15/05/2019
Feito para demitir: banco Itaú planeja fechar até 400 agências no país, dizem fontes

O Itaú Unibanco iniciou um plano para fechar até 400 agências no país, num impulso do maior banco privado do país para se adequar à migração das transações bancárias de clientes para canais eletrônicos e ampliar a rentabilidade, disseram à Reuters duas fontes a par do assunto.
O número representa quase 10% dos 4,2 mil pontos físicos do banco no país, incluindo agências e postos de atendimento, no final de março, o número público mais recente. Em 12 meses até março, o número de pontos de atendimento e o de funcionários do Itaú Unibanco - cerca de 100 mil - mantiveram-se praticamente estáveis, segundo o balanço do próprio banco.
Consultado sobre o plano de fechamento de agências, o Itaú Unibanco não quis comentar números, mas afirmou em nota que “a redução do número de unidades físicas é um movimento de reposicionamento da rede de agências, coerente com as novas necessidades dos clientes e o aumento da procura por atendimento em outros canais como internet, celular e agências digitais”.
Segundo as fontes, a mudança pode acontecer em duas etapas, com uma primeira metade dos encerramentos acontecendo nos próximos 12 meses, com o restante acontecendo no ano seguinte.
Nas últimas semanas, o Itaú Unibanco tem avisado os funcionários de agências sobre os planos de fechamento das unidades. O banco tem “indicado que deve aproveitar parte deles (funcionários) nas agências digitais”, nas quais os clientes são atendidos de forma remota, por meio da qual conseguem atender a um número maior de clientes, disse uma das fontes.
No fim de março, o Itaú Unibanco tinha 195 dessas agências digitais em funcionamento, 35 a mais do que um ano antes.
A iniciativa liderada pelo diretor-geral Márcio Schettini, responsável pelas operações de varejo do conglomerado, tem como objetivo adaptar o Itaú Unibanco à contínua migração das transações bancárias de clientes para canais como smartphones, além de sustentar os atuais níveis de rentabilidade do banco.
“O movimento das agências está caindo e o cenário competitivo está mudando rápido”, disse uma das fontes, referindo-se a rivais mais recentes, como as fintechs e os arranjos de pagamentos.
Essas plataformas digitais de serviços financeiros, com apoio do Banco Central, se multiplicaram nos últimos anos e têm avançado sobre mercados lucrativos dos grandes bancos, como os de crédito ao consumo e o de meios de pagamentos.
Diante desse cenário, a Rede, braço de pagamentos do Itaú Unibanco, chacoalhou o mercado ao anunciar que não mais cobraria juros sobre antecipação de recebíveis a lojistas. Nesta segunda-feira, o banco anunciou a plataforma de pagamentos instantâneos que usa QR code, aumentando a competição no setor.
Para o diretor do Sindicato dos Bancários de Catanduva e Região, Carlos Alberto Moretto, o Itaú caminha na contramão da imagem difundida por seu marketing, de banco preocupado com a responsabilidade social, ao impulsionar ainda mais as demissões na categoria.
"Mesmo com um lucro de quase R$ 7 bilhões nos três primeiros meses deste ano, um crescimento de 23,6%, o maior entre os bancos privados do Brasil, o Itaú anuncia que vai fechar agências. A medida demonstra, na prática, que a única preocupação do banco é elevar ainda mais os lucros à custa do emprego dos trabalhadores”, critica.
"Vamos acompanhar o processo de substituição de agências físicas por digitais e cobrar do Itaú seu compromisso em realocar esses bancários", conclui o diretor.
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