17/03/2017

Representantes dos empregados repudiam mudanças no custeio do Saúde Caixa

Representantes dos empregados repudiam mudanças no custeio do Saúde Caixa

Após anunciar reajuste das mensalidades do Saúde Caixa em janeiro, cuja aplicação está suspensa por força de sentença liminar, a direção da Caixa Econômica Federal tenta modificar o custeio, reduzindo sua participação. O banco alega que o formato atual traz problemas para a empresa, pois, diferentemente de outros planos, não prevê um teto de gastos baseado em percentual da folha de pagamento dos trabalhadores. As representações dos empregados consideram absurda a possibilidade de mudança e manifestaram seu posicionamento contrário na reunião do GT Saúde Caixa, na quinta-feira (16), em Brasília.

“Não podemos aceitar medidas como essa. O plano de saúde é superavitário e a Caixa se recusa a implementar as propostas que foram fechadas no Grupo de Trabalho e homologadas pela CEE/Caixa, visando a utilização dos recursos excedentes. Havendo um limitador da participação do banco, a partir do momento que o teto for atingido, automaticamente os custos passam a ser transferidos aos empregados. Além do mais, a política de não reposição dos trabalhadores que se desligam, tem reduzido o valor da folha”, afirma Fabiana Matheus, diretora de Administração e Finanças da Fenae.

Atualmente, a Caixa arca com 70% das despesas assistenciais e custeia totalmente as despesas administrativas e operacionais do Saúde Caixa. Esse modelo de custeio está garantido no ACT, cuja vigência vai até 31 de agosto de 2018 e, por isso, a direção do banco não pode impor qualquer mudança unilateralmente. Para a diretora da Fenae, não há elementos que justifiquem mais este ataque à categoria por parte da direção da Caixa. Projeções atuariais feitas por empresas contratadas pelo próprio banco e apresentadas aos representantes dos trabalhadores no Conselho de Usuários apontam que, pelo menos em 2017 e 2018, o plano de saúde será superavitário. Serão cerca de R$ 40 milhões a cada ano.

Nos dois últimos exercícios (2015/2016), os resultados também foram superavitários, elevando o acumulado para mais de R$ 600 milhões. “Além de nos posicionarmos contrários às mudanças que o banco está tentando fazer na política de custeio, vamos cobrar a utilização desses recursos para proporcionar melhorias no atendimento aos assistidos”, acrescentou Fabiana Matheus.

"Temos reforçado a necessidade de que a direção seja mais transparente e aberta ao diálogo em relação ao Saúde Caixa. E também que respeite os resultados das negociações com as entidades representativas dos empregados. Acordo é para ser cumprido. Essa é a principal forma de valorizar a categoria e, assim, fortalecer a instituição", defende o diretor do Sindicato dos Bancários de Catanduva e Região, Antonio Júlio Gonçalves Neto, o Tony.

Reajuste suspenso

Em 26 de janeiro deste ano, a Caixa divulgou comunicado informando reajustes nas contribuições que entrariam em vigor a partir de 1º de fevereiro. O valor das mensalidades passaria de 2% para 3,46% da remuneração base, o percentual de coparticipação seria elevado de 20% para 30%, e o limite de coparticipação anual de R$ 2.400 sofreria reajuste para R$ 4.209,05. O aumento está suspenso desde 31 de janeiro por força da liminar da 22ª Vara do Trabalho de Brasília (DF), em ação ajuizada pela Fenae, a Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT) e sindicatos de todo o país.

“As entidades representativas dos empregados da Caixa contestaram o reajuste judicialmente porque ele representa um desrespeito ao acordo coletivo e a todas as instâncias de negociação, como a CEE/Caixa, o GT Saúde Caixa e o Conselho de Usuários do nosso plano de saúde. É uma arbitrariedade, contra a qual as entidades e os trabalhadores vão continuar lutando”, destaca o presidente da Fenae, Jair Pedro Ferreira.

Saúde mental

Além do GT Saúde Caixa, o Grupo de Trabalho Paritário criado para debater saúde do trabalhador se reune nesta sexta-feira (17), a partir das 9h30, em Brasília. O principal ponto do encontro é a discussão sobre uma política para prevenir problemas de saúde mental entre os empregados do banco. Os representantes dos trabalhadores propõem a realização de uma oficina voltada para os profissionais das áreas de saúde da Caixa, representantes de GIPES (Gerências de Pessoas) e dirigentes sindicais e associativos que atuam e debatem o tema.

A ideia da realização da oficina, que contará com a participação de especialistas em saúde mental, assédio moral e Saúde do Trabalhador, é definir diretrizes para construção conjunta da política de saúde mental na empresa. Os índices de adoecimento no banco aumentam a cada dia, segundo estatísticas da Previdência Social, levando os trabalhadores a constantes afastamentos e até a situações extremas como suicídios.

Fonte: Fenae, com edição do Seeb Catanduva

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