07/04/2021
A importância dos sindicatos na defesa dos bancários e da população durante a pandemia

Por Ivone Silva*
Desde o início da pandemia, a organização sindical foi essencial para avançar e lutar pelos trabalhadores, a partir de reivindicações urgentes, conforme recomendações de organizações nacionais e internacionais, como a OMS, para promover a proteção da categoria.
Estamos permanentemente em negociação com os bancos para resguardar a saúde dos bancários e definir uma estratégia de atuação do movimento sindical - a partir da criação de um comitê bipartite de crise para acompanhamento do tema e implementação de comunicação preventiva em todos locais de trabalho, que tem um impacto na vida do trabalho e no dia a dia das pessoas. Avançamos e conseguimos o home office para grande parte da categoria, contingenciamento de acesso às agências, redução do horário de atendimento, entre muitas outras conquistas. Estamos aumentando o tom das cobranças para que sejam implantadas medidas como a suspensão de metas e demissões pelos bancos.
A atuação dos Sindicatos foi essencial nos últimos anos. Em um ambiente de incerteza política e econômica e ataque aos direitos dos trabalhadores, a categoria teve aumento real acumulado entre 2004 e 2020 de 21,3% nos salários e 42,8% no piso com a garantia da manutenção de todos os direitos previstos na Convenção Coletiva de Trabalho (CCT), válida em todo o Brasil.
De acordo com o Dieese, em fevereiro de 2020, cerca de 70% das negociações das categorias ficaram abaixo da inflação. Nossa categoria é uma referência de luta organizada e a antecipação da negociação da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) de 2021 se mostra assertiva. Em tempos de alta inflacionária, a categoria já garantiu a reposição total do INPC mais 0,5% de aumento real para salários e demais verbas. Além disso, todas as cláusulas da CCT da categoria foram mantidas.
Nos últimos anos, fortalecemos também a luta pela promoção dos bancos públicos. Somente entre o início de 2016 e o terceiro trimestre de 2020, o Banco do Brasil cortou 17.758 empregos e fechou 1.058 agências, o que representa uma queda de 16% e 19% respectivamente. No mesmo período, o número de clientes do BB cresceu 15%, um acréscimo de 9,4 milhões de clientes. Entre 2016 e 2019 o lucro líquido ajustado do BB apresentou crescimento de 122%, passando de R$ 8,033 bilhões em 2016 para R$ 17,848 bilhões em 2019. Os bancos públicos precisam ser fortalecidos pois desempenham um papel fundamental na economia brasileira e são um importante instrumento de política econômica e de promoção ao desenvolvimento econômico e social.
Nossa luta é constante. Solicitamos ao governo paulista a inclusão dos bancários em grupo prioritário no Plano Estadual de Imunização, uma medida que trará mais segurança tanto para os trabalhadores, como para toda a população. A atividade bancária é considerada essencial e, com o agravamento da pandemia, a execução das tão necessárias políticas públicas de caráter social, como o auxílio-emergencial, invariavelmente passa pelo atendimento bancário.
Durante a pandemia, muitos trabalhadores perceberam que os sindicatos têm um papel fundamental na organização da classe trabalhadora na luta por uma sociedade justa e democrática e pela ampliação dos direitos individuais e coletivos. Sem os sindicatos teríamos uma situação de poderes absolutos dos detentores do capital para ditar as regras do mundo do trabalho em suas diversas esferas como remuneração, jornada e condições de trabalho.
*Ivone Silva é coordenadora do Comando Nacional dos Bancários e presidenta do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região
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