Bancários reivindicam políticas de promoção da igualdade racial nos bancos
“Os bancos não apoiam programas de transferência de renda, nem projetos sociais e não estão nas favelas”. A denúncia foi feita por João Jorge, presidente do Olodum, durante o 1º Fórum Nacional A Invisibilidade Negra no Sistema Financeiro, que está sendo realizado pela Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT). O evento foi aberto ontem e termina no final desta terça-feira (29), em Salvador.
Um sinal da discriminação é a própria distribuição dos recursos no marketing dos bancos. Segundo o presidente do Olodum, o Banco do Brasil patrocinou duas cantoras famosas no carnaval da Bahia e não destinou recursos a nenhum dos blocos afros da cidade. “A Caixa Econômica Federal investiu R$ 40 milhões e nenhum dos projetos era negro”, disse João Jorge.
Para o secretário-geral da Contraf-CUT, Marcel Barros, “a tímida contratação de negros pelos bancos não pode ser escamoteada e deve ser combatida”. Dados do Censo de 2010, realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostram que os pretos e pardos representam 52% da população brasileira. Apesar disso, são minorias dentro dos bancos.
Fonte: Fetec-CUT/SP
O evento conta com a participação de Angela Nascimento, diretora de Programas da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir) do governo federal. Ela avaliou a conjuntura política das relações raciais no Brasil. Também foi discutido o Estatuto da Igualdade Racial e a atuação de parlamentares no combate à discriminação, com a presença do deputado federal Luiz Alberto (PT-BA).
De acordo com Deise Recoaro, secretária de Políticas Sociais da Contraf-CUT, 81% dos bancários são brancos. Os 19% restantes dividem-se entre negros e negras. "Ainda assim, não vemos esses 19% realizando trabalhos de atendimento ao público", disse. A diferença se vê também na remuneração: os negros recebem 84% do salário dos brancos.
Para Recoaro, existe uma "cota branca histórica" no mercado de trabalho que não é questionada. "Todo e qualquer tipo de discriminação racial é lucrativo para o sistema financeiro porque os salários pagos a negros e mulheres são mais baixos", denunciou.
“Além das discussões sobre a participação efetiva dos negros nos bancos, será definida uma carta-compromisso com as entidades participantes, que reunirá ações e políticas a serem adotadas pelas organizações que aprofundar o combater ao racismo, ampliar a participação dos negros e garantir igualdade de oportunidades”, aponta a diretora da Contraf-CUT.
Participam dirigentes sindicais bancários de São Paulo, Rio de Janeiro, Pernambuco, Ceará, Rio Grande do Sul, Acre, Bahia, Paraná, Mato Grosso, Rio Grande do Norte, Pará, Alagoas, Minas Gerais, Espírito Santo e Distrito Federal.
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