18/05/2026
Comando Nacional propõe “Pacto pela saúde dos bancários"
O Comando Nacional das Bancárias e dos Bancários se reuniu nesta sexta-feira (15) com a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban), na mesa de Negociação Nacional Permanente sobre Saúde.
Os casos de afastamento acidentário por saúde mental no setor financeiro aumentaram de 9,3% para 20%, entre 2012 e 2024 - o maior crescimento registrado no país entre todos os setores. Considerando apenas o subsetor bancário, os transtornos mentais responderam por 55,9% dos afastamentos acidentários em 2024, enquanto as LERT/DORT (doenças relacionadas a movimentos repetitivos e esforço excessivo no trabalho) por 20,3% dos afastamentos.
A coordenadora do Comando Nacional dos Bancários, Juvandia Moreira, reforçou que os altos níveis de afastamento no setor financeiro estão ligados a um modelo de gestão adoecedor, baseado na pressão por resultados e metas exageradas e de difícil cumprimento.
"Esses dados do INSS, com base em informações da plataforma Smartlab, confirmam que o padrão de afastamentos por adoecimento que antes era restrito ao bancário se difundiu para todo o ramo financeiro e isso está ligado aos efeitos colaterais de um ambiente organizacional com metas abusivas, que sobrecarregam o trabalhador e estimulam a rivalidade e não a colaboração saudável”, ponderou.
A também coordenadora do Comando Nacional, Neiva Ribeiro, completou que, mais do que dinheiro no bolso, "os trabalhadores querem qualidade de vida, bem-estar, o que não está sendo possível de serem alcançados por causa das condições de trabalho, da gestão por metas abusivas, sobrecarga e hipervigilância", pontuou.
Reivindicações dos trabalhadores
O Comando Nacional reivindicou:
- Levantamento das causas dos afastamentos: que os bancos forneçam os dados epidemiológicos e documentos do Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR), conforme a Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1).
- Combate aos fatores de riscos psicossociais: como metas abusivas, sobrecarga de trabalho, assédio moral, hipervigilância algorítmica, entre outras práticas de gestão abusiva.
O movimento sindical também propôs um "Pacto pela Saúde", baseado nas normas de saúde, e que inclui:
- A participação dos trabalhadores na implementação da NR-1, que obriga as empresas a gerenciarem os riscos psicossociais relacionados ao trabalho, como sobrecarga, pressão por metas, conflitos e assédio moral, para prevenir Burnout e doenças mentais.
- O cumprimento das NR 17 e a NR 7, que já estão em vigor: a primeira determina que o trabalho deve ser adaptar às condições psicofisiológicas dos trabalhadores, enquanto a segunda determina a prevenção, rastreamento e diagnóstico precoce de agravos relacionados ao trabalho.
Metas negativas
O secretário de Saúde da Contraf-CUT, Mauro Salles destacou que os sindicatos vem registrando as chamadas “metas negativas”, que ocorrem quando o trabalhador é punido com o descomissionamento da remuneração variável ou com advertências, quando, por exemplo, um cliente desiste de um produto após ter fechado sua contratação.
"A categoria bancária não tem mais perspectiva de carreira, se sente pressionada com o medo do fechamento de agências, perda de empregos, descomissionamentos, metas negativas, e quando adoece não é acolhida. Tudo isso contribui para os riscos psicossociais", explicou.
Por fim, Salles denunciou o crescimento de casos de trabalhadores com atestados, convocados para avaliação por médicos do banco e sendo pressionados para voltar ao trabalho, antes de terminar o período de tratamento. “Além de irregular, essa prática tem sido um dos problemas que os trabalhadores enfrentam para acessar benefícios do INSS, portanto impedidos do tempo necessário de recuperação”, destacou.
Socorro adequado pelos bancos
Na mesa de negociação, Juvandia Moreira citou o caso de uma bancária do Banco do Brasil, de uma agência de Ji-Paraná, que ao ter uma crise de ansiedade aguda no local de trabalho, ao invés de ser socorrida pelo banco e encaminhada para uma unidade de saúde, teve apenas um familiar comunicado para que fosse até a unidade.
Foi cobrado dos bancos que, em uma situação como essa, a empresa tem a responsabilidade de prestar imediatamente o socorro adequado ao trabalhador, conforme determina a legislação, para então comunicar os familiares.
Resposta da Fenaban e encaminhamentos
A Fenaban aceitou discutir a NR 1 com os trabalhadores, assim como as demais reivindicações desta reunião, no primeiro encontro da Campanha Nacional Unificada das bancárias e dos bancários, prevista para começar entre final de junho e início de julho. Portanto, Saúde será o primeiro tema da série de encontros para renovação da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) da categoria.
“Não queremos negar a responsabilidade dos bancos com o cumprimento da NR 1, pelo contrário, que as empresas assumam e cumpram as normas com a participação dos trabalhadores”, destacou Mauro Salles.
Na questão da convocação de bancários afastados por atestados do INSS, para avaliação e validação dos atestados por médicos do banco, a Fenaban abriu divergência e insistiu na manutenção da prática.
