Lula critica banqueiros em discurso aos trabalhadores na Alemanha
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva falou na sexta-feira, dia 7, para mais de 500 representantes sindicais alemães e convidados internacionais na Conferência organizada pelo sindicato alemão de metalúrgicos, o IG Metall, em Berlim.
Lula recordou sua trajetória política, de sindicalista a presidente da República e lembrou que o movimento sindical alemão sempre foi muito solidário com os trabalhadores brasileiros, desde a época das grandes greves do ABC nos anos 1980.
A Conferência Internacional "Mudança de rumo para uma vida digna" reuniu mesas de debates focadas principalmente nas saídas para a crise e na qualidade de vida dos trabalhadores. Lula falou antes dos debates e o tema de seu discurso foi "O caminho para um mundo mais justo".
Emprego e crescimento para sair da crise
O ex-presidente defendeu que a manutenção do emprego e o estímulo ao crescimento dos países pobres são caminhos para a saída da crise e criticou políticas de austeridade que castigam o trabalhador. "Os magnatas do sistema financeiro, quando ganham, não repartem, mas quando perdem repartem os prejuízos com todos". Para Lula, os políticos precisam perder o medo de exercer a democracia e ouvir o que o povo quer, no lugar de priorizar o salvamento de bancos.
"A América Latina vive hoje uma era de paz e progresso que há muito tempo não vivia. Continuamos pobres e com problemas, mas há muito tempo não tínhamos esse progresso, principalmente com o aprofundamento da democracia. E a Europa, que era um berço de tranquilidade, vive uma era nervosa, apreensiva, principalmente para a juventude. E por que isso aconteceu? Porque muitos políticos terceirizaram a política. E a política não pode ser terceirizada".
Para Lula, o maior legado de seus oito anos de governo foi a relação com a sociedade organizada e os movimentos sociais brasileiros. "Eu passei parte da minha vida perdendo eleição atrás de eleição. Eu cansava, mas nunca desisti". Quando finalmente venceu, Lula disse que quis mostrar à sociedade brasileira e ao mundo, que um simples trabalhador metalúrgico e sindicalista era capaz de ser presidente. E não só isso, que esse presidente era capaz de ajudar o país a avançar econômica e socialmente. "Eu queria provar, como presidente, que poderia atender à pauta que eu fazia quando era dirigente sindical ou oposição".
Durante suas viagens, Lula disse que percebeu que foi um dos únicos presidentes que falou com os trabalhadores. "Até hoje, em muitos países, a primeira reivindicação dos trabalhadores é que eu interceda para que os presidentes os recebam". E lembrou que, durante seu governo, recebeu catadores, sem-teto e movimentos sociais sem deixar de atender os governantes estrangeiros e empresários.
Otimista, Lula disse acreditar que "até 2020 o futuro do Brasil é de crescimento do emprego e das conquistas da sociedade brasileira. Mas só interessa ao Brasil ser a quinta economia do mundo se isso servir para melhorar a vida do povo". E continuou: "Vocês que conquistaram esse padrão de vida não têm o direito de ficarem quietos vendo esses direitos serem retirados".
Lula recordou que decisões dos encontros do G-20 que participou em Londres e Seul não foram implementadas. Essas decisões diziam que a manutenção do emprego e o estímulo ao desenvolvimento dos países pobres eram cruciais para a superação das crises. E sugeriu um prazo mais longo de ajuste fiscal para Espanha e Grécia, alertando que esse ajuste acelerado favorece a recessão e o surgimento de mais problemas e até o questionamento de conquistas já alcançadas. "Eu temo que na Europa vocês comecem a negar a União Europeia. A União Europeia é um patrimônio da humanidadade, ela superou 1.500 anos de conflitos".
Democracia viva
Em seu discurso improvisado, que foi comentado nas mesas seguintes por políticos e sindicalistas, Lula elogiou a democracia brasileira, lembrando as dezenas de conferências realizadas em seu governo com os mais diversos segmentos da sociedade. "Os brasileiros deram o exemplo de que uma democracia viva é melhor do que uma democracia em silêncio. Democracia é quando a sociedade toda se movimenta".
A delegação brasileira à Conferência foi organizada pela Confederação Nacinal dos Metalúrgicos (CNM-CUT), a pedido do IG Metall. Além do ex-presidente Lula, ela foi composta por Paulo Cayres e Valter Sanches (presidente e diretor executivo da CNM/CUT, respectivamente), Vagner Freitas, Sérgio Nobre e Rosane da Silva (presidente, secretário geral e secretária da Mulher da CUT Nacional, respectivamente), Valmir Marques da Silva, o Biro-Biro (presidente da FEM/CUT-SP), Bia Cerqueira (presidente da CUT Minas Gerais), Claudir Nespolo (presidente da CUT Rio Grande do Sul), Joana D'Arc Almeida (presidente da CUT Ceará), Wagner Santana (secretário geral do Sindicato
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