14/04/2023
Programa de metas do Itaú GERA terror e adoecimentos
Algumas agências do Itaú estão se tornando um verdadeiro inferno para os bancários. Há relatos de funcionários tendo “surtos” e se afastando do trabalho por adoecimentos.
Nestes locais, alguns gestores, “sedentos” por resultados, fazem de três a quatro chamadas (calls), por dia. Estas reuniões virtuais são sempre em tom ameaçador e repletas de cobranças para o cumprimento de metas.
Os bancários relatam que, muitas vezes, trabalham ao mesmo tempo em que buscam cumprir metas, quando são surpreendidos por mais uma reunião. Os empregados, por vezes, tentam justificar por que não conseguem entregar as metas, mas nenhuma explicação é aceita.
"Os bancários sofrem com a sobrecarga de trabalho causada pela carência de funcionários nas agências, o que aumenta o stress e as doenças profissionais, além de diminuir a qualidade do atendimento aos clientes. Para piorar, os trabalhadores ainda têm que cumprir as metas absurdas, determinadas pela direção do banco, sob ameaças de demissão e em detrimento da saúde desses trabalhadores. Uma situação que precisa urgentemente ser revista pela direção do banco", ressalta o diretor do Sindicato dos Bancários de Catanduva e região, Ricardo Jorge Nassar Júnior.
A fim de denunciar e acabar com esta realidade, os Sindicatos filiados à Contraf-CUT promovem em abril a campanha Menos Metas, Mais Saúde. A iniciativa terá duração de seis meses.
De 2012 a 2021, 42.138 bancários tiveram o direito ao benefício acidentário reconhecido pelo INSS por conta de doenças e acidentes relacionados ao trabalho.
Os dados são do Observatório de Segurança e Saúde no Trabalho – uma iniciativa do Ministério Público do Trabalho (MPT) em cooperação com a Organização Internacional do Trabalho (OIT) – e foram compilados pelo Dieese.
"Um banco como esse, com lucros sempre crescentes, tem totais condições de contratar mais bancários para prestar um atendimento mais condizente com as altas tarifas e serviços bancários cobrados dos clientes, bem como para diminuir a sobrecarga, o assédio e o acúmulo de funções, que é uma realidade no banco gerada pela redução de postos de trabalho, que leva à essa epidemia de doenças psicossomáticas e por esforço repetitivo observadas na categoria bancária. Vamos enfrentar e denunciar este cenário enquanto ele persistir", destaca Nassar.
Exemplo de meta inalcançável
Em um exemplo das metas inatingíveis, o banco alterou a metodologia para a contratação de seguro, o que está dificultando muito o alcance do resultado exigido.
Segundo informação recebida pelo Sindicato, o banco utilizava um ponderador que multiplicava a venda por 10. Por exemplo: com uma meta R$ 5.000, com a venda de um seguro de R$ 100, multiplicava-se esta venda por 10, o que resultava em R$ 1.000 para uma venda.
Agora, com a mudança, se o bancário vender um seguro de R$ 100 para um cliente que nunca teve seguro, esta venda será multiplicada por apenas dois, e a venda representará apenas R$ 200 de um total de R$ 4.500. Se a venda for feita para um cliente que já teve seguro, multiplica-se por um, e a venda representará apenas R$ 100.
Esse ponderador 10 já havia sido mudado para dois em janeiro. Agora ele foi alterado para um, para quem já tem seguro, e continua dois para clientes que não têm seguro e nunca tiveram. Este problema não está restrito às agências digitais. Os bancários de agências físicas também estão enfrentando a mesma situação.
“O Itaú diminuiu o ponderador e as metas aumentaram. E ainda por cima o banco não leva em consideração que abril é mais curto, e este mês ainda teve dois dias úteis a menos por causa dos feriados. Não sabemos qual a lógica para eles chegarem a esta metodologia. Por isto reivindicamos que os resultados sejam estabelecidos em conjunto com os bancários e seus representantes, por meio dos sindicatos”, acrescenta Sergio Francisco, membro da Comissão de Organização dos Empregados (COE Itaú).
