Sobrecarga e demissões no Santander caracterizam quadro da instituição no Brasil
Mesmo com lucro líquido gerencial de R$ 2,280 bilhões no primeiro trimestre deste ano, crescimento de 37,3% em doze meses e 14,7% no trimestre, o Santander segue demitindo trabalhadores em todas as áreas de atuação no Brasil, o que não afeta apenas os bancários dispensados, mas também os que permanecem na instituição, cada vez mais sobrecarregados. Exemplo desse modelo perverso de gestão é a situação dos funcionários alocados no Casa 3 e Torre Santander, concentrações do banco espanhol localizadas na capital paulista.
Casa 3 – No Casa 3, apenas no dia 22 foram demitidos 23 bancários da Isban, empresa subsidiária do Santander que desenvolve softwares para a instituição.
“Esta foi a terceira onda de demissões na Isban. Na primeira, o banco demitiu superintendentes e declarou que os cortes parariam por aí. Não pararam e na segunda onda foram gerentes executivos. Mais uma vez o banco afirmou que não haveria mais cortes. Agora, de novo, o Santander não honra com sua palavra e dispensa 23 bancários, entre gerentes e analistas”, critica o dirigente sindical e funcionário do Santander Cássio Murakami.
Segundo Murakami, a justificativa é a intenção do Santander de reestruturar a Isban, incorporando a subsidiária às áreas internas do banco.
Torre – De acordo com o também dirigente e funcionário do Santander Welington Prado, na quinta-feira 18 onze trabalhadores foram dispensados no SAT (Serviços Administrativos e Técnicos), área alocada na Torre Santander que atende alguns superintendentes e diretores do banco.
“Trabalhadores foram demitidos, sem chance de realocação em outras áreas, causando indignação e repúdio aos que permaneceram no banco, assim como o aumento da sobrecarga de trabalho na área, um dos principais fatores que levam bancários ao adoecimento”, critica o dirigente sindical.
Em reunião, na segunda-feira 22, o banco se justificou sob uma alegada necessidade de ajustes e reestruturações. Porém, a representação dos bancários conseguiu do Santander o compromisso de que não acontecerão mais demissões injustificadas no SAT. Nada justifica os cortes diante dos resultados do banco no país.
Cobrança – A coordenadora da COE/Santander (Comissão de Organização dos Empregados do Santander), Maria Rosani, enfatiza que o movimento sindical reinvidica que o banco, ao invés de demitir, realoque trabalhadores em áreas que possuem carência de funcionários.
“Reivindicamos que os trabalhadores não sejam demitidos e sim realocados, como acontece na matriz da Espanha. Os funcionários do Santander mais do que nunca precisam estar mobilizados, junto com os Sindicatos, na defesa dos seus empregos e direitos. Caso seja aprovada a reforma trabalhista proposta por Temer, alinhado com os interesses dos banqueiros, os cortes que hoje o banco promove serão apenas o começo de uma ampla reestruturação visando a redução de custos por meio do ataque a folha salarial”, conclui Rosani.
O diretor do Sindicato dos Bancários de Catanduva e Região Aparecido Algusto Marcelo, ressalta que há uma cláusula na Convenção Coletiva de Trabalho (CCT), que trata especificamente da requalificação e realocação dos funcionários, evitando demissões. O diretor ainda critica que os números demonstram que o Santander está na contramão da história, não tem compromisso com o desenvolvimento do país, muito menos com os brasileiros.
"A unidade brasileira passou a ser a mais lucrativa do banco estrangeiro e representou 26% do lucro global da Instituição. Enquanto os banqueiros lucram bilhões, os bancários amargam o arrocho salarial e a demissão em massa. O banco deveria ter responsabilidade social e não colaborar para o já elevado índice de desemprego no país, aumentado a sobrecarga de trabalho e o índice de doenças ocupacionais daqueles que permanecem nas instituições", critica Marcelo.
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