07/05/2013
Sindicato dos Bancários de Catanduva e Região: há meio século representando o trabalhador
“Às 9h30 horas do dia 5 de maio de 1963, reuniram-se na sede do Clube dos Bancários, Edifício Gabrielle D’Annunzio, sito nesta cidade...”, assim começa a ata que registra a formação da Associação Profissional dos Bancários de Catanduva.
Em 11 de janeiro do ano seguinte, ocorreu a transformação da Associação em Sindicato.
Naquele momento, o Sindicato tinha como base territorial, além de Catanduva, 19 cidades. (Hoje são 35 municípios)
O primeiro presidente foi o Jonas Amorim. Época de tensão política. O militarismo se impunha, os sindicalistas sinalizavam resistência. Reação e defesa dos direitos: o caminho do sindicalismo bancário.
Combatividade e fortalecimento da categoria
Em sete de outubro de 1986, a diretoria liderada por Francisco Antonio Cinquaroli Bellíssimo, o Chico Belo, toma posse no Sindicato dos Bancários de Catanduva e Região, após derrotar a chapa encabeçada por Inocêncio da Silva e vinculada a Feeb-SP/MS – que há anos conduzia a entidade.
Novo direcionamento: não mais a postura assistencialista e paternalista como forma de contenção das insatisfações da classe trabalhadora, mas a luta pela organização, a valorização e o fortalecimento da categoria com a participação de cada bancário.
Desde o princípio, a informação, a denúncia contra abusos e demissões, a organização e a formação político-social do bancário através da implantação de uma estrutura de comunicação, com boletins semanais e específicos por banco e implantação de telex (não havia internet) imprimem-se como marca de uma nova visão de sindicato.
Considerando fundamental o acesso a dados e a sintonia com o movimento nacional, o Sindicato filia-se ao DIEESE e à CUT em 1º de maio de 1987. Sentindo a necessidade de uma federação mais atuante, participa da criação da Federação dos Bancários da CUT – FETEC/SP.
A diretoria triplica o quadro de associados, implanta assistência jurídica gratuita, submete a votação novos estatutos, abre subsedes em Monte Alto e José Bonifácio, realiza assembleias amplamente divulgadas e com participação democrática.
Em 1988, proporciona a primeira Festa Junina aos bancários e familiares, tornando-se esta uma tradição.
Sempre atuante no campo sócio-político, participa com propostas das Constituições Federal (1988) e Estadual e de ações de combate à fome e à miséria; defende os direitos da criança e do adolescente e torna-se um dos protagonistas do movimento contra a cobrança de taxas aos pacientes do SUS.
Incentiva e participa da criação de sindicatos de outras categorias, então sem representação local: Sindicato dos Trabalhadores em Indústrias de Alimentação, Sindicato dos Funcionários e Servidores Públicos Municipais; Sindicato dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Saúde de Catanduva e da Associação dos Aposentados de Catanduva e Região.
Garante a construção de casas próprias para bancários por meio de Programa de Financiamento. Apresenta projetos de lei à Câmara, propondo diversas melhorias nas agências bancárias, especialmente no que diz respeito à segurança do trabalhador e do cliente.
Fortalece movimentos de outras categorias profissionais e articula a formação de um Conselho Intersindical, empreendendo ações de interesse dos trabalhadores e da sociedade em geral, com boletim específico para divulgação. Luta pelo fim da cobrança do imposto sindical e pela jornada de 40 (quarenta) horas semanais para o trabalhador.
Em 1992, as ações dos movimentos sociais e sindicais foram determinantes para o impeachment do ex-presidente Fernando Collor de Mello, repudiado por trabalhadores de todas as categorias. O Sindicato entrou nessa batalha pela soberania do povo brasileiro e saiu vencedor.
A campanha Natal de Brinquedo, implantada em 1994, reforça a imagem de sindicato-cidadão, estampada nesses últimos 27 anos pelas diversas lideranças que conduziram o Sindicato dos Bancários de Catanduva e Região.
Em 1995, Maria Heloísa Pereira torna-se a primeira mulher a presidir o Sindicato dos Bancários.
Trata-se de um período difícil para os trabalhadores, que perdem gradativamente seu poder aquisitivo devido à perversa política neoliberal implantada por Fernando Henrique Cardoso. O governo FHC também é marcado pela privatização maciça de empresas estatais – a descarada venda do patrimônio público brasileiro.
Três anos depois, em 1998, o Sindicato ganha novos rumos. A diretoria encabeçada por Paulo Franco tem como principal característica a absorção total do conceito de sindicato-cidadão, que compreende as necessidades da categoria em um contexto mais amplo, de comunidade. Franco também se tornaria coordenador da subsede da CUT em São José do Rio Preto.
Em 2002, já fortalecida, a entidade apoia a candidatura de Luís Inácio Lula da Silva e ajuda a eleger um governo popular e democrático que viria a ser responsável por mudanças estruturais na sociedade brasileira.
Nesse novo contexto, favorável à classe trabalhadora, a diretoria liderada por Luiz César de Freitas, o Alemão, assume e garante evoluções para a categoria.
Entre as conquistas destaca-se aumento real dos salários, direto à PLR e implantação de políticas que defendem a igualdade de oportunidades entre pessoas de diferentes etnias, sexos e orientações sexuais. Em 2009, Alemão é eleito presidente da Fetec – a Federação dos Bancários da CUT do Estado de São Paulo, cargo que ainda ocupa.
O progresso da sociedade brasileira no governo Lula abre caminho e possibilita a eleição da primeira presidenta do Brasil, Dilma Roussef.
Paralelamente, Amarildo Davoli assume a presidência do Sindicato que o elege vereador, conquistando ainda mais representatividade política para a categoria bancária e toda a classe trabalhadora.
As inúmeras vitórias que o Sindicato acumulou nesses 50 anos só foram possíveis devido às ações de uma categoria mais do que especial, formada por uma espécie rara de cidadãos politizados, questionadores, verdadeiramente pensantes.
Os bancários de Catanduva e Região são agentes de transformação social, homens e mulheres conscientes de seus direitos, capazes de se mobilizar e reivindicar justiça a qualquer momento. A partir de agora, a História continua, com expectativa de novas vitórias.
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