O movimento sindical está constantemente em contato com o Itaú para solucionar os problemas das agências, mas até o momento não obteve resposta.
Nestes locais, alguns gestores, “sedentos” por resultados, fazem de três a quatro chamadas (calls), por dia. Estas reuniões virtuais são sempre em tom ameaçador e repletas de cobranças para o cumprimento de metas.
Os bancários relatam que, muitas vezes, trabalham ao mesmo tempo em que buscam cumprir metas, quando são surpreendidos por mais uma reunião. Os empregados, por vezes, tentam justificar por que não conseguem entregar as metas, mas nenhuma explicação é aceita.
"Os bancários sofrem com a sobrecarga de trabalho causada pela carência de funcionários nas agências, o que aumenta o stress e as doenças profissionais, além de diminuir a qualidade do atendimento aos clientes. Para piorar, os trabalhadores ainda têm que cumprir as metas absurdas, determinadas pela direção do banco, sob ameaças de demissão e em detrimento da saúde desses trabalhadores. Uma situação que precisa urgentemente ser revista pela direção do banco", ressalta o diretor do Sindicato dos Bancários de Catanduva e região, Ricardo Jorge Nassar Júnior.
A fim de denunciar e acabar com esta realidade, os Sindicatos filiados à Contraf-CUT promovem em abril a campanha Menos Metas, Mais Saúde. A iniciativa terá duração de seis meses.
De 2012 a 2021, 42.138 bancários tiveram o direito ao benefício acidentário reconhecido pelo INSS por conta de doenças e acidentes relacionados ao trabalho.
Os dados são do Observatório de Segurança e Saúde no Trabalho – uma iniciativa do Ministério Público do Trabalho (MPT) em cooperação com a Organização Internacional do Trabalho (OIT) – e foram compilados pelo Dieese.
"Um banco como esse, com lucros sempre crescentes, tem totais condições de contratar mais bancários para prestar um atendimento mais condizente com as altas tarifas e serviços bancários cobrados dos clientes, bem como para diminuir a sobrecarga, o assédio e o acúmulo de funções, que é uma realidade no banco gerada pela redução de postos de trabalho, que leva à essa epidemia de doenças psicossomáticas e por esforço repetitivo observadas na categoria bancária. Vamos enfrentar e denunciar este cenário enquanto ele persistir", destaca Nassar.
Exemplo de meta inalcançável
Em um exemplo das metas inatingíveis, o banco alterou a metodologia para a contratação de seguro, o que está dificultando muito o alcance do resultado exigido.
Segundo informação recebida pelo Sindicato, o banco utilizava um ponderador que multiplicava a venda por 10. Por exemplo: com uma meta R$ 5.000, com a venda de um seguro de R$ 100, multiplicava-se esta venda por 10, o que resultava em R$ 1.000 para uma venda.
Agora, com a mudança, se o bancário vender um seguro de R$ 100 para um cliente que nunca teve seguro, esta venda será multiplicada por apenas dois, e a venda representará apenas R$ 200 de um total de R$ 4.500. Se a venda for feita para um cliente que já teve seguro, multiplica-se por um, e a venda representará apenas R$ 100.
Esse ponderador 10 já havia sido mudado para dois em janeiro. Agora ele foi alterado para um, para quem já tem seguro, e continua dois para clientes que não têm seguro e nunca tiveram. Este problema não está restrito às agências digitais. Os bancários de agências físicas também estão enfrentando a mesma situação.
“O Itaú diminuiu o ponderador e as metas aumentaram. E ainda por cima o banco não leva em consideração que abril é mais curto, e este mês ainda teve dois dias úteis a menos por causa dos feriados. Não sabemos qual a lógica para eles chegarem a esta metodologia. Por isto reivindicamos que os resultados sejam estabelecidos em conjunto com os bancários e seus representantes, por meio dos sindicatos”, acrescenta Sergio Francisco, membro da Comissão de Organização dos Empregados (COE Itaú).
O movimento sindical está constantemente em contato com o Itaú para solucionar os problemas das agências, mas até o momento não obteve resposta.
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