22/08/2013
Campanha Nacional 2013: negociações não avançam
Na manhã de sexta-feira 16, em São Paulo, a negociação entre o Comando Nacional e Fenaban deu continuidade aos temas relacionados ao emprego, iniciados na quinta-feira 15, e trataram também sobre igualdade de oportunidades. Como nos temas de saúde, condições de trabalho e segurança, as respostas foram um festival de NÃOS.
“Este é o momento de levar as respostas negativas dos banqueiros sobre as questões de emprego, saúde, condições de trabalho e segurança para os trabalhadores. É importante o fortalecimento da mobilização e um grande ato no dia 22 para arrancarmos respostas positivas dos banqueiros”, reforça Luiz César de Freitas, o Alemão, presidente da FETEC-CUT/SP.
Confira o que foi debatido nesta sexta-feira:
Terceirização e correspondente bancário – O Comando reforçou a importância de se ter agência ou posto bancário, sempre com bancários como funcionários, em todos os municípios, pois os bancos são concessões públicas e todo cidadão tem direito a ter conta em banco. Também lembrou que o correspondente bancário perdeu sua característica inicial, que era de atender a população que vive em regiões distantes, como a amazônica. Não existe a necessidade de termos correspondentes na região da Paulista, por exemplo, onde encontramos agências de todos os bancos públicos e federais. Os sindicalistas também reforçaram que a terceirização precariza o trabalho. “É inadmissível que dentro de uma agência, existam trabalhadores que tenham tickets refeição de valores diferentes, mas isso acontece com os terceirizados que têm valores muito inferiores”, reforça Alemão.
Os representantes dos bancos, no entanto, disseram não ter interesse na terceirização, que a internalização dos serviços têm de ser feitas por “espontaneidade” e insistiram que esse debate deve ser encaminhado à mesa temática. “Reforçamos a cobrança de que as mesas temáticas precisam ser mais efetivas e que os debates feitos por intermédio delas precisam ser concretizados”, relata Juvandia Moreira, presidenta do Seeb São Paulo e uma das coordenadoras do Comando.
O Comando também registrou sua posição contrária ao PL 4330 que regulamenta a terceirização fraudulenta de mão de obra e, se aprovado, pode servir para precarizar direitos conquistados pelos trabalhadores após muita luta.
Ampliação do horário de atendimento com dois turnos de trabalho – Mais uma vez os representantes dos bancários colocaram na mesa a importância da criação de dois turnos de trabalho, já que algumas agências já funcionam com ampliação do horário e o não cumprimento de seis horas da jornada de trabalho, estabelecida na CCT.
Comissão sobre mudanças tecnológicas – O Comando propôs a criação da comissão bipartite sobre mudanças tecnológicas para debater, acompanhar e apresentar propostas diante de projetos de mudança tecnológica e organizacional das empresas e introdução de novos equipamentos. A Fenaban afirmou que não pode ser debatida essa comissão, e propôs a realização de um seminário sobre tendências e impactos na vida do trabalhador.
Igualdade – Bancos admitem ter acordo no diagnóstico de que falta igualdade de gênero, raça e para os PCDs. E isso é considerado uma evolução pelos integrantes do Comando após tantos anos de debate, já que, antes, nem isso admitiam.
Licença paternidade – A Fenaban remeteu o tema para mesa temática.
Pessoas com deficiência – Os representantes dos bancários colocaram a necessidade do pagamento de um abono para reparos de equipamentos e subsídio integral de equipamentos que favoreçam a mobilidade. A Fenaban afirmou não ter a informação de que esse abono não é pago.
Relembre o que foi debatido nesta quinta-feira:
Descumprimento da CCT – O Comando cobrou reiterou à Fenaban o desrespeito dos bancos a cláusulas da CCT como a que trata do público-alvo para reabilitação profissional, além das que estabelecem a proibição de transporte de valores e a divulgação de rankings de performance. Os negociadores das instituições financeiras voltaram a se comprometer em fazer um alerta pelo cumprimento.
Emprego – Mesmo com todos os problemas apontados pelos representantes dos trabalhadores, a intransigência dos representantes dos bancos continuou, ao negarem todas as reivindicações sobre emprego. Sobre garantia de emprego e Convenção 158 da OIT (Organização Internacional do Trabalho), que coíbe as demissões imotivadas, a Fenaban afirmou que a discussão não pode ser feita no setor, que deve ser banco a banco. Ao contrário do que mostra a realidade, também afirmaram que a variação de corte de postos de trabalho é bem pequena e que não causa transtornos nas condições de trabalho.
