Movimento sindical denuncia a chantagem do mercado financeiro e cobra redução da Selic
Na véspera da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que está enfrentando fogo cerrado do mercado financeiro para aumentar a taxa de juros básicos da economia, a CUT realizou nesta terça-feira 19 em frente à filial do Banco Central na avenida Paulista, em São Paulo, um ato em defesa da redução da Selic, "como caminho para o desenvolvimento, com geração de emprego e aumento da renda".
A central sindical distribuiu panfleto para a população denunciando que a atual taxa "já é extremamente alta, o que freia o desenvolvimento do país, além de estar na contramão da política da maioria dos países do mundo, que vêm reduzindo suas taxas de juros" para enfrentar os efeitos da crise econômica e financeira.
"A CUT está aqui hoje para assumir a sua posição de confronto com essa política que aposta no capital especulativo em detrimento da produção. Essa política concentra renda e prejudica o trabalhador", criticou Sebastião Cardozo, secretário-geral da CUT/SP e tesoureiro da Fetec São Paulo.
Nas duas reuniões já realizadas este ano, o Copom elevou a taxa Selic de 10,75% para 11,75% - a mais alta do mundo. Esse 1% de aumento representa cerca de R$ 15 bilhões que serão transferidos do Tesouro Nacional para os portadores de títulos da dívida pública.
Reportagem publicada nesta terça-feira 19 pelo jornal Valor Econômico estima que o Brasil pagará de juros da dívida R$ 230 bilhões neste ano, o equivalente a 5,6% do Produto Interno Bruto (PIB), quase 15 vezes os R$ 15,5 bilhões que o governo federal investe anualmente no Bolsa Família.
Com grande repercussão na mídia, o sistema financeiro, brandindo a ameaça do risco inflacionário, está exercendo enorme pressão para que o Copom aumente novamente a Selic na reunião desta quarta-feira 20.
Chantagem do mercado financeiro
Para o presidente da Contraf-CUT, Carlos Cordeiro, "o Copom não pode continuar cedendo às chantagens do mercado financeiro, acostumado a ganhar bilhões de reais com as altas de juros, em prejuízo do direcionamento do crédito para os setores da economia geradores de emprego e renda".
"O spread e os juros altos são hoje os principais fatores de transferência de renda da sociedade, especialmente dos trabalhadores, para o sistema financeiro", denuncia Carlos Cordeiro. Para ele, "é preciso combater essa visão com a ampliação do Conselho Monetário Nacional, de forma a contemplar a participação da sociedade civil organizada, para que o Banco Central, além das metas de inflação, possa também fixar metas sociais, como o aumento do emprego e da renda dos trabalhadores e a redução das desigualdades sociais do país".
Fonte: Contraf-CUT
MAIS NOTÍCIAS
- Funcef: Começou a prova de vida para os nascidos em setembro
- Planos da Funcef mantêm desempenho acima das metas até julho
- Bancários de Catanduva e região aprovam proposta dos bancos privados e rejeitam acordos do BB e da Caixa
- Perguntas e respostas sobre as assembleias dos bancários
- Negociação garante bônus de R$ 3 mil para funcionários do Banco do Brasil
- Sindicato conquista na Justiça pagamento da 7ª e 8ª horas a tesoureiros da Caixa
- Caixa: Veja proposta que será votada na assembleia
- Grito dos Excluídos 2026 leva às ruas luta por terra, paz, moradia e soberania
- Câmara aprova Convenção 190 da OIT contra violência e assédio no trabalho
- Fim da escala 6x1 é aprovado na CCJ; votação no plenário do Senado será marcada
- Assembleia virtual nos dias 3 e 4 de setembro vai decidir sobre proposta da Fenaban, BB e Caixa
- Banco do Brasil finaliza proposta para renovação do ACT específico
- Confira a proposta da Caixa Econômica Federal
- Mesa de negociação com Banco do Brasil foi remarcada para terça-feira (1º)
- Banco do Brasil apresenta proposta para renovação do ACT específico