17/03/2025

FETEC-CUT/SP traça plano de ação no Planejamento de 2025 com foco na luta contra as terceirizações

A FETEC-CUT/SP realizou na última quinta e sexta-feira (13 e 14/3) seu Planejamento anual, debatendo cenários e ações para o próximo período.

O evento reuniu dirigentes sindicais de toda a base da entidade e foi realizado em Atibaia, interior do estado de  São Paulo. O Sindicato dos Bancários de Catanduva e região esteve representado por seu presidente, Roberto Carlos Vicentim, e pelos diretores Júlio César Trigo e Ricardo Jorge Nassar Jr. 
 

 
"Esse momento é muito importante para os Sindicatos, pois os debates são ricos para ajudar no direcionamento das entidades nas mobilizações, sobretudo no próximo ano, em que teremos pela frente uma importante Campanha Nacional. Os direitos e o cenário que temos hoje são frutos do nosso histórico de luta, e é fundamental entender que a realidade atual é diferente e que temos que saber como nos organizarmos. Nosso compromisso é colocar em prática nosso plano estratégico e trazer conquistas para a categoria e, como consequência, para toda classe trabalhadora e sociedade”, avaliou Roberto, presidente do Sindicato.

 

A primeira mesa do planejamento contou com a presença de Aline Molina, presidenta da FETEC-CUT/SP; Neiva Ribeiro, presidenta do Seeb SP e uma das coordenadoras do Comando Nacional dos Bancários; Ivone Silva, presidenta do Instituto Lula e do deputado estadual Luiz Claudio Marcolino (PT).

Aline Molina abriu o encontro destacando a importância da análise da conjuntura política, com ênfase para a próxima campanha Nacional dos Bancários e as eleições de 2026. "Vamos enfrentar um cenário desafiador e muito hostil nesses dois próximos anos, especialmente com a eleição de Trump e a grande mídia repercutindo idéias da extrema direita. Mesmo com notícias tendenciosas e algoritmos incompreensíveis, nosso discurso  e ação em defesa da classe trabalhadora continuarão firmes".

A presidenta também chamou atenção para a importância da luta contra as terceirizações, especialmente as que ocorrem ultimamente no banco Santander. Numa força-tarefa contra essas terceirizações do banco Santander, o Comando Nacional dos Bancários lançou uma campanha em âmbito nacional, como explicou Neiva Ribeiro.

"Definimos duas frentes de atuação: jurídica e de comunicação. Nosso objetivo é alcançar bancários, clientes e toda a sociedade, reforçando que essa é uma campanha em defesa de todos os trabalhadores. Vamos evidenciar a importância do papel dos sindicatos na sociedade, que agem como freio aos desmandos da desregulamentação trabalhista".
 

Ivone Silva, presidenta do Instituto Lula, destacou a resistência da classe trabalhadora frente aos ataques da reforma trabalhista realizadas em 2017, evidenciando a força de organização da categoria bancária. Ela lembrou a importância da fundação do PT e da CUT como instrumentos de luta para os trabalhadores durante os anos 1980. Ivone também observou que as lutas de hoje são muito diferentes das de 30 anos atrás. "Antes, as batalhas eram contra as multinacionais; hoje, são contra as big techs."

O deputado estadual Luiz Cláudio Marcolino ressaltou que há um projeto em curso no Brasil para reduzir progressivamente os direitos dos trabalhadores, defendida pelo setor que perdeu as últimas eleições gerais no país. Em sua fala, ele destacou o impacto das terceirizações irrestritas, com ênfase no caso do Santander.

"A maioria das agências do Santander que estão sendo fechadas são agências pioneiras que surgiram na época do Banespa, e em algumas das quais ainda funcionam com a estrutura das prefeituras. Precisamos barrar esse processo, porque em muitos casos essas agências eram a única opção da cidade, desempenhando um papel crucial no desenvolvimento municipal. Fica claro não se tratar de uma decisão de custo, mas de uma decisão política", afirmou Marcolino.

O deputado também criticou o comportamento do Santander, destacando que a maior parte do lucro do banco espanhol vem do Brasil. "Mesmo sendo o país onde mais o banco obtém lucro é onde ele mais desrespeita os direitos trabalhistas, tendo sido inclusive um dos principais defensores da reforma trabalhista implantada no governo Temer".
 

Aline Molina encerrou o encontro da manhã destacando a amplitude e a força de atuação da FETEC-CUT/SP. Ela explicou que a entidade nasceu como uma federação de sindicatos voltada para a defesa de todos os trabalhadores de empresas de crédito, abrangendo não apenas bancos, mas também financeiras e cooperativas. "Nossa federação luta firmemente contra a terceirização, porque reconhece o real impacto da perda de direitos dos trabalhadores, que adoecem para cumprir metas inatingíveis. Mesmo com recordes de lucros, os bancos continuam demitindo e terceirizando a categoria bancária."

