06/10/2021
Caged: Bancos têm saldo positivo de empregos em agosto, mas poderiam contratar mais

Os bancos apresentaram saldo positivo de 872 empregos em agosto, segundo dados do novo Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados). Foram realizadas 4.262 admissões e 3.390 desligamentos no mês.
O saldo de emprego nos bancos têm sido positivo desde abril deste ano (veja gráfico abaixo). Com isso, o saldo do ano (de janeiro a agosto) foi de novos 1.448 postos de trabalho. Esse resultado foi impactado pela Caixa Econômica Federal, após decisão judicial que determinou a contratação de trabalhadores aprovados no concurso de 2014; e também pela ampliação de postos de trabalho não ligados diretamente aos serviços bancários, como o de profissionais de TI.
No entanto, no acumulado de 12 meses (de agosto de 2020 a agosto deste ano), o saldo do setor bancário é negativo, com a extinção de 9.200 empregos.

Quando analisamos o gráfico acima, notamos que o saldo de empregos nos bancos é negativo até março. E em abril há a criação de 2.185 novas vagas, que é justamente quando a Caixa começa a chamar os concursados de 2014, que foi determinada pela Justiça, em resposta a ação do movimento sindical bancário, por meio da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro da CUT (Contraf-CUT).
“Ao analisar os dados do Caged, notamos ainda que os empregos bancários têm crescido mais no estado de São Paulo e, principalmente, na cidade de São Paulo, que é onde estão concentradas as matrizes dos bancos privados. Isso significa que os empregos vêm crescendo fora das agências”, observa a economista do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) Rosângela Brito.
Bancos deveriam contratar mais
O presidente do Sindicato dos Bancários de Catanduva e região, Roberto Vicentim, destaca que, apesar do saldo positivo no ano, os bancos poderiam contratar muito mais.
"O setor bancário é um dos mais lucrativos do país, e continua tendo lucros astronômicos mesmo na crise. Eles aumentam seus lucros, aumentam o número de clientes e transações bancárias e poderiam contribuir muito mais para o país por meio da geração de empregos. A responsabilidade social que deveriam ter como concessões públicas não pode ficar apenas nas propagandas. Em todos os bancos existem áreas carentes de funcionários, haja vista a crescente sobrecarga que os trabalhadores têm sofrido nas agências. As instituições bancárias têm total condições de promover mais contratações e melhores condições de trabalho para a categoria", ressalta Vicentim.
O setor bancário lucrou R$ 67 bilhões só no primeiro semestre, segundo o Banco Central; e os cinco maiores bancos (Caixa, BB, Itaú, Bradesco e Santander) lucraram juntos R$ 55 bilhões no semestre, de acordo com seus balanços.
Ganhos com a rotatividade
Os dados do Caged mostram ainda que os setor bancário continua ganhando com a rotatividade, uma vez que o salário mensal médio de um bancário admitido corresponde a 95,1% do salário médio do bancário desligado. Em junho, o salário médio do admitido foi de R$ 5.177,95, enquanto o do desligado foi de R$ 5.442,42.
Setor financeiro
No setor financeiro, ramo que, além dos bancos, inclui cooperativas de crédito, financeiras e etc., o saldo de empregos foi maior que o dos bancos. Excluindo-se a categoria bancária, o salto do setor foi positivo, com geração de cerca de 49,3 mil postos de trabalho nos últimos 12 meses. Em agosto, houve abertura de 5.113 novas vagas, resultante de 18.156 contratações contra 13.043 desligamentos.
Dentre as atividades financeiras, as que mais contribuíram para o impacto favorável foram os Crédito Cooperativo, Planos de Saúde, Atividades Auxiliares dos Serviços Financeiros (não bancário).
No Brasil
O emprego formal no Brasil apresentou crescimento em agosto de 2021, registrando saldo de 372.265 postos de trabalho. Esse resultado decorreu de 1.810.434 admissões e de 1.438.169 desligamentos.
No mês, os dados registraram saldo positivo no nível de emprego nos 5 (cinco) Grandes Grupamentos de Atividades Econômicas: Serviços (+180.660 postos); Comércio (+77.769 postos); Indústria geral (+72.694 postos), concentrado na Indústria de Transformação (+69.266 postos); Construção (+32.005 postos); e Agricultura, pecuária, produção florestal, pesca e aquicultura (+9.232 postos).
> Leia aqui resumo do Dieese sobre os dados do Caged
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