Verticalização cria clima de pânico entre empregados da Caixa Econômica Federal
“A verticalização está afetando os gerentes de maneira geral. A pressão e o receio em não atingir a pontuação proposta são cada vez mais latentes, por conta das ameaças de descomissionamento e incertezas quanto à recolocação. Os gerentes gerais também estão receosos, pois caso a agência perca a figura do gerente PJ, eles terão de assumir a carteira. O encarteiramento dos clientes até R$ 360 mil de faturamento anual dá poucos pontos e é a maior parte da carteira PJ”.
O depoimento acima, de uma empregada da Caixa, ilustra o clima de pânico que tomou de assalto os gerentes da Caixa com a verticalização. Desde 2016, a direção do banco está reestruturando o perfil de atendimento, priorizando clientes de renda mais alta. Para isso, impõe a meta de 300 pontos de encarteiramento para que uma agência mantenha a função de gerente PJ. Para gerente PF esse número sobe para 900 carteiras qualificadas.
“A direção da Caixa tem priorizado a lucratividade no atendimento. Assim, busca aproximar o banco de uma lógica exclusivamente de mercado, que não condiz com seu perfil de banco público. É importante destacar que mesmo em instituições privadas a média de encarteiramento é menor do que a meta imposta na Caixa com a verticalização”, critica o coordenador da CEE/Caixa, Dionísio Reis.
Outro problema com a meta de encarteiramento, que se encerra nos próximos meses na maioria das agências, é o perfil de atendimento em cada unidade. “Nem toda agência possui como clientes empresas de grande porte, por conta do seu perfil e localização”, explica a bancária da Caixa.
Além disso, ela avalia que ao priorizar clientes de renda mais alta, a Caixa precariza o atendimento à população em geral, que deveria ser o norte de toda e qualquer ação de um banco público. “Acredito que o maior impacto seja com relação aos MEI, que hoje não geram pontuação ou mesmo têm vinculação à carteira. Esses seriam atendidos pelos canais alternativos de autoatendimento ou no atendimento geral das agências pelos gerentes de atendimento e negócios, os antigos supervisores de atendimento, que teriam de se adaptar às normas e critérios. Sem contar que passariam todos pelo mesmo segmento, causando impacto no tempo de espera de todos os clientes.”
Por sua vez, Dionísio avalia que a verticalização é mais uma face do grande desmonte da Caixa promovido pelo governo Temer.
“O governo Temer ataca a Caixa e sua função social por todos os lados. Aproxima o banco cada vez mais de uma lógica de mercado, em detrimento da sua função social como banco público, prejudicando empregados e ameaçando suas funções. A luta em defesa da Caixa 100% pública e da sua função social é a mesma luta em defesa dos empregos e direitos dos empregados. Em 2018, temos de estar cada vez mais unidos, ao lado das nossas entidades representativas, para barrar o desmonte dos nossos direitos e de uma instituição tão fundamental para o desenvolvimento do país”, conclui.
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