22/05/2023
Representantes dos empregados cobram da Caixa PQV sem punição
Na última sexta-feira (19), em Brasília, durante negociação com representantes da Caixa Econômica Federal, a Comissão Executiva dos Empregados (CEE) cobrou a imediata exclusão do caráter punitivo do Programa de Qualidade de Vendas (PQV), cuja nova versão divulgada recentemente pelo banco pune empregados por cancelamentos de vendas de produtos.
A reunião contou com a presença do vice-presidente de Gestão de Pessoas, Sérgio Mendonça, do diretor de Pessoas, Daniel de Castro Borges, além de dirigentes da Diretoria de Integridade. Esse fato ganha importância histórica, pois a retomada da Vipes no âmbito do banco público, que havia sido extinta no primeiro semestre de 2021, ainda sob a gestão de Pedro Guimarães, ocorreu a partir de uma reivindicação dos empregados. O movimento sindical bancário sempre defendeu a necessidade de uma área específica de gestão de pessoas, considerada imprescindível não só para o processo de reconstrução da Caixa que o Brasil precisa, mas também para o cuidado com os seus trabalhadores.
Na abertura da rodada de sexta-feira, foi ressaltada a importância da mesa de negociação, assim como a necessidade desse fórum ser o canal principal de debate e diálogo entre empregados e banco.
A representação dos empregados foi unânime em condenar o Programa de Qualidade de Vendas, classificado de inaceitável. “Somos totalmente contrários ao PQV, pois não resolve de fato a questão de uma possível venda malfeita. Claro que não defendemos forçar venda pra nenhum cliente, logo o principal problema que tem que ser resolvido é o que motivou que essa comercialização fosse feita dessa forma. As metas colocadas são abusivas. É preciso acabar com a cultura do assédio, das cobranças pra bater meta a qualquer custo e, além de tudo, oferecer condições de trabalho e treinamentos adequados aos empregados. É urgente também a contratação de novos empregados para aliviar a sobrecarga dos colegas”, afirmou Fabiana Uehara Proscholdt, coordenadora da CEE/Caixa.
Na reunião com a Caixa, a Comissão Executiva dos Empregados defendeu que as empregadas e os empregados não podem ser punidos pelo fato de clientes cancelarem produtos seguindo orientação de cumprimento de metas imposto pelo próprio banco. Foi dito, inclusive, não haver coerência em proibir os trabalhadores de participarem de Processos de Seleção Interna (PSI) e muito menos usar de ameaças para intimidar os bancários da rede, como sugere o novo PQV divulgado pelo banco.
Para os representantes dos trabalhadores, os problemas registrados nas agências e outras unidades da Caixa seguem na linha de retrocesso desenfreado, e isso é inadmissível. O mais urgente no momento é atacar o problema do assédio e as metas desumanas.
"Na última gestão vimos, no lugar da cultura de pertencimento e do orgulho de fazer parte da força que move a Caixa, o aumento de quadros de adoecimentos, exaustão, desgaste emocional, descrenças, baixa autoestima funcional e corporativa e o esvaziamento simbólico da relação de trabalho dos empregados. Para a reconstrução da Caixa que o Brasil precisa não há soluções mágicas, mas, sim, o caminho de muito trabalho com o resgate das boas experiências, o respeito e a valorização do corpo funcional do banco. O ambiente de trabalho não pode ser fonte de sofrimento e gerador de adoecimento. Por isso, estamos cobrando da nova gestão agilidade nas mudanças, para que tenhamos de fato uma gestão humanizada e que coloque as pessoas em primeiro lugar", reforçou o diretor do Sindicato dos Bancários de Catanduva e região e da Apcef/SP, Antônio Júlio Gonçalves Neto.
Em relação à questão do assédio moral e sexual, especificamente, os dirigentes cobraram um espaço específico para tratar do tema que atinge hoje a imagem do banco público e é causa de grande parte do adoecimento de empregadas e de empregados. Foi cobrado também, na ocasião, o fechamento de um calendário de negociações, com cronograma de debates para que as reivindicações da categoria avancem no rumo de propostas minimamente decentes. Isso, segundo a representação dos empregados, irá fortalecer o DNA público e social da Caixa.