No período da tarde, o Seminário de Planejamento contou com a presença do renomado jornalista Altamiro Borges, coordenador do Centro de Estudos da Mídia Alternativa “Barão de Itararé”, que abordou a conjuntura atual do país e os desafios do movimento sindical em relação à comunicação.
 

Cenário adverso

Segundo Altamiro, apesar da vitória da esquerda contra o fascismo em 2022, o governo Lula começou sob condições desfavoráveis.

“Havia dúvidas se o governo conseguiria completar o mandato. O cenário era extremamente adverso porque a correlação de forças no mundo era muito mais negativa”, afirmou. O jornalista apontou que, enquanto Lula era eleito presidente, o Congresso sofria uma onda conservadora, com nomes como Marcos Pontes, Damares Alves, Magno Malta e Hamilton Mourão sendo eleitos para o Senado. 

A despeito desse contexto, Borges avalia que o cenário hoje é mais otimista. “O nível de realizações deste governo é impressionante. Quem já ficou desempregado sabe a dor de estar à deriva, e agora vemos aumento na taxa de emprego, melhora na renda e a retomada de programas sociais como o Farmácia Popular e o lançamento do Pé de Meia. Sem contar que mais uma vez o governo Lula tirou o país do mapa da fome”.

A ascensão da extrema direita e o papel da comunicação

Sob a ótica de Altamiro, o bolsonarismo está enfraquecido pelas recentes denúncias de tentativa de golpe. No entanto, ele destaca que a extrema direita global segue forte, citando a eleição de Javier Milei na Argentina e o retorno de Trump aos holofotes. “O MAGA (Make America Great Again) é um movimento de um império em decadência que tenta retomar o poder com agressividade tanto no mundo quanto internamente”.

Movimentos sociais e sindicatos: chave para 2026

O jornalista enfatizou que os sindicatos e movimentos sociais desempenham um papel decisivo no processo político. “Se tivermos retrocessos, eles virão do centro-direita, não da extrema direita. Isso significa que nossa participação em 2026 será decisiva para a luta dos trabalhadores e, especialmente, para o futuro dos sindicatos”.

Para Borges, a luta contra a extrema direita passa por três frentes principais: desmascarar o bolsonarismo, intensificar a batalha de ideias e fortalecer a politização da classe trabalhadora. "A fake news ainda é a grande ferramenta da extrema direita. O que gera lucro nas redes sociais é ódio, mentira e violência". Sob esse aspecto, Altamiro avalia a importância das redes sociais como ferramentas de luta nesse cenário. "O movimento sindical ainda é muito analógico e precisa se adaptar a essa realidade para se comunicar melhor."

O desafio da regulamentação das Big Techs

Borges destacou  que a luta pela regulamentação das Big Techs é essencial para conter o avanço da extrema direita. "Sem uma regulamentação mínima, estaremos atuando em um campo minado. Precisamos estabelecer regras para impedir que a extrema direita continue explorando algoritmos para espalhar desinformação e ódio”, afirmou. Ele ressaltou que essa pauta sofreu um retrocesso com a vitória de Trump, mas continua sendo estratégica para a democracia brasileira. “O essencial é travar a batalha de ideias e garantir um ambiente digital menos hostil aos setores democráticos."

O "impacto Lula"

Para o jornalista, essa reestruturação da comunicação foi uma decisão sensível de Lula, demonstrando sua preocupação genuína com a estratégia do governo federal nessa área. "A  opinião do Lula tem um peso significativo na sociedade, e quando ele enfrenta temas como os juros altos e a inflação dos alimentos, isso gera um impacto direto na população. Os grandes jornais contestam essa postura porque temem o alcance e a influência de suas declarações. Justamente por isso, sua presença deve ser constante e estratégica".

Borges chamou, ainda, a atenção para a necessidade de unidade no campo progressista e fez um chamado à mobilização. "Estamos em um momento de resistência que vai durar muitos anos. É uma maratona de longo prazo. O que não podemos permitir são divisões internas que nos levem a mais derrotas. Precisamos acumular forças para garantir que o campo popular e progressista vença as eleições e possamos respirar um pouco melhor. O cenário atual é melhor porque temos um governo que apresenta avanços. Mas, estamos em uma outra realidade. A batalha continua sendo gigante e árdua, e não podemos nos dar ao luxo de sofrer novos retrocessos."

Calendário FETEC 2025

A secretária-geral da FETEC-CUT/SP, Ana Lúcia Ramos Pinto, apresentou o calendário de atividades e ações que serão desenvolvidas pela federação em 2025, destacando a importância da Campanha de Sindicalização e da ampla gama de atividades de formação planejadas para este ano.
 



 
Fonte: Fetec-CUT/SP, com edição de Seeb Catanduva

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