Sobre este ponto, Mauro Salles rebateu que os bancos não são peritos e que o INSS é a entidade qualificada para identificar e atestar se um trabalhador deve ou não ser afastado.
Os casos de afastamento acidentário por saúde mental no setor financeiro aumentaram de 9,3% para 20%, entre 2012 e 2024 - o maior crescimento registrado no país entre todos os setores. Considerando apenas o subsetor bancário, os transtornos mentais responderam por 55,9% dos afastamentos acidentários em 2024, enquanto as LERT/DORT (doenças relacionadas a movimentos repetitivos e esforço excessivo no trabalho) por 20,3% dos afastamentos.
A coordenadora do Comando Nacional dos Bancários, Juvandia Moreira, reforçou que os altos níveis de afastamento no setor financeiro estão ligados a um modelo de gestão adoecedor, baseado na pressão por resultados e metas exageradas e de difícil cumprimento.
"Esses dados do INSS, com base em informações da plataforma Smartlab, confirmam que o padrão de afastamentos por adoecimento que antes era restrito ao bancário se difundiu para todo o ramo financeiro e isso está ligado aos efeitos colaterais de um ambiente organizacional com metas abusivas, que sobrecarregam o trabalhador e estimulam a rivalidade e não a colaboração saudável”, ponderou.
A também coordenadora do Comando Nacional, Neiva Ribeiro, completou que, mais do que dinheiro no bolso, "os trabalhadores querem qualidade de vida, bem-estar, o que não está sendo possível de serem alcançados por causa das condições de trabalho, da gestão por metas abusivas, sobrecarga e hipervigilância", pontuou.
Reivindicações dos trabalhadores
O Comando Nacional reivindicou:
- Levantamento das causas dos afastamentos: que os bancos forneçam os dados epidemiológicos e documentos do Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR), conforme a Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1).
- Combate aos fatores de riscos psicossociais: como metas abusivas, sobrecarga de trabalho, assédio moral, hipervigilância algorítmica, entre outras práticas de gestão abusiva.
O movimento sindical também propôs um "Pacto pela Saúde", baseado nas normas de saúde, e que inclui:
- A participação dos trabalhadores na implementação da NR-1, que obriga as empresas a gerenciarem os riscos psicossociais relacionados ao trabalho, como sobrecarga, pressão por metas, conflitos e assédio moral, para prevenir Burnout e doenças mentais.
- O cumprimento das NR 17 e a NR 7, que já estão em vigor: a primeira determina que o trabalho deve ser adaptar às condições psicofisiológicas dos trabalhadores, enquanto a segunda determina a prevenção, rastreamento e diagnóstico precoce de agravos relacionados ao trabalho.
Metas negativas
O secretário de Saúde da Contraf-CUT, Mauro Salles destacou que os sindicatos vem registrando as chamadas “metas negativas”, que ocorrem quando o trabalhador é punido com o descomissionamento da remuneração variável ou com advertências, quando, por exemplo, um cliente desiste de um produto após ter fechado sua contratação.
"A categoria bancária não tem mais perspectiva de carreira, se sente pressionada com o medo do fechamento de agências, perda de empregos, descomissionamentos, metas negativas, e quando adoece não é acolhida. Tudo isso contribui para os riscos psicossociais", explicou.
Por fim, Salles denunciou o crescimento de casos de trabalhadores com atestados, convocados para avaliação por médicos do banco e sendo pressionados para voltar ao trabalho, antes de terminar o período de tratamento. “Além de irregular, essa prática tem sido um dos problemas que os trabalhadores enfrentam para acessar benefícios do INSS, portanto impedidos do tempo necessário de recuperação”, destacou.
Socorro adequado pelos bancos
Na mesa de negociação, Juvandia Moreira citou o caso de uma bancária do Banco do Brasil, de uma agência de Ji-Paraná, que ao ter uma crise de ansiedade aguda no local de trabalho, ao invés de ser socorrida pelo banco e encaminhada para uma unidade de saúde, teve apenas um familiar comunicado para que fosse até a unidade.
Foi cobrado dos bancos que, em uma situação como essa, a empresa tem a responsabilidade de prestar imediatamente o socorro adequado ao trabalhador, conforme determina a legislação, para então comunicar os familiares.
Resposta da Fenaban e encaminhamentos
A Fenaban aceitou discutir a NR 1 com os trabalhadores, assim como as demais reivindicações desta reunião, no primeiro encontro da Campanha Nacional Unificada das bancárias e dos bancários, prevista para começar entre final de junho e início de julho. Portanto, Saúde será o primeiro tema da série de encontros para renovação da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) da categoria.
“Não queremos negar a responsabilidade dos bancos com o cumprimento da NR 1, pelo contrário, que as empresas assumam e cumpram as normas com a participação dos trabalhadores”, destacou Mauro Salles.
Na questão da convocação de bancários afastados por atestados do INSS, para avaliação e validação dos atestados por médicos do banco, a Fenaban abriu divergência e insistiu na manutenção da prática.
Sobre este ponto, Mauro Salles rebateu que os bancos não são peritos e que o INSS é a entidade qualificada para identificar e atestar se um trabalhador deve ou não ser afastado.
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