20/06/2022

Câmara tenta aprovar PL que cria loterias. Novo texto deixa Caixa de fora

Câmara tenta aprovar PL que cria loterias. Novo texto deixa Caixa de fora


Está previsto para voltar à pauta nesta segunda-feira (20) mais um ataque ao papel social da Caixa. A Câmara iniciou, na última terça (14), a votação do Projeto de Lei 1.561 que cria as loterias da saúde e do turismo. O texto, aprovado pelo Senado, retira a Caixa como operacionalizadora dessas novas loterias e propõe que 95% da arrecadação seja destinada à instituição privada operadora, restando um repasse de 5% para saúde, turismo e políticas de esporte. 

Encabeçado pela deputada Erika Kokay (PT-DF), a oposição pausou a votação. O PL já havia sido aprovado na Câmara. Ao ser apreciado pelo Senado, sofreu modificações. Para a deputada Erika, o texto que veio do Senado atenta contra a moralidade e a preservação do serviço público. “O texto que saiu da Câmara não estabelece limites. São 100% da arrecadação, tirando-se o prêmio e os tributos, o restante vai para a saúde e para o turismo. É a Caixa que vai operacionalizar”, afirmou.

“Quase 27% do que a Caixa arrecada em loterias é direcionado. Vai diretamente para uma série de políticas públicas, diretamente! [...] o texto da Câmara tem transparência, não dá margem para negociações ou negociatas, que são lesivas para o povo brasileiro, como também não retira dinheiro da Saúde”, destacou a deputada.

Ainda segundo Kokay, a Caixa tem expertise na área de loterias que não pode ser deixada de lado. “É uma empresa que tem história na área de loterias. Veja, todo o lucro da Caixa se reflete em dividendos que se transformam em políticas públicas. A Caixa é 100% pública. Entretanto, não é só isso. Há controle, quando a Caixa faz a operacionalização das loterias, controle dos órgãos externos. [...] Esse projeto fere a Caixa, fere o Brasil, não se traduz em dinheiro substancial nem para a saúde nem para o turismo; apenas vai enriquecer alguém”, ressaltou.

O Sindicato dos Bancários de Catanduva e região acompanha todas as movimentações sobre o projeto e tem se manifestado contra a retirada da Caixa da execução das novas loterias e do baixo repasse para a população.

São mais de 33 milhões de brasileiros passando fome e as políticas públicas seguem paradas. Agora, estão tirando da Caixa o controle dessas loterias e enviando para a iniciativa privada todo o lucro que iria para o investimento na população. O movimento sindical irá se mobilizar para que esse texto não seja aprovado.

O Sindicato, junto às demais entidades de representação dos empregados, continua lutando para que nenhuma subsidiária da Caixa seja vendida. "Privatizar áreas importantes do banco público é retirar das mãos do país a possibilidade de reconstrução nacional pós-pandemia, já que a Covid-19 mostrou que, mais do que nunca, precisamos de estatais como a Caixa, responsável pelo pagamento do auxílio emergencial, o que nenhum banco privado teria condições para realizar, nem interesse. A Caixa é 100% dos brasileiros!", reforça o diretor do Sindicato, Antônio Júlio Gonçalves Neto. 

Parlamentares se manifestam contra o novo texto do PL

Muitos parlamentares se mostraram contra a retirada da Caixa da operacionalização e da mudança no repasse da arrecadação.

A deputada Lídice da Mata (PSB-BA), afirmou que as emendas do Senado retiram totalmente o mérito do projeto quando determinam que as duas novas loterias não sejam mais executadas pela Caixa e sejam operadas por instituições privadas. “Inclusive, estão definindo que o resultado é destinado ao custeio de políticas públicas, com uma parcela destinada à cobertura de despesas de custeio e manutenção de 95% da arrecadação para o agente operador e apenas 5% para os objetivos pensados pelo autor. Portanto, o PSB não concorda com essa direção tomada e chama os seus deputados para obstruírem esta votação”, destacou.

O deputado Jorge Solla (PT-BA), definiu o projeto como uma isca que pode enganar a população. “Na verdade, isso é uma isca. O cidadão vai achando que está contribuindo com o SUS, achando que vai colocar dinheiro na saúde. O cidadão vai optar por fazer uma fezinha, como diz o povo, fazer uma aposta, sem saber que, na verdade, 95% dos recursos estarão indo para um ente privado. E ele vai poder até acreditar que a Caixa Econômica, que é o Governo, é o avalista dessa arrecadação.”

Já o deputado Daniel Almeida (PCdoB-BA), afirmou que o projeto lança mão de temas que sensibilizam a população para entregar a grupos privados a execução dos jogos de azar. “O governo Bolsonaro veta a Lei Aldir Blanc e veta a Lei Paulo Gustavo, essas sim são políticas públicas, e utiliza o turismo e a saúde para favorecer jogos de azar, para entregar a grupos privados a estruturação de jogos de azar, que só repassará 4%, 5% para a saúde e para o turismo. Isso é uma farsa, é mais uma farsa deste Governo Bolsonaro. E ainda fragiliza o papel da Caixa Econômica Federal como gestora das loterias”, finalizou.

As loterias da Caixa

Os recursos arrecadas pelas loterias da Caixa são fundamentais para o desenvolvimento do país. Cerca de 30% do valor total arrecadado é investido em programas sociais do governo federal nas áreas de seguridade social, esporte, cultura, segurança pública, educação e saúde.

No ano de 2021, o total de arrecadação foi de R$ 18,5 bilhões. Destes, 40,3%, ou R$ 7,5 bilhões, tiveram destinação social. De janeiro a maio deste ano, de acordo com dados publicados pela Caixa, R$ 134.932 milhões das loterias foram repassados ao Fies, por meio dos prêmios não resgatados das loterias, ajudando os estudantes mais carentes.
Fonte: Fenae, com edição de Seeb Catanduva

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