Dia contra racismo é lembrado por desigualdades
“Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e direitos”. É o que está no primeiro artigo da Declaração Universal dos Direitos Humanos. No entanto, a luta pelo combate ao racismo é diária no Brasil, por meio da atuação da sociedade civil, movimentos sociais e sindicais que se interessam em erradicar o preconceito.
Esta quinta 21 de março é reconhecida como o Dia Internacional pela Eliminação da Discriminação Racial. A data foi criada pela ONU (Organização das Nações Unidas) em referência ao Massacre de Sharpeville (tela à direita).
Em 21 de março de 1960, em Joanesburgo, na África do Sul, a polícia do apartheid abriu fogo contra 20 mil pessoas desarmadas, matando 69 mortos e ferindo 186, que protestavam contra a Lei do Passe, que obrigava a população negra a portar um cartão que continha os locais onde era permitida sua circulação.
De acordo com dados do Censo Demográfico realizado em 2010, de uma população estimada em 191 milhões de habitantes, 15 milhões se classificaram como pretos (7,6%) e 82 milhões, como pardos (43,1%). “Se analisarmos uma tendência cultural dos brasileiros, de querer mascarar o tom da pele como objetivo frustrado de fugir de preconceitos, observamos que a população negra é bem maior do que a declarada”, alerta Júlio César Silva Santos, diretor e coordenador do Núcleo de Combate ao Racismo do Sindicato.
Apesar de a preocupação com questões raciais ser diária, para Júlio César é primordial a existência da data para o debate sobre a importância das políticas públicas para a comunidade negra, bem como a aplicação da Lei 10.639, que determina o Ensino da História e Cultura Afro-Brasileira.
Ações afirmativas - O dirigente sindical lembra, ainda, que ações afirmativas do governo nos últimos 10 anos colaboraram e continuam minimizando a miséria no Brasil, beneficiando principalmente a população negra. “Felizmente, nos últimos 10 anos, essa população, conforme estudo realizado pelo instituto Data Popular, obteve crescimento na renda superior a 200%”, ressalta Júlio.
Mas, segundo ele, a população negra ainda está à margem da sociedade. “Esse preconceito existe na moda, no comércio, educação, em todos os setores, e no mercado profissional não é diferente. As denúncias de casos de racismo estão aí todos os dias e não é admissível fechar os olhos e ignorar o debate. Deve haver mudança no comportamento da população e fortalecimento da legislação para inibir discriminações, bem como aplicação de políticas públicas direcionadas aos pontos de conflitos”, expõe o dirigente sindical.
Para todas as ações, Júlio ressalta que a participação da população é essencial, sem importar a raça de cada um. “É um assunto de todos”.
Negros na categoria - “A contratação de negros é muito pequena e, quando existe, são cargos em que não há visibilidade”, afirma Júlio. O diretor do Sindicato lembra que na linha de frente de agências bancárias dificilmente os negros são vistos. “Assim como em décadas anteriores, quase sempre o negro trabalha na retaguarda, onde não existe atendimento ao público. Em cargos executivos, mesmo de bancos públicos, quase não existem negros”, destaca.
Segundo o Mapa da Diversidade, espécie de censo da categoria bancária realizado pela Febraban em 2008 e divulgado em 2009 graças às reivindicações do Sindicato, apenas 2,3% da categoria são pretos e recebem, em média, 64,2% do rendimento dos homens brancos.
“Nas poucas reuniões que acontecem com as áreas de diversidade nas instituições financeiras, as enrolações são constantes e o debate não é construtivo. Ao contrário desse modelo de discussão reivindicamos ações afirmativas que visem igualdade de oportunidades”.
Gisele Coutinho
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