Bancos baixam juros, mas elevam tarifas
Levantamento com base em dados do BC mostra aumento de alguns serviços mais utilizados
São Paulo – Movidos pelas regras da concorrência, os bancos privados de fato baixaram os juros após a iniciativa do Banco do Brasil e da Caixa, mas em contrapartida aumentaram tarifas dos serviços.
Dados do Banco Central, analisados pelo jornal Folha de S.Paulo, mostram que, após reduzirem taxas de juros para o crédito, os bancos privados elevaram o valor das tarifas de alguns dos serviços mais usados pelos consumidores.
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Entre 2 de abril e 14 de maio, a tarifa que teve maior média de aumento foi a cobrada para venda de cheque de viagem ou emissão de cartão pré-pago em moeda estrangeira, cujo valor dobrou de R$ 21 para R$ 42,67.
Também tiveram alta as tarifas cobradas para saques de conta-corrente e poupança (feitos no guichê além do máximo permitido gratuitamente), que subiram em média 11,88%, e ainda a dos extratos mensais feitos no caixa ou por outra forma de atendimento pessoal, que na média ficaram 14,21% mais caros.
Ouvida pelo jornal, a Associação de Defesa do Consumidor – Proteste ressaltou que os bancos vêm condicionando a oferta de empréstimos com juros mais baixos à adesão do consumidor a pacotes com tarifas mais altas.
A economista da Proteste Verônica Dutt-Ross disse que essa diferença na tarifa mensal pode resultar em um valor expressivo e, em alguns casos, até tornar o empréstimo mais caro do que nas condições anteriores. Ela também ressaltou que o reajuste de tarifas de produtos muito utilizados é suficiente para gerar aumento considerável da receita do banco.
Falta transparência – Em nota publicada em seu site, a Proteste afirma que os consumidores estão tendo dificuldades em contratar financiamento com as taxas mínimas divulgadas pelos bancos, tanto privados quanto públicos. Em outras palavras, são poucos os que têm acesso aos juros baixos anunciados pelos bancos. “Elas (as taxas mínimas) são oferecidas para situações muito específicas na Caixa, no Banco do Brasil, no HSBC, Itaú e Bradesco”, diz a associação.
Entre as exigências, informa a Proteste, estão a transferência da conta salário para o banco. Além disso, as instituições avaliam a renda e o histórico do cliente na hora de definir a taxa de juros oferecida.
Para a subseção do Dieese no Sindicato, falta transparência das instituições financeiras que anunciam as taxas mínimas, mas não esclarecem os critérios para que o consumidor tenha acesso aos menores juros.
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