23/12/2014
Sindicato defende Caixa como banco 100% público
Uma notícia publicada no jornal Folha de São Paulo, mais especificamente na coluna Mercado Aberto, no último domingo, 21, afirma que "o governo estuda a abertura de capital da Caixa Econômica Federal". De acordo com o texto "o projeto da equipe atual seria fazer uma oferta pública de ações (IPO, na sigla em inglês) daqui a um ano e meio aproximadamente".A matéria diz ainda que “a nova equipe econômica, segundo interlocutores, reconhece a pertinência e o fundamento econômico da ideia, mas considera que não está entre as prioridades a serem implementadas de início".
A notícia sobre a abertura de capital da Caixa gerou inquietação entre empregados e entidades representantes dos trabalhadores. Por isso, o Sindicato dos Bancários de Catanduva e Região vem a público reforçar a defesa da Caixa como banco 100% público, cobrando do Governo Federal para que os compromissos assumidos em um documento entregue à presidenta Dilma Rousseff, no dia 15 de outubro, sejam cumpridos.
Paulo Franco, presidente do Sindicato, lembra que a presidenta encaminhou carta aberta aos bancários dos bancos públicos federais, no dia 23 de outubro, na qual se comprometeu a fortalecer as instituições. “A Caixa tem um importante papel social e é fundamental para a construção de um país justo com uma economia forte. Por isso, defendemos o banco como um patrimônio dos brasileiros e que deve ser totalmente público”.
A Contraf-CUT e a Fenae também divulgaram uma nota em defesa da Caixa. Confira na íntegra:
Destino da Caixa está associado a um Brasil mais forte e justo
A Caixa Econômica Federal é uma referência primordial para a história do desenvolvimento econômico e social do Brasil. Difícil encontrar um cidadão que não tenha alguma relação com o banco, seja por causa do PIS, FGTS, casa própria, poupança, operações de penhor e de políticas de desenvolvimento urbano. Isso leva a que as ações da Caixa, na condição de banco estatal, público e múltiplo, estejam voltadas para atender às demandas sociais de infraestrutura do país.
Nesse contexto, a notícia de que o governo federal estuda abrir o capital da Caixa, divulgada nos últimos dias, faz parte de mais um capítulo da narrativa conservadora, que sempre desdenhou da dinâmica vigorosa dos bancos públicos federais. Diante desse cenário, cujo objetivo é não permitir que o Brasil repactue o seu futuro, as entidades representativas dos empregados do banco acendem o sinal amarelo, tendo a consciência de que a manutenção da Caixa como banco 100% público e com forte papel social é não só necessária, mas fundamental para um país mais forte e justo.
É verdade que a informação da abertura de capital da Caixa não apresenta detalhes e já foi prontamente negada pelo Palácio do Planalto. Mesmo assim, convém intensificar o alerta, para que as políticas e os investimentos dos últimos 12 anos, que mudaram a fronteira da produção e do consumo no país, não corram o risco de rompimentos caducos e indevidos.
Fundamental, para isso, é o governo seguir decididamente com a diretriz de fortalecimento das instituições financeiras públicas. Esse compromisso está expresso na declaração da presidenta Dilma Rousseff, para quem esses bancos são indispensáveis para a economia brasileira e atuam como um patrimônio da sociedade. A manifestação de Dilma, reeleita em segundo turno ocorrido em 26 de outubro, está registrada em carta aberta a todos os trabalhadores dos bancos públicos, em resposta a documento da CUT, Fenae e Contraf-CUT.
Como a Caixa passou novamente a ser alvo de fortes e persistentes ataques, embutidos na proposta de abertura de capital, como parte do desmonte do patrimônio público, o movimento nacional dos empregados vem a público para cobrar do governo federal que honre os compromissos assumidos no documento entregue a Dilma em 15 de outubro. Isto tem relação direta com a valorização de todos os empregados do banco, podendo ajudar o Brasil a reinventar-se na perspectiva de mais democracia e mais participação popular.
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