30/10/2020
Bradesco demite funcionários mesmo com lucro de quase R$ 13 bilhões em nove meses

O Bradesco obteve Lucro Líquido Recorrente de R$ 12,657 bilhões nos primeiros nove meses de 2020, queda de 34,2%, em relação ao mesmo período de 2019, e crescimento de 29,9% em comparação ao 2º trimestre de 2020 (o lucro do 3º trimestre foi de R$ 5,031 bilhões frente a R$ 3,873 bilhões, no 2º trimestre). O banco alcançou uma rentabilidade (retorno sobre o Patrimônio Líquido médio anualizado – ROE) de 12,9%, redução de 7,6 pontos percentuais em doze meses. Os dados fazem parte da análise feita pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) a partir do relatório de balanço do banco sobre os resultados terceiro trimestre.
“Mesmo com esse lucro altíssimo, o presidente do banco anuncia o fechamento de mais de 1.100 agências até o final do ano. Para ele, trabalhador é ‘mato alto’, que precisa ser cortado”, declarou Magaly Fagundes, coordenadora da Comissão de Organização dos Empregados (COE) do Bradesco.
“É essencial que neste momento, em meio a uma pandemia, emprego e renda sejam preservados. Não existem razões para que um banco, considerado a empresa de capital aberto mais lucrativa da América Latina, demita trabalhadores em plena crise sanitária e econômica. O Bradesco ignora que todo o crescimento econômico apresentado é resultado construído pelos seus funcionários diariamente. Enquanto o banco não interromper este processo de demissões, vamos fortalecer cada vez mais as nossas ações contra os cortes", acrescenta o presidente do Sindicato dos Bancários de Catanduva e Região, Roberto Carlos Vicentim.
A holding encerrou o 3º trimestre de 2020 com 95.934 empregados, redução de 3.338 postos de trabalho em doze meses. No período foram fechadas 772 agências. Somente entre o final de março e de setembro, foram fechados 1.300 postos de trabalho e 605 agências, mesmo após o banco ter assumido o compromisso de não demitir funcionários enquanto durar a pandemia.
A receita com prestação de serviços e tarifas bancárias caiu 2,2% em doze meses, totalizando R$ 19,4 bilhões, mas as despesas com pessoal (incluindo a PLR) caíram ainda mais (-5%) atingindo R$ 14,3 bilhões. Segundo o banco, o resultado com as despesas de pessoal reflete “benefícios com o plano de desligamento voluntário (PDV) de 2019”. Assim, somente com estas receitas secundárias, que representam um valor irrisório frente ao que banco obtém com outras transações financeiras, o banco conseguiu cobrir todas as despesas que teve com seus funcionários e ainda sobrou 35,4%.
Veja abaixo a tabela resumo do balanço, ou, se preferir, leia a análise completa feita pelo Dieese.

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