Momento político é propício para avanços, afirma deputada Érika Kokay
Os bancários têm uma oportunidade única de lutar pelas suas principais pautas. Segundo análise de conjuntura política realizada pela deputada federal Erika Kokay (PT-DF) no Congresso do Sindicato dos Bancários de Brasília, ocorrido no sábado (7), o momento é de aproveitar a sinalização positiva da cruzada da presidenta Dilma Rousseff contra os juros altos cobrados pelos bancos e avançar.
Segundo Erika, que é bancária e já foi presidente do Sindicato por duas gestões, o "ato de coragem" do governo de utilizar o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal, os dois principais bancos públicos do país, como instrumentos para a promoção de novas políticas econômicas e assegurar a diminuição das taxas de juros não pode ser desperdiçado. "Isso nunca aconteceria se não tivéssemos interrompido a lógica neoliberal do FHC", lembrou.
Este é o momento, de acordo com a deputada, de intensificar a mobilização pela realização de uma Conferência Nacional do Sistema Financeiro. A luta travada pela Confederação Nacional dos Trabalhadores no Ramo Financeiro (Contraf-CUT) e seus sindicatos filiados é para que a sociedade discuta qual é o papel que o sistema financeiro deve desempenhar para ajudar o país a se desenvolver com justiça social.
Outras bandeiras
Também é preciso exigir o fim do Fator Previdenciário, apontou a deputada. É esta invenção perniciosa de FHC que faz com que, até hoje, os trabalhadores se arrastem ao seu local de trabalho mesmo já podendo se aposentar, para não perder seus rendimentos, frisou. "É de uma crueldade imensa e precisa chegar ao fim imediatamente".
Kokay destacou também a necessidade de combater o assédio moral, assegurando relações de trabalho saudáveis, e lutar pela isonomia entre funcionários novos e antigos. Além disso, defendeu o fim das demissões que têm acontecido no Itaú Unibanco.
"Eu, Contraf-CUT, Sindicato dos Bancários de Brasília e Dieese nos reunimos com o ministro do Trabalho, Brizola Neto, para levar a situação do Itaú. Não é possível permitir a diminuição dos postos de trabalho, pois a rotatividade já é muito alta. O ministro se comprometeu a convocar o banco para prestar esclarecimentos sobre o que tem acontecido", contou Erika. "Precisamos reagir e contar com as forças que temos no Congresso Nacional".
"O Brasil ainda carrega traços da escravidão e ditadura"
A deputada federal relembrou três momentos da história do Brasil definidos como "traumáticos" por ela e que constituem desafios para a consolidação da democracia no país e ainda permeiam o cotidiano dos brasileiros: o colonialismo, a escravidão e a ditadura militar. "A ditadura, especificamente, submeteu o Brasil à tortura. Houve desencarnação. Ela tirou a alma do corpo e despersonalizou o povo brasileiro, que perdeu a possibilidade de pensar e falar. O Brasil foi arrancado dos brasileiros", enfatizou.
"Nós aprovamos a Comissão da Verdade e esse é um passo importante, mas precisamos fechar os ciclos. Nós saímos da ditadura como se nada tivesse acontecido. Precisamos de propostas objetivas para o Brasil sair do colonialismo e acabar de vez com a escravidão", destacou.
Ela defende que, para que essa dolorosa história não se repita, é fundamental que se identifiquem os elementos que ainda estão presentes no cotidiano brasileiro e que ainda carregam esse passado. A reforma política, por exemplo, precisa de uma pressão da população: "De outra forma, não vamos conseguir as mudanças necessárias", afirmou Erika. "Atualmente, apenas 9% do parlamento em todo o Brasil é composto por mulheres. Isso é menos do que no Afeganistão e países árabes", disse.
Esse é apenas um dos sinais do conservadorismo e de resquícios da ditadura que permanecem no Congresso Nacional, na avaliação da deputada. Segundo a deputada, a contaminação das eleições pelo poder econômico rompe e fere o caráter democrático dessa conquista do povo brasileiro. Esse é o motivo, segundo a deputada, da dificuldade em aprovar a PEC do Trabalho Escravo, a Lei do Assédio Moral e o relatório do deputado Henrique Fontana (PT-RS) que defende o financiamento público das campanhas políticas.
"Temos grupos estruturados dentro do Congresso daqueles que financiaram campanhas. Por isso não conseguimos avançar em medidas efetivas de combate à corrupção, na aprovação do voto aberto. Nós precisamos que o conjunto da sociedade se agarre a essas lutas. Sem uma reforma política estruturante, dificilmente conseguiremos mudar o que vem acontecendo no país", afirmou Kokay, que destacou ainda a diminuição de representantes dos trabalhadores na atual legislatura.
Fonte: Contraf-CUT com Seeb Brasília
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