Outros itens
Na ocasião, mesmo sendo uma reunião de pauta específica os representantes dos empregados lembraram a necessidade de avanços nas reivindicações apresentadas pelos trabalhadores. É urgente a adoção de medidas que viabilizem a solução de problemas estruturais deixados pelas últimas gestões da Caixa. Fatiamento do banco em subsidiárias, sucateamento das áreas de infraestrutura e dos equipamentos e mobiliários são “entulhos autoritários” que precisam ser revistos com a urgência que o momento requer.
A representação dos empregados reivindicou ainda os seguintes itens:
- fim do teto de gasto do Saúde Caixa, bem como a melhoria do plano;
- valorização da Universidade Caixa com volta dos cursos presenciais;
- processos seletivos internos transparentes, democráticos e abertos a todos;
- home office com cumprimento efetivo da legislação sendo prioridade aos empregados com deficiência e aos empregados com filhos ou criança sob guarda judicial até 6 anos (art Art. 75-F CLT);
- jornada reduzida para os pais de filhos PCDs (analogia a Lei nº 8.112/90);
- rediscussão do PCS, ESU;
- retorno das Gipes, bem como áreas de apoio aos empregados (descentralização – com uma por estado);
- fim das funções por minuto, com efetivação dos empregados que executam hoje essas atividades;
- fim do banco de horas negativo e dotação orçamentária necessária para as horas extras;
- reparações aos empregados perseguidos na gestão anterior.
Vice-presidente de Pessoas se pronuncia
No fim do encontro, depois de ouvir as demandas apresentadas pelos representantes dos empregados, Sérgio Mendonça ressaltou a importância da Caixa, “uma espécie de joia da coroa do Brasil, por ser um banco público muito relevante em termos sociais e econômicos”.
O vice-presidente de Pessoas reiterou que o compromisso da atual gestão do banco é de diálogo permanente com as empregadas e os empregados, para evitar que saiam programas sem conversar com as representações dos trabalhadores. “Nosso compromisso, portanto, é fazer o diálogo de forma transparente e de boa fé. Vamos procurar dar as respostas em curtíssimo espaço para as demandas apresentadas”, complementou.
A reunião contou com a presença do vice-presidente de Gestão de Pessoas, Sérgio Mendonça, do diretor de Pessoas, Daniel de Castro Borges, além de dirigentes da Diretoria de Integridade. Esse fato ganha importância histórica, pois a retomada da Vipes no âmbito do banco público, que havia sido extinta no primeiro semestre de 2021, ainda sob a gestão de Pedro Guimarães, ocorreu a partir de uma reivindicação dos empregados. O movimento sindical bancário sempre defendeu a necessidade de uma área específica de gestão de pessoas, considerada imprescindível não só para o processo de reconstrução da Caixa que o Brasil precisa, mas também para o cuidado com os seus trabalhadores.
Na abertura da rodada de sexta-feira, foi ressaltada a importância da mesa de negociação, assim como a necessidade desse fórum ser o canal principal de debate e diálogo entre empregados e banco.
A representação dos empregados foi unânime em condenar o Programa de Qualidade de Vendas, classificado de inaceitável. “Somos totalmente contrários ao PQV, pois não resolve de fato a questão de uma possível venda malfeita. Claro que não defendemos forçar venda pra nenhum cliente, logo o principal problema que tem que ser resolvido é o que motivou que essa comercialização fosse feita dessa forma. As metas colocadas são abusivas. É preciso acabar com a cultura do assédio, das cobranças pra bater meta a qualquer custo e, além de tudo, oferecer condições de trabalho e treinamentos adequados aos empregados. É urgente também a contratação de novos empregados para aliviar a sobrecarga dos colegas”, afirmou Fabiana Uehara Proscholdt, coordenadora da CEE/Caixa.
