07/11/2025
Concentração de inovações tecnológicas nas “big techs” é ameaça à democracia
Aconteceu na quinta-feira (6), na capital fluminense, a “Jornada sindical internacional: Inteligência Artificial (IA) no sistema financeiro”, evento realizado pela UNI Américas Finanças, o braço regional do sindicato global que representa trabalhadores do setor financeiro no continente, e pela SASK (sigla para o Centro de Solidariedade Sindical da Finlândia), com o apoio da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT) e do Sindicato dos Bancários do Rio de Janeiro (Seeb-RJ).
O evento foi dividido em cinco mesas de debates, onde foram aprofundados os impactos da IA no emprego e no sistema financeiro mundial; experiências do uso das novas tecnologias nos processos de negociação coletiva; e os desafios nas mesas de negociação, diante da revolução tecnológica.
Durante sua exposição, a presidenta da Contraf-CUT e vice-presidenta da CUT, Juvandia Moreira, alertou que as mudanças tecnológicas não estão sendo neutras, ou seja, não estão atingindo de forma igual todas as camadas sociais. "Essa neutralidade não existe porque, no capitalismo, a IA é comandada e controlada por grandes corporações que têm como principal objetivo maximizar seus lucros, concentrando ainda mais a renda nas mãos de poucos, em detrimento da maioria", explicou.
Atualmente um pequeno grupo de empresas, as chamadas “big techs”, controlam as tecnologias mais utilizadas por pessoas, empresas e governos. “Essa concentração permite que essas big techs tenham forte influência no mundo, a ponto de ameaçar a soberania digital e a autonomia da classe trabalhadora, portanto a própria democracia”, aprofundou Juvandia Moreira.
Regulação é necessária
Uma das estratégias articuladas pelo movimento sindical no Brasil para reverter o impacto negativo de concentração do controle das tecnologias é a participação em debates públicos sobre regulação. “As centrais sindicais estão defendendo, junto ao governo, ao Senado e à Câmara dos Deputados, a regulação do uso da Inteligência Artificial. Para isso, estamos acompanhando de perto o Projeto de Lei nº 2.338/2023, relacionado aos fundamentos e desenvolvimento da IA no país e que tramita no Congresso Nacional”, completou a vice-presidenta da CUT.
Os trabalhadores também levaram contribuições sobre o tema para o “Conselhão”, apelido dado ao Conselho do Desenvolvimento Econômico Social Sustentável (CDESS), criado pelo presidente Lula e que reúne representantes de diversos setores da sociedade no debate de políticas públicas.
“Entre as propostas que defendemos no Conselhão, para o PL 2338/2023, estão a garantia de negociação coletiva em casos de uso de IA nos processos produtivos, quando impactarem na gestão dos trabalhadores; garantia da participação social no processo regulatório da IA, por meio das centrais sindicais; fortalecimento das redes de proteção social diante das perdas ocupacionais promovidas pelas mudanças tecnológicas; e garantia de que os ganhos de produtividade gerados pela IA sejam redistribuídos à sociedade, por exemplo, com a redução da jornada de trabalho”, destacou Juvandia Moreira.
Avanços de negociações coletivas
Outra proposta defendida pela classe trabalhadora, de forma a garantir uma transição tecnológica justa, é o estímulo aos programas de requalificação profissional. Sobre esse ponto, a presidenta da Contraf-CUT ressaltou que as mulheres são as mais afetadas pela extinção de empregos tradicionais. “Isso acontece porque as áreas tecnológicas, especialmente o setor de TI, ainda são predominantemente representadas por homens”, explicou.
Segundo dados do relatório "Boas práticas em negociação coletiva: inovações tecnológicas", elaborado pelo Dieese em parceria com o Ministério do Trabalho e Emprego, o tema apareceu em 5% das negociações registradas em 2023, sendo que a maioria das cláusulas relacionadas à inovação e que foram conquistadas pelas categoriais naquele ano previam "qualificação profissional, manutenção do emprego, diálogo com os sindicatos e realocação de trabalhadores em outras funções".
“Na categoria bancária, em 2024, conquistamos na Convenção Coletiva de Trabalho, o comprometimento dos bancos em apoiar a formação de mulheres na área de tecnologia, resultando na concessão de cerca de 3.100 bolsas de estudos”, contou Juvandia Moreira.
