29/07/2022
Sem legislação sobre o tema, demissão por WhatApp se tornou comum após pandemia
O constrangimento vivenciado pelo médico ortopedista Victor Hugo Heckert, no Rio Grande do Sul, após ter sido demitido via WhatsApp ganhou repercussão na mídia após uma postagem feita por ele, em seu Twitter, denunciar a situação. O caso do gaúcho não é o único. Esta maneira de ‘tratamento’ vem desde antes da pandemia, mas neste período passou a ser prática recorrente de várias empresas. Prova disso foi a enxurrada de comentários nas redes sociais, relatando casos como o