Dia Nacional de Prevenção de Acidentes de Trabalho
O Dia Nacional de Prevenção de Acidentes de Trabalho completa 40 anos nesta sexta-feira 27. No entanto, a data não é lembrada com comemorações, já que os últimos números divulgados no Brasil apontam que 2.796 trabalhadores morreram em acidentes de trabalho em 2011.
Para a secretária de Saúde do Sindicato, Marta Soares, o número causa impacto e mancha o pioneirismo do Brasil. O país é o primeiro a ter serviço obrigatório de segurança e medicina do trabalho em empresas com mais de 100 funcionários, desde 27 de julho de 1972, quando a formação técnica em Segurança e Medicina do Trabalho foi regulamentada, atualizando o artigo 164 da CLT.
“A data é símbolo da luta por melhorias nas condições de saúde e segurança no ambiente de trabalho. Na categoria bancária não é diferente. E essa é nossa batalha durante todo o ano, intensificada durante a Campanha Nacional Unificada. Já realizamos diversas ações nos últimos anos, e no momento, o principal vilão dos bancários é o abuso pelo cumprimento de metas. Por isso, levaremos novamente para a negociação da Campanha Nacional a reivindicação pelo fim das metas abusivas”, alerta Marta Soares.
> Vídeo: Conheça as reivindicações sobre saúde na Campanha 2012
A dirigente lembra a lógica de trabalho dos bancos, que desconsidera os limites físicos e psíquicos e se transforma em pesadelo para os trabalhadores.
Menos metas - A pressão por metas inatingíveis na categoria bancária provoca, além de doenças psicológicas, doenças físicas como as LER/Dorts, consideradas acidentes de trabalho. O mal compromete seriamente - muitas vezes de forma irreversível - tendões, articulações e músculos.
“É cada vez mais frequente bancários jovens, com cerca de 30 anos de idade, que procuram o Sindicato com queixas sobre afastamento por motivos de doenças ocupacionais. O modelo organizacional praticado pelos bancos faz mais e mais vítimas a cada dia e trata os funcionários como descartáveis. Um adoece e outro é contratado no lugar. Não existem sequer programas de qualidade para a reabilitação profissional de quem volta à ativa após se recuperar. Essa situação precisa mudar, com a discussão dessas metas no local de trabalho, entre gestores e funcionários, levando-se em conta a localização da agência, perfil dos clientes, realidade de cada lugar”, alerta a Marta.
Mais responsabilidade – O efeito da falta de responsabilidade das instituições financeiras na venda de produtos e serviços bancários agrava os problemas com a saúde na categoria. Para combater a cobrança por metas abusivas que prejudica bancários e consumidores, Sindicato e Idec (Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor) deram as mãos e lançaram, em março, cartilha sobre Venda Responsável de Produtos e Serviços Financeiros. Clique aqui e leia a cartilha.
O objetivo é esclarecer direitos e informar a população sobre a realidade de trabalho dos bancários.
> Vídeo: Assédio Moral é prática organizacional
Solidariedade - Durante a 14ª Conferência Nacional dos Bancários, a saúde da categoria não deixou de ser discutida. Afinal, o tema foi apontado pelos trabalhadores como uma das prioridades para serem debatidas com os banqueiros nas negociações que começam em agosto, após a entrega da pauta, no dia 1º.
Em uma apresentação no primeiro dia do encontro, o professor Roberto Heloani, da Universidade Estadual de Campinas, ressaltou a atual forma de organização do trabalho, tanto bancário como de outras categorias, como a responsável direta pelo assédio moral.
> Vídeo: Heloani explica assédio moral
> Batalha contra o assédio moral exige solidariedade
O professor chamou a atenção dos bancários, referindo-se ao assédio moral horizontal, praticado entre os próprios colegas de trabalho, sobre como combater a prática. “Falta coesão e solidariedade do grupo. Só vamos vencer essa batalha revendo a forma de trabalhar, não fazendo com os outros o que não queremos que façam com a gente”, disse Heloani.
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