Contra a precarização: Trabalhadores do Santander lutam por liberdade sindical nos EUA
Nesta segunda-feira (6), bancários do Santander foram às ruas para defender à liberdade sindical e o direito a sindicalização dos funcionários do banco espanhol nos Estados Unidos da América. Durante o ato, foi entregue para a direção brasileira do banco espanhol uma carta a ser endereçada a direção mundial do banco sobre a situação dos trabalhadores naquele país.
A manifestação ocorreu em diversas regiões do mundo onde o banco opera, como uma demonstração de apoio aos bancários do Santander nos EUA e, ao mesmo tempo, uma reivindicação à direção mundial do Santander pela ratificação de um acordo de neutralidade com os trabalhadores norte-americanos, para que eles possam se organizar livremente em seus sindicatos.
“Os trabalhadores do Santander nos Estados Unidos querem a liberdade de expressão e união. Querem negociar melhor qualidade de vida, não somente para suas famílias, mas também para os clientes do banco e a comunidade. E a Contraf-CUT é parceira de primeira hora nesse movimento de organização”, declarou Mario Raia, secretário de Relações Internacionais da Contraf-CUT.
Hoje, nos EUA, os gestores do Santander ameaçam os bancários que tentam se organizar em sindicatos. Sem poder de mobilização, os empregados do banco ganham salários que não os permitem sobreviver dignamente. Diversas organizações, entre elas a UNI Finanças Mundial e todas as suas entidades afiliadas, como a Contraf-CUT, através da solidariedade internacional, têm atuado para ajudá-los na luta pelo direito à sindicalização. Para isso, reivindicam que o Santander assine um acordo de neutralidade que coloque fim a essa prática antissindical e permita o que é um direito básico de todo o trabalhador: lutar de forma organizada por melhores condições de trabalho e remuneração.
Ataque à organização dos trabalhadores
Nos Estados Unidos, o banco dá um péssimo exemplo de prática antissindical, ao impedir que seus trabalhadores se organizem em sindicatos. Os gestores do Santander no país ameaçam bancários que tentam se organizar em sindicatos; sem poder de mobilização, empregados do banco ganham salários que não os permitem sobreviver dignamente.
Existem cerca de 2 milhões de bancários no país sem organização sindical e um terço deles recebe salário médio de US$ 15 por hora. O salário médio por hora de um caixa de banco é de US$ 13.10, e os representantes de serviço ao cliente – ou quem atende cobrança de dívidas – como é o caso dos bancários do Santander – recebem salário médio por de US$ 15.88 por hora.
No Santander, um trabalhador típico recebe entre somente US$ 14 e US$ 20 por hora. Valor muito abaixo de um salário sustentável nos EUA, o que leva com que muitos dos trabalhadores do banco espanhol recorram a programas de ajuda social financiados com fundos públicos. No país, a média salarial é de US$ 24 por hora. Muitos bancários dependem do pagamento de bônus vinculados a métricas injustas. No Santander, os gerentes qualificam o desempenho dos trabalhadores dos centros de atendimentos mensalmente para determinar o pagamento do bônus. Ganhar essa gratificação é fundamental para muitos trabalhadores de baixos salários, que dependem disso para chegar ao fim do mês com dinheiro.
Os trabalhadores do Santander lutam para se organizar em um sindicato associado ao CWA (Communications Workers of America) para terem o direito à negociação coletiva com o Santander sobre condições de trabalho justas e respeito aos direitos trabalhistas
Quase 15.000 empregados trabalham no Banco Santander e Santander Consumer, que é o maior credor de alto risco (sub-prime) em compra de automóveis nos Estados Unidos. Muitos são operadores de caixas com baixos salários e trabalhadores de centros de atendimento. Trabalham em um ambiente instável e com muita pressão, impulsionado pela competição entre colegas de trabalho em um sistema de pontuações da empresa que visa obtenção de pagamento por incentivo ou bônus que tanto precisam para complementação da renda.
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