amazônia - R$ 31.926,19
Safra - R$ 26.604,62
BIC - R$ 21.282,00
Banif - R$ 21.282,00
Banco do Nordeste - R$ 14.187,64
Banese - R$ 10.642,06
Cruzeiro do Sul - R$ 10.642,06
Industrial e Comercial do Ceará - R$ 10.642,06
Pottencial - R$ 10.642,06
Total - R$ 9.079.530,08
A CCASP é integrada por representantes do governo e entidades dos trabalhadores e dos empresários. A Contraf-CUT é a porta-voz dos bancários. A Febraban representa os bancos. Foi a quarta e última reunião da CCASP em 2013. A primeira reunião da CCASP em 2014 foi marcada para o dia 19 de fevereiro.
"Essas multas não deixam dúvidas de que os bancos não priorizam a segurança dos estabelecimentos", salienta Ademir Wiederkehr, representante da Contraf-CUT na CCASP. "Os bancos buscam economizar até na segurança para turbinar ainda mais os seus lucros, em vez de respeitar a legislação e fazer investimentos para prevenir assaltos e proteger a vida dos bancários, vigilantes e clientes", avalia.
Bradesco punido por usar bancários para transporte de valores
Uma mesma agência do Bradesco no Acre, que obrigou bancários a transportar dinheiro em carro particular ou de táxi, foi punida em 50 processos, totalizando multas de R$ 709,3 mil. Nas duas reuniões anteriores da CCASP, essa unidade já havia sido penalizada em outros 152 processos semelhantes, totalizando agora 202 e somando multas de R$ 2,865 milhões.
"É um tremendo descaso do Bradesco expor ao risco a vida de bancários, em vez de contratar carro-forte para transportar numerário", critica Ademir, que é também coordenador do Coletivo Nacional de Segurança Bancária da Contraf-CUT.
Multas também contra empresas de segurança
Houve também aplicação de multas contra empresas de segurança, vigilância, transporte de valores, vigilância orgânica e cursos de formação de vigilantes, no total de R$ 538.789,01, além de advertências e cancelamentos.
Segundo o presidente da Confederação Nacional dos Vigilantes (CNTV), José Boaventura Santos, "há uma grande negligência das empresas e por isso também foram multadas, destacando-se infrações como coletes balísticos vencidos, armas quebradas e número insuficiente de vigilantes".
Avaliação dos bancários
"O valor das multas bateu recorde, provando que a insegurança nos bancos vem aumentando em vez de diminuir, mostrando que eles investem muito pouco em comparação com os seus lucros bilionários", aponta André Spiga, diretor do Sindicato dos Bancários do Rio de Janeiro.
"Constatamos que vários bancos foram multados por portas giratórias e alarmes inoperantes, além da falta de vigilantes, evidenciando os riscos a que estão submetidos diariamente trabalhadores e clientes, e revelando que a responsabilidade social ainda é um discurso vazio dos bancos", frisa Leonardo Fonseca, representante da Fetraf Minas Gerais e diretor do Sindicato dos Bancários de Belo Horizonte.
"Observamos que quase todos os bancos foram punidos pelas mesmas infrações, revelando que o sistema financeiro não prioriza o cumprimento da legislação, na medida em que hoje sai mais barato pagar multas do que respeitar as leis e melhorar a segurança de trabalhadores e clientes", destaca Belmiro Moreira, diretor do Sindicato dos Bancários do ABC.
"O Banco do Brasil, sendo um banco público que deveria ser exemplo no respeito da legislação, aparece como campeão das infrações na 99ª reunião da CCASP, dando um péssimo exemplo para os demais bancos e para a sociedade brasileira", ressalta Danilo Anderson Castilho, representante da Feeb SP-MS e diretor do Sindicato dos Bancários de Campinas.
"O Itaú, como banco patrocinador da Seleção Brasileira, como enfatiza na sua propaganda, deveria aproveitar este momento para fazer mais investimentos na segurança de funcionários, vigilantes, clientes e usuários, todos torcedores do Brasil, pois com os lucros bilionários possui recursos sobrando para prevenir ações criminosas e proteger a vida das pessoas", afirma Valdir Machado, diretor da Fetec-CUT/SP.
Também participaram da reunião o representante da Fetec Centro-Norte e diretor do Sindicato dos Bancários do Pará, Sandro Matos, e o representante da Fetec Nordeste e diretor do Sindicato dos Bancários de Pernambuco, João Rufino.
A reunião foi presidida pelo diretor executivo da Polícia Federal, Rogério Galloro, que assumiu em junho o segundo posto hierárquico da corporação. Ele estava sentado ao lado da delegada Silvana Helena Vieira Borges, titular da Coordenadoria-Geral de Controle de Segurança Privada (CGCSP).
Estiveram em pauta 867 processos contra bancos, abertos pelas delegacias estaduais de segurança privada (Delesp), por causa do descumprimento da lei federal nº 7.102/83 e de portarias da Polícia Federal. As principais irregularidades foram número insuficiente e falta de rendição de vigilantes no horário de almoço, alarmes e portas giratórias inoperantes, transporte de valores por bancários, inauguração de agências sem plano de segurança aprovado e cerceamento da fiscalização de policiais federais, dentre outras.
