23/10/2017

Temer ameaça com abertura de capital. Luta em defesa da Caixa deve se intensificar

Temer ameaça com abertura de capital. Luta em defesa da Caixa deve se intensificar

De acordo com reportagem da Folha de S.Paulo, publicada no dia 19, o governo Temer pretende fazer mudanças na Caixa “para deixar o banco menos exposto a interferências políticas e mais independente de recursos do Tesouro”. De acordo com a matéria, “a primeira mudança em estudo deverá ser a criação de normas para evitar indicados políticos nas principais vice-presidências do banco”.

Ainda segundo a matéria, a etapa seguinte seria preparar a Caixa para “se tornar uma Sociedade Anônima (S/A), o primeiro passo para a emissão de ações do banco na bolsa”.

“O que o governo chama de `reduzir a influência política´ na Caixa é simplesmente acabar com a Caixa 100% pública, destruir o seu caráter social, seu papel estratégico para o desenvolvimento do país. A matéria da Folha fala que a transformação do banco em S/A seria a etapa seguinte. Estão enganados. Esta intenção já está em curso. A votação da mudança do estatuto, prevista para ter acontecido na quarta 18, foi suspensa por conta da resistência dos empregados em todo o país”, destaca o coordenador da CEE/Caixa, Dionísio Reis.

No mesmo dia em que estava prevista a votação de mudanças no estatuto da Caixa pelo Conselho de Administração, que poderiam transformar o banco em S/A, o movimento sindical promoveu o Dia Nacional de Luta em Defesa da Caixa 100% Pública. Também foi realizada audiência pública em defesa dos bancos públicos, na Câmara Municipal de Catanduva, a pedido do Sindicato dos Bancários de Catanduva e Região. Um dia antes, na terça-feira 17, ocorreu protesto na Câmara dos Deputados.

Ainda segundo a reportagem, integrantes da equipe econômica de Temer avaliam que “a necessidade de recursos da Caixa é imediata” e, por isso, consideram alternativas como vender parte da carteira de crédito do banco em projetos de infraestrutura. O governo avalia a possibilidade do BNDES adquirir esses ativos, mas não descarta outros compradores.

“Dizem que vão tirar a influência política na Caixa, mas na verdade vão transferir a influência, que hoje é de governos, que devem ser eleitos pelo povo, para banqueiros, contra quem a população não tem nenhum controle e que não vão permitir que o banco saia da lógica pura do rentismo, parando políticas sociais e anticíclicas, que podem fazer o país voltar a crescer de verdade. A Caixa hoje faz o que nenhum outro banco faz e o seu único investidor, o governo, parou de aportar recursos, paralisando seus negócios. Denunciamos isso desde o ano passado", avalia Dionísio.

A Caixa gerencia mais de 80 milhões de clientes, ocupa terceiro lugar no ranking do Banco Central com R$ 1,256 trilhão em ativos e é operadora exclusiva do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço), com saldo de R$ 487,3 bilhões, conforme balanço de junho de 2017.

“A abertura de capital e privatização da Caixa interessa exclusivamente aos bancos privados. Eles enxergam nisso uma possibilidade de ganhar mercado por meio da incorporação da fatia que pertece aos bancos públicos. E o que o governo está fazendo é abrir caminho para isso", critica o presidente do Sindicato dos Bancários de Catanduva e Região Roberto Carlos Vicentim. 

Mais Caixa para o Brasil – Para dar ideia da importância da Caixa para o Brasil e os brasileiros, basta analisar os dados da sua atuação, como banco público, nos mais diversos setores. Somente no primeiro semestre de 2017, a carteira imobiliária totalizou R$ 421,4 bilhões, com o banho ganhando 1,3 p.p. de participação no mercado imobiliário, mantendo a liderança com 68,1%. Já operações de saneamento e infraestrutura cresceram 5,3% no período, atingindo R$ 79,9 bilhões.

Entre janeiro e junho, foram pagos cerca de 78,5 milhões de benefícios sociais, num total de R$ 14,2 bilhões, sendo R$ 13,7 bilhões referentes ao Bolsa Família. Em relação aos programas voltados ao trabalhador, a Caixa realizou 196 milhões de pagamentos, que totalizaram R$ 176,6 bilhões. Também foram realizados 33,7 milhões de pagamentos de aposentadorias e pensões aos beneficiários do INSS, correspondendo a R$ 40,7 bilhões.

"A Caixa é uma instituição fundamental para a promoção do bem-estar e desenvolvimento do país, fomentado por meio de investimentos aplicados em programas sociais que proporcionam o acesso de toda a população, sobretudo a mais pobre, à habitação, educação e saúde. Não podemos permitir que essa instituição seja entregue aos bancos privados, e para isso é necessário que a sociedade abrace essa luta", conclama Antônio Júlio Gonçalves Neto, diretor do Sindicato e funcionário da Caixa.

Fonte: Seeb SP, com informações da Fenae e edição do Seeb Catanduva

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