Na reunião com a Caixa, a Comissão Executiva dos Empregados defendeu que as empregadas e os empregados não podem ser punidos pelo fato de clientes cancelarem produtos seguindo orientação de cumprimento de metas imposto pelo próprio banco. Foi dito, inclusive, não haver coerência em proibir os trabalhadores de participarem de Processos de Seleção Interna (PSI) e muito menos usar de ameaças para intimidar os bancários da rede, como sugere o novo PQV divulgado pelo banco.
Para os representantes dos trabalhadores, os problemas registrados nas agências e outras unidades da Caixa seguem na linha de retrocesso desenfreado, e isso é inadmissível. O mais urgente no momento é atacar o problema do assédio e as metas desumanas.
"Na última gestão vimos, no lugar da cultura de pertencimento e do orgulho de fazer parte da força que move a Caixa, o aumento de quadros de adoecimentos, exaustão, desgaste emocional, descrenças, baixa autoestima funcional e corporativa e o esvaziamento simbólico da relação de trabalho dos empregados. Para a reconstrução da Caixa que o Brasil precisa não há soluções mágicas, mas, sim, o caminho de muito trabalho com o resgate das boas experiências, o respeito e a valorização do corpo funcional do banco. O ambiente de trabalho não pode ser fonte de sofrimento e gerador de adoecimento. Por isso, estamos cobrando da nova gestão agilidade nas mudanças, para que tenhamos de fato uma gestão humanizada e que coloque as pessoas em primeiro lugar", reforçou o diretor do Sindicato dos Bancários de Catanduva e região e da Apcef/SP, Antônio Júlio Gonçalves Neto.
Em relação à questão do assédio moral e sexual, especificamente, os dirigentes cobraram um espaço específico para tratar do tema que atinge hoje a imagem do banco público e é causa de grande parte do adoecimento de empregadas e de empregados. Foi cobrado também, na ocasião, o fechamento de um calendário de negociações, com cronograma de debates para que as reivindicações da categoria avancem no rumo de propostas minimamente decentes. Isso, segundo a representação dos empregados, irá fortalecer o DNA público e social da Caixa.
Outros itens
Na ocasião, mesmo sendo uma reunião de pauta específica os representantes dos empregados lembraram a necessidade de avanços nas reivindicações apresentadas pelos trabalhadores. É urgente a adoção de medidas que viabilizem a solução de problemas estruturais deixados pelas últimas gestões da Caixa. Fatiamento do banco em subsidiárias, sucateamento das áreas de infraestrutura e dos equipamentos e mobiliários são “entulhos autoritários” que precisam ser revistos com a urgência que o momento requer.
A representação dos empregados reivindicou ainda os seguintes itens:
- fim do teto de gasto do Saúde Caixa, bem como a melhoria do plano;
- valorização da Universidade Caixa com volta dos cursos presenciais;
- processos seletivos internos transparentes, democráticos e abertos a todos;
- home office com cumprimento efetivo da legislação sendo prioridade aos empregados com deficiência e aos empregados com filhos ou criança sob guarda judicial até 6 anos (art Art. 75-F CLT);
- jornada reduzida para os pais de filhos PCDs (analogia a Lei nº 8.112/90);
- rediscussão do PCS, ESU;
- retorno das Gipes, bem como áreas de apoio aos empregados (descentralização – com uma por estado);
- fim das funções por minuto, com efetivação dos empregados que executam hoje essas atividades;
- fim do banco de horas negativo e dotação orçamentária necessária para as horas extras;
- reparações aos empregados perseguidos na gestão anterior.
Vice-presidente de Pessoas se pronuncia
No fim do encontro, depois de ouvir as demandas apresentadas pelos representantes dos empregados, Sérgio Mendonça ressaltou a importância da Caixa, “uma espécie de joia da coroa do Brasil, por ser um banco público muito relevante em termos sociais e econômicos”.
O vice-presidente de Pessoas reiterou que o compromisso da atual gestão do banco é de diálogo permanente com as empregadas e os empregados, para evitar que saiam programas sem conversar com as representações dos trabalhadores. “Nosso compromisso, portanto, é fazer o diálogo de forma transparente e de boa fé. Vamos procurar dar as respostas em curtíssimo espaço para as demandas apresentadas”, complementou.
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