PLR sem IR injeta R$ 866 milhões na economia, projeta Dieese
Os funcionários do Banco do Brasil receberam na última sexta-feira (8) a Participação nos Lucros e Resultados (PLR) e encerraram o ciclo de pagamentos das principais instituições financeiras referentes à conquista da Campanha Nacional dos Bancários 2012.
Assim como os demais trabalhadores, os funcionários do BB também usufruíram da conquista da nova tabela do imposto de renda que garante isenção total para pagamentos da PLR, incluindo programas próprios, de até R$ 6 mil. A partir desse valor, os descontos são progressivos, mas todos pagam menos.
De acordo com projeções do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos), a mudança representa uma economia de cerca de R$ 866 milhões aos bancários.
Para chegar a esse montante, o órgão comparou as tabelas de 2012 e a que entrou em vigor neste ano. Dessa forma, para valor médio de R$ 11 mil para 497 mil bancários em todo o país, o governo arrecadaria R$ 1,127 bilhão neste ano. Mas com as novas alíquotas, o montante cai para R$ 290 milhão. É a diferença nas arrecadações que gera o total de R$ 866 milhões.
Segundo relatos de bancários, a economia neste ano permite que sejam feitas reformas na casa, investimentos em cursos de qualificação, pagamento de contas atrasadas entre outros gastos imediatos.
"Se de um lado o governo abre mão de arrecadação, de outro esses mesmos recursos voltam para a economia por meio de aquisição de bens e melhora da qualidade de vida dos bancários e de outros trabalhadores que também terão isenção na PLR. Isso se configura em distribuição de renda, aumento do poder de compra do assalariado, ampliação de consumo. Ou seja, todo o país é beneficiado", afirma a presidenta do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Juvandia Moreira.
Uma outra estimativa do Dieese aponta que a PLR total paga a trabalhadores de bancos públicos e privados injetou cerca de R$ 4,9 bilhões na economia nacional.
Campanha
Para que a campanha da PLR sem IR - lançada no final de 2011 por bancários, metalúrgicos, químicos, petroleiros e urbanitários - fosse vitoriosa foi fundamental a adesão dos trabalhadores ao movimento.
Entre as iniciativas houve a coleta de cerca de 200 mil assinaturas - das quais 117 mil dos bancários - para que fosse aprovado projeto de lei do deputado federal Ricardo Berzoini (PT-SP), que propunha a isenção total para a PLR dos assalariados.
Como fica
Quem recebe até R$ 6 mil ao ano, incluindo programas próprios, fica isento de IR. Os descontos são progressivos a partir desse valor. As novas regras só valem para a PLR recebida em 2013. Ou seja, os valores pagos como primeira parcela de 2012, creditados dez dias após a assinatura da convenção coletiva, não serão restituídos.
Fonte: Contraf-CUT com Seeb São Paulo
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