Mais recentemente, a classe trabalhadora cutista aprovou a “Carta de São Bernardo do Campo”, resultado da I Conferência Nacional de IA com Direitos Sociais, realizada em outubro na Universidade Federal do ABC. "Neste documento, defendemos uma inteligência artificial regulada, democrática e comprometida com a justiça social", observou Juvandia Moreira, completando que a conferência também resultou na criação da "Frente Inteligência Artificial com Direitos Sociais", com "objetivo de articular entidades, pesquisadores e movimentos sociais em torno dessa pauta estratégica", arrematou.
Juvandia concluiu sua apresentação reforçando a necessidade de colocar o ser humano no centro dos debates sobre a tecnologia. "Com isso, vamos conseguir avançar nos debates sobre a distribuição dos ganhos de produtividade, para evitar a escalada de concentração de riquezas; vamos garantir a valorização das negociações coletivas, de forma a proteger os direitos já conquistados e avançar em novos direitos, como a qualificação e requalificação; e enfrentar as desigualdades e as ameaças à democracia", pontuou.
IA em benefício das negociações
"O dia de hoje foi extremamente produtivo e interessante, porque discutimos não só o impacto da IA no mercado de trabalho, na estruturação do trabalho, mas sobre a utilização no dia a dia do mundo sindical. Afinal, precisamos garantir que a IA também resulte em benefícios aos trabalhadores", ressaltou a secretária de Relações Internacionais da Contraf-CUT, Rita Berlofa.
Além de Rita e Juvandia, estiveram também presentes na “Jornada sindical internacional: Inteligência Artificial (IA) no sistema financeiro”, representando a Contraf-CUT, Vinícius Assumpção (vice-presidente); Gustavo Tabatinga (secretário-geral); Eliana Brasil (secretária de formação); Fernanda Lopes (secretária da mulher); e Wagner Figueiredo (diretor).
Participaram ainda como palestrantes do evento Catalina Beltrán (da Associação Colombiana de Empregados Bancários/ACEB), Marcio Monzane (secretário Regional da Uni Global Union no continente americano), Angelo Di Cristo (chefe de departamento da UNI Finanças Global), Millena Alves (economista do Dieese na subseção da FEDERA RJ) e Carlos Eduardo Bezerra Marques (presidente da Fetrafi-NE). Guillermo Maffeo (diretor regional da UNI Américas Finanças) participou como mediador.
O evento foi dividido em cinco mesas de debates, onde foram aprofundados os impactos da IA no emprego e no sistema financeiro mundial; experiências do uso das novas tecnologias nos processos de negociação coletiva; e os desafios nas mesas de negociação, diante da revolução tecnológica.
Durante sua exposição, a presidenta da Contraf-CUT e vice-presidenta da CUT, Juvandia Moreira, alertou que as mudanças tecnológicas não estão sendo neutras, ou seja, não estão atingindo de forma igual todas as camadas sociais. "Essa neutralidade não existe porque, no capitalismo, a IA é comandada e controlada por grandes corporações que têm como principal objetivo maximizar seus lucros, concentrando ainda mais a renda nas mãos de poucos, em detrimento da maioria", explicou.
Atualmente um pequeno grupo de empresas, as chamadas “big techs”, controlam as tecnologias mais utilizadas por pessoas, empresas e governos. “Essa concentração permite que essas big techs tenham forte influência no mundo, a ponto de ameaçar a soberania digital e a autonomia da classe trabalhadora, portanto a própria democracia”, aprofundou Juvandia Moreira.
Regulação é necessária
Uma das estratégias articuladas pelo movimento sindical no Brasil para reverter o impacto negativo de concentração do controle das tecnologias é a participação em debates públicos sobre regulação. “As centrais sindicais estão defendendo, junto ao governo, ao Senado e à Câmara dos Deputados, a regulação do uso da Inteligência Artificial. Para isso, estamos acompanhando de perto o Projeto de Lei nº 2.338/2023, relacionado aos fundamentos e desenvolvimento da IA no país e que tramita no Congresso Nacional”, completou a vice-presidenta da CUT.
Os trabalhadores também levaram contribuições sobre o tema para o “Conselhão”, apelido dado ao Conselho do Desenvolvimento Econômico Social Sustentável (CDESS), criado pelo presidente Lula e que reúne representantes de diversos setores da sociedade no debate de políticas públicas.