Jornada – O Comando cobrou o cumprimento da jornada, o fim da extrapolação e falaram do impacto da extensão diária na saúde dos trabalhadores. Os bancos reconhecem que pode haver esse problema, mas não apresentaram solução imediata.
Manutenção salarial – Também foi cobrada a manutenção dos salários dos trabalhadores que voltam do afastamento. No caso dos bancos públicos, os afastados perdem a comissão. Os privados muitas vezes demitem quem volta de afastamento. Para a Fenaban, tudo isso é natural: acham que não têm de pagar função para quem não a exerce.
Ainda nesta quinta-feira, o Comando cobrou retorno das questões colocadas na primeira rodada de negociação:
Saúde – Os bancos apresentaram a proposta de criar um grupo de trabalho para tratar das razões que levam aos afastamentos de saúde. O Comando afirmou que esse GT comece a funcionar agora, tenha prazo para acabar para que as soluções sejam apresentadas para os trabalhadores.
Abono-assiduidade – Os bancos disseram não para as cinco ausências abonadas no ano, referentes aos dias 31 pelos quais o bancário trabalha, mas não recebe.
Assédio – Sobre a redução do tempo dos bancos para apurar as denúncias de assédio moral, a Fenaban sinalizou com a possibilidade de mudança. Atualmente eles têm até 60 dias e os bancários queriam que esse prazo fosse reduzido para até 30 dias. Os bancos, no entanto, propõe que o prazo caia para até 45 dias. O Comando fez a contraproposta de até 30 dias com mais 15, se necessário, mas os bancos não aceitaram.
Segurança – Na próxima terça-feira 20, será formada uma mesa de segurança para que os bancos apresentem dados do setor.
Reivindicações – A categoria bancária entregou para a Fenaban, dia 30 de julho, a pauta de reivindicações da categoria. Entre os itens principais estão o índice de 11,93% (reposição da inflação mais aumento real de 5%, acima da inflação), o piso salarial no valor de R$ 2.860,21 e a PLR (três salários base mais parcela adicional fixa de R$5.553,15). Os bancários também pedem a valorização dos vales refeição e alimentação (um salário mínimo, R$ 678,00). Os bancários reivindicam ainda melhores condições de trabalho, com o fim das metas individuais e abusivas.
Calendário
19 - Segunda rodada de negociação entre Comando e Caixa
20 – Bancos apresentam dados de segurança no setor
22 - Dia Nacional de Luta, com passeatas dos bancários
23 – Segunda rodada de negociação entre Comando e Banco do Brasil
26 e 27 – Terceira rodada de negociação entre Comando e Fenaban
28 - Dia do Bancário, com atos de comemoração e de mobilização
30 - Paralisação nacional das centrais sindicais pela pauta da classe trabalhadora
Juliana Satie
Foto: Jailton Garcia/Contraf
SINDICALIZE-SE
MAIS NOTÍCIAS
- A nova realidade do endividamento brasileiro
- Candidaturas apoiadas pelo Sindicato vencem eleições do Economus
- Escala 6x1 é denunciada no Senado como forma de violência estrutural contra as mulheres
- Empossados os integrantes do Conselho Fiscal da Cabesp
- “Super Injusto”: Ninguém entende o Super Caixa, nem a Caixa!
- Itaú é denunciado por dificultar afastamento de trabalhadores adoecidos
- Funcef fecha primeiro trimestre com desempenho positivo. Planos superam metas
- Bradesco amplia lucro no 1º trimestre de 2026 enquanto mantém cortes de empregos e fechamento de agências
- Itaú lucra R$ 12,2 bilhões no 1º trimestre, enquanto segue fechando postos de trabalho e agências
- Engajamento e mobilização para a Consulta Nacional é fundamental para sucesso da Campanha Nacional da categoria
- Audiência no Senado vai debater escala 6x1 como forma de violência estrutural contra as mulheres
- Clube dos Bancários terá novo horário de funcionamento. Confira!
- 42º Congresso Estadual dos Empregados da Caixa será dia 16 de maio
- Banco Mercantil registra lucro recorde no 1º trimestre, mas trabalhadores cobram valorização e melhores condições
- Prazo para votar nas eleições do Economus termina dia 7 de maio; participe!