João Felício: “Vitória de Guy Rider tem significado histórico para a OIT”
Secretário de Relações Internacionais da CUT destaca “trajetória vinculada ao mundo do trabalho” do novo diretor-geral da Organização Internacional do Trabalho
Escrito por: Leonardo Wexell Severo
A eleição do britânico Guy Ryder, primeiro secretário-geral da Confederação Sindical Internacional (CSI), para diretor-geral da Organização Internacional do Trabalho (OIT), tem um “significado histórico”, avalia o secretário de Relações Internacionais da Central Única dos Trabalhadores (CUT), João Antonio Felício. De acordo com o dirigente cutista, que participou ativamente da reunião da OIT em Genebra, na Suíça, ao derrotar “a candidatura conservadora do ultraliberal francês Gilles de Robien”, que contou com o apoio dos governos da Alemanha, França e Itália, justamente os do “epicentro da crise”. Diferente do caminho reacionário, Guy Rider abre a perspectiva de uma OIT mais presente e atuante, “num momento em que os direitos dos trabalhadores estão sob forte ataque”.
Qual o significado da eleição de Guy Rider?
A eleição do primeiro secretário-geral da Confederação Sindical Internacional (CSI) tem um significado histórico. Esta é a primeira vez que alguém vinculado ao movimento sindical, ao mundo do trabalho, lidera uma importante organização mundial. Esta vitória fortalece o papel da OIT, única organização internacional a que os trabalhadores têm direito à fala. Acredito que a partir de agora a OIT terá realçado o seu papel como instrumento de denúncia, análise e participação na resolução de conflitos, se envolvendo com protagonismo nos grandes temas. Vale lembrar que a OIT participa inclusive do G-20.
O que representava a outra candidatura?
O adversário era o conservador e ultraliberal francês Gilles de Robien, que defendia o atraso, o retrocesso, o esvaziamento da OIT, que passaria a ser um mero escritório de reclamações e não um organismo vivo. Com ele estavam alinhados os empresários e 12 governos, como o da Alemanha, França e Itália, hoje o epicentro da crise.
Num momento em que os direitos sociais e trabalhistas vêm sendo alvo de ataques, como a nova administração da OIT pode contribuir com o mundo do trabalho?
A OIT pode contribuir muitíssimo ao valorizar as convenções que procuram garantir direitos, como o de greve, ao atuar como agente definidor na proteção de direitos, ao fazer pressão sob os governos para garantir postos de trabalho. São ações que vão ajudar muito, pois apontam para o desenvolvimento, para o crescimento econômico com valorização do trabalho. Em se tratando de uma organização vinculada à ONU, pode incidir positivamente sob todos os demais organismos, contribuindo e abrindo espaço para o movimento sindical exercer democraticamente a pressão. Isso torna-se ainda mais vital num momento de crise como o que estamos atravessando.
Como são os votos na OIT?
O voto é tripartite, com maior peso para os governos. A bancada de trabalhadores tem 14 votos, a de empresários 14 e a de governos 28, num total de 56. Como disse anteriormente, a bancada empresarial fechou com o francês, o que aumentou a importância da nossa articulação com os governos para barrar o retrocesso.
De que forma a CUT atuou?
No Brasil a CUT ajudou a articular a candidatura do Guy Rider desde o primeiro momento. Junto ao governo brasileiro, que estava comprometido com a candidatura da Colômbia, acertamos o apoio a Guy Rider caso ele chegasse à disputa final. Esta ação junto ao governo brasileiro foi fundamental e envolveu na mesma tática os governos da Argentina, Colômbia, El Salvador e Trinidad e Tobago. Além disso, somamos os governos dos BRICs, China, Rússia e Índia. Apenas a África do Sul ficou de fora por não ter direito a voto nesta sessão, já que os países fazem rodízio no Conselho de Administração. Conforme reconheceu o novo diretor geral da OIT, nossa Central teve papel estratégico na sua eleição.
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