Veja o montante de multas por banco:
Banco do Brasil - R$ 2.755.533,77
Bradesco - R$ 1.733.824,32
Itaú - R$ 1.669.352,63
Santander - R$ 1.358.606,70
Caixa - R$ 767.630,03
HSBC - R$ 266.047,35
Banco de Brasília - R$ 127.700,51
Banestes - R$ 101.095,88
Mercantil do Brasil - R$ 63.850,25
Banrisul - R$ 42.566,12
Rural - R$ 35.471,77
Banco da Amazônia - R$ 31.926,19
Safra - R$ 26.604,62
BIC - R$ 21.282,00
Banif - R$ 21.282,00
Banco do Nordeste - R$ 14.187,64
Banese - R$ 10.642,06
Cruzeiro do Sul - R$ 10.642,06
Industrial e Comercial do Ceará - R$ 10.642,06
Pottencial - R$ 10.642,06
Total - R$ 9.079.530,08
A CCASP é integrada por representantes do governo e entidades dos trabalhadores e dos empresários. A Contraf-CUT é a porta-voz dos bancários. A Febraban representa os bancos. Foi a quarta e última reunião da CCASP em 2013. A primeira reunião da CCASP em 2014 foi marcada para o dia 19 de fevereiro.
"Essas multas não deixam dúvidas de que os bancos não priorizam a segurança dos estabelecimentos", salienta Ademir Wiederkehr, representante da Contraf-CUT na CCASP. "Os bancos buscam economizar até na segurança para turbinar ainda mais os seus lucros, em vez de respeitar a legislação e fazer investimentos para prevenir assaltos e proteger a vida dos bancários, vigilantes e clientes", avalia.
Bradesco punido por usar bancários para transporte de valores
Uma mesma agência do Bradesco no Acre, que obrigou bancários a transportar dinheiro em carro particular ou de táxi, foi punida em 50 processos, totalizando multas de R$ 709,3 mil. Nas duas reuniões anteriores da CCASP, essa unidade já havia sido penalizada em outros 152 processos semelhantes, totalizando agora 202 e somando multas de R$ 2,865 milhões.
"É um tremendo descaso do Bradesco expor ao risco a vida de bancários, em vez de contratar carro-forte para transportar numerário", critica Ademir, que é também coordenador do Coletivo Nacional de Segurança Bancária da Contraf-CUT.
Multas também contra empresas de segurança
Houve também aplicação de multas contra empresas de segurança, vigilância, transporte de valores, vigilância orgânica e cursos de formação de vigilantes, no total de R$ 538.789,01, além de advertências e cancelamentos.
Segundo o presidente da Confederação Nacional dos Vigilantes (CNTV), José Boaventura Santos, "há uma grande negligência das empresas e por isso também foram multadas, destacando-se infrações como coletes balísticos vencidos, armas quebradas e número insuficiente de vigilantes".
Avaliação dos bancários
"O valor das multas bateu recorde, provando que a insegurança nos bancos vem aumentando em vez de diminuir, mostrando que eles investem muito pouco em comparação com os seus lucros bilionários", aponta André Spiga, diretor do Sindicato dos Bancários do Rio de Janeiro.
"Constatamos que vários bancos foram multados por portas giratórias e alarmes inoperantes, além da falta de vigilantes, evidenciando os riscos a que estão submetidos diariamente trabalhadores e clientes, e revelando que a responsabilidade social ainda é um discurso vazio dos bancos", frisa Leonardo Fonseca, representante da Fetraf Minas Gerais e diretor do Sindicato dos Bancários de Belo Horizonte.
"Observamos que quase todos os bancos foram punidos pelas mesmas infrações, revelando que o sistema financeiro não prioriza o cumprimento da legislação, na medida em que hoje sai mais barato pagar multas do que respeitar as leis e melhorar a segurança de trabalhadores e clientes", destaca Belmiro Moreira, diretor do Sindicato dos Bancários do ABC.
"O Banco do Brasil, sendo um banco público que deveria ser exemplo no respeito da legislação, aparece como campeão das infrações na 99ª reunião da CCASP, dando um péssimo exemplo para os demais bancos e para a sociedade brasileira", ressalta Danilo Anderson Castilho, representante da Feeb SP-MS e diretor do Sindicato dos Bancários de Campinas.
"O Itaú, como banco patrocinador da Seleção Brasileira, como enfatiza na sua propaganda, deveria aproveitar este momento para fazer mais investimentos na segurança de funcionários, vigilantes, clientes e usuários, todos torcedores do Brasil, pois com os lucros bilionários possui recursos sobrando para prevenir ações criminosas e proteger a vida das pessoas", afirma Valdir Machado, diretor da Fetec-CUT/SP.
Também participaram da reunião o representante da Fetec Centro-Norte e diretor do Sindicato dos Bancários do Pará, Sandro Matos, e o representante da Fetec Nordeste e diretor do Sindicato dos Bancários de Pernambuco, João Rufino.
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