Trabalhadores nas Américas em debate
A UNI Finanças, braço sindical da UNI Sindicato Global, discutiu os problemas dos bancários nas relações de trabalho nas Américas com a direção do HSBC.
A reunião, realizada na terça-feira 17, na cidade do México, contou com a participação de representantes dos trabalhadores do Brasil, Paraguai, Uruguai, México, da Argentina e Colômbia. O banco inglês foi representado pelo diretor executivo de recursos humanos para as Américas, João Rached, e o coordenador de relações sindicais para a América Latina, Antonio Carlos Schwertner, dentre outros.
O chefe mundial da UNI Finanças, Márcio Monzane, destacou a reunião como um marco na perspectiva de alcançar os princípios da entidade. “Nossos pilares são o fortalecimento sindical, o estabelecimento de diálogo social e a garantia da ampliação dos direitos aos trabalhadores”, disse.
A sobrecarga de trabalho nas agências no Brasil, a necessidade de mais contratações e a falta de transparência do PPR (programa próprio de remuneração) foram destacadas durante a reunião. “Deixamos claro para o diretor do banco que os sindicatos não tiveram participação na forma como esse programa foi criado e que ele não deve ser descontado da PLR geral da categoria, como vem acontecendo”, relata a presidenta do Sindicato, Juvandia Moreira. “Também falamos do problema da rotatividade e da necessidade de garantir os empregos, já que há falta de funcionários.”
As práticas antissindicais adotadas pelo HSBC, como o uso de interditos proibitórios contra o direito legítimo de manifestação dos bancários, também foi denunciada pelos dirigentes sindicais.
O diretor do banco João Rached afirmou que o diálogo com o movimento sindical está aberto e considera essencial conhecer as principais questões que afligem os trabalhadores nos diversos países em que o banco atua. Disse que foi criado um comitê mundial de relações sindicais, cujo coordenador para a América Latina é o atual representante de relações sindicais no Brasil, Antonio Carlos Schwertner.
Em relação às denúncias de práticas antissindicais, Rached comprometeu-se a se informar sobre os fatos relatados, mas de antemão afirmou que não existe nenhuma orientação para qualquer descumprimento das legislações dos diversos países.
Foi o terceiro contato com o HSBC nas Américas. Os bancários já tinham se reunido com o banco inglês no ano passado em São Paulo, por ocasião do lançamento da campanha pelo acordo marco global, e em Buenos Aires, quando da realização da Reunião Conjunta das Redes Sindicais dos Bancos Internacionais.
Colômbia – Os dirigentes sindicais dos diversos países também apresentaram as suas demandas. Mereceram destaque os problemas na Colômbia, onde foi denunciada a falta de liberdade sindical, a perseguição a bancários sindicalizados, a ausência de negociação coletiva e o não pagamento de horas extras. Rached ficou de apurar as denúncias.
Monzane destacou que, devido às particularidades das relações de trabalho na Colômbia, a UNI Finanças sugeriu ao vice-presidente colombiano e ex-sindicalista, durante audiência ocorrida no final de abril em Bogotá, a organização de um fórum tripartite para estabelecer condições adequadas de trabalho e respeito aos direitos sindicais. Foi feito o convite pela UNI Finanças ao HSBC para integrar o fórum, que foi prontamente atendido.
Nas Américas – Carlos Cordeiro, presidente da Contraf-CUT, indagou sobre a estratégia do HSBC para o mundo e suas repercussões nas Américas, diante dos anúncios recentes de que está em curso a revisão da atuação do banco no varejo, com cortes nesta área.
Conforme Rached, o banco possui como estratégia crescer fazendo negócios. “Os mercados brasileiro, mexicano e argentino são mercados fundamentais para os negócios da empresa, que estão em expansão”, disse.
Fonte: Sindicato dos Bancários de São Paulo com informações da Contraf-CUT
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