Direção do banco Santander é conivente com exploração de trabalhadores por terceirizada

(Charge: Marcio Baraldi)
De acordo com as informações divulgadas na matéria, as homologações ocorreram sem o acompanhamento do Sindicato, o que para os os dirigentes significou um assalto aos direitos dos trabalhadores. Mesmo não representando esses terceirizados, a entidade informou que oferece todo o apoio e assistência aos demitidos.
A Scor já foi denunciada por fraude trabalhista junto ao Ministério do Trabalho. A empresa terceirizada já cometeu verdadeiras atrocidades e descumpriu obrigações trabalhista, entre elas descontar do holerite o INSS sem repassar à Previdência, lesando os trabalhadores e também a União. Agora, mais um acinte, que é parcelar em até 25 vezes as verbas rescisórias, diluindo nas parcelas, inclusive, a multa do FGTS.
Na situação descrita, o Santander será também responsabilizado pela prática da empresa terceirizada.
É importante relembrar que os bancos são os principais articuladores da reforma trabalhista encomendada pelo setor patronal. Por isso, nestas eleições, é fundamental eleger candidatos comprometidos em revogar essa medida nefasta que tanto prejudica a classe trabalhadora e o país.
Dos demitidos, apenas uma ex-bancária terceirizada que prestava serviços para a área contábil do Santander, não assinou o acordo proposto pela câmara arbitral. Abaixo, ela faz um relato dos desmandos e arbitrariedades cometidas pela Scor com a conivência do Santander ao longo de quase 20 anos.
“Como funcionária terceirizada, eu ganhava um terço do salário dos bancários, e não tinha os benefícios da categoria. Cheguei a fazer junto com outras duas colegas, faxina na Scor. Na época, o Sindicato divulgou na Folha Bancária, e a empresa contratou faxineiras no dia seguinte. De 2001 a 2002, a Scor descontava o dinheiro do INSS em folha de pagamento, mas não repassava à Previdência. Descobri isso ao dar entrada na aposentadoria. Quando fomos mandados embora, no dia 30 de julho, o diretor da Scor falou que o nosso salário estava alto. Disseram que a homologação, que deveria ser feita em até 10 dias, atrasaria e seria realizada em uma câmara arbitral. No fim de agosto, após quase 30 dias da nossa demissão, fomos à câmara arbitral, um prédio no número 1.159 da Avenida Paulista. E lá fomos informados que a empresa pagaria o que nos deve de 15 a 25 vezes. E que começaria a fazê-lo somente em janeiro de 2019, pois os funcionários, até lá, poderiam contar com a verba do seguro-desemprego. Não assinei e, por isso, não cheguei a dar a entrada no seguro-desemprego. Em agosto mesmo, eles depositaram a primeira das 25 parcelas estipuladas na minha conta, mesmo sem eu ter assinado o acordo. Os colegas assinaram, pois precisavam de dinheiro. Percebi que a multa do FGTS, de 40%, também estava diluída nas parcelas. Alguns já começaram a receber, inclusive, mas a Network disse que suspenderá o pagamento no fim do ano para arcar com o 13º salário e férias de seus atuais funcionários. Na arbitragem, após ouvir todos esses absurdos e acintes contra os trabalhadores, a advogada ainda me falou: ‘Você vai para casa e pensa. Se abrir processo contra a empresa, sabe que eles irão parcelar as dívidas’.”
Assessoria jurídica no Sindicato
O Sindicato dos Bancários de Catanduva e Região dispõe de uma assessoria jurídica que oferece, entre outros serviços, consultoria sobre dúvidas, bem como ingresso de ações judicias. Além disso, trabalhadores que forem demitidos podem procurar a entidade antes e depois do processo de homologação. Os atendimentos são gratuitos e podem ser feitos pessoalmente na sede da entidade às quartas e quintas-feiras, das 9h às 17h. Mais informações, ligue (17) 3522-2409.
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