“Entre as propostas que defendemos no Conselhão, para o PL 2338/2023, estão a garantia de negociação coletiva em casos de uso de IA nos processos produtivos, quando impactarem na gestão dos trabalhadores; garantia da participação social no processo regulatório da IA, por meio das centrais sindicais; fortalecimento das redes de proteção social diante das perdas ocupacionais promovidas pelas mudanças tecnológicas; e garantia de que os ganhos de produtividade gerados pela IA sejam redistribuídos à sociedade, por exemplo, com a redução da jornada de trabalho”, destacou Juvandia Moreira.
Avanços de negociações coletivas
Outra proposta defendida pela classe trabalhadora, de forma a garantir uma transição tecnológica justa, é o estímulo aos programas de requalificação profissional. Sobre esse ponto, a presidenta da Contraf-CUT ressaltou que as mulheres são as mais afetadas pela extinção de empregos tradicionais. “Isso acontece porque as áreas tecnológicas, especialmente o setor de TI, ainda são predominantemente representadas por homens”, explicou.
Segundo dados do relatório "Boas práticas em negociação coletiva: inovações tecnológicas", elaborado pelo Dieese em parceria com o Ministério do Trabalho e Emprego, o tema apareceu em 5% das negociações registradas em 2023, sendo que a maioria das cláusulas relacionadas à inovação e que foram conquistadas pelas categoriais naquele ano previam "qualificação profissional, manutenção do emprego, diálogo com os sindicatos e realocação de trabalhadores em outras funções".
“Na categoria bancária, em 2024, conquistamos na Convenção Coletiva de Trabalho, o comprometimento dos bancos em apoiar a formação de mulheres na área de tecnologia, resultando na concessão de cerca de 3.100 bolsas de estudos”, contou Juvandia Moreira.
Mais recentemente, a classe trabalhadora cutista aprovou a “Carta de São Bernardo do Campo”, resultado da I Conferência Nacional de IA com Direitos Sociais, realizada em outubro na Universidade Federal do ABC. "Neste documento, defendemos uma inteligência artificial regulada, democrática e comprometida com a justiça social", observou Juvandia Moreira, completando que a conferência também resultou na criação da "Frente Inteligência Artificial com Direitos Sociais", com "objetivo de articular entidades, pesquisadores e movimentos sociais em torno dessa pauta estratégica", arrematou.
Juvandia concluiu sua apresentação reforçando a necessidade de colocar o ser humano no centro dos debates sobre a tecnologia. "Com isso, vamos conseguir avançar nos debates sobre a distribuição dos ganhos de produtividade, para evitar a escalada de concentração de riquezas; vamos garantir a valorização das negociações coletivas, de forma a proteger os direitos já conquistados e avançar em novos direitos, como a qualificação e requalificação; e enfrentar as desigualdades e as ameaças à democracia", pontuou.
IA em benefício das negociações
"O dia de hoje foi extremamente produtivo e interessante, porque discutimos não só o impacto da IA no mercado de trabalho, na estruturação do trabalho, mas sobre a utilização no dia a dia do mundo sindical. Afinal, precisamos garantir que a IA também resulte em benefícios aos trabalhadores", ressaltou a secretária de Relações Internacionais da Contraf-CUT, Rita Berlofa.
Além de Rita e Juvandia, estiveram também presentes na “Jornada sindical internacional: Inteligência Artificial (IA) no sistema financeiro”, representando a Contraf-CUT, Vinícius Assumpção (vice-presidente); Gustavo Tabatinga (secretário-geral); Eliana Brasil (secretária de formação); Fernanda Lopes (secretária da mulher); e Wagner Figueiredo (diretor).
Participaram ainda como palestrantes do evento Catalina Beltrán (da Associação Colombiana de Empregados Bancários/ACEB), Marcio Monzane (secretário Regional da Uni Global Union no continente americano), Angelo Di Cristo (chefe de departamento da UNI Finanças Global), Millena Alves (economista do Dieese na subseção da FEDERA RJ) e Carlos Eduardo Bezerra Marques (presidente da Fetrafi-NE). Guillermo Maffeo (diretor regional da UNI Américas Finanças) participou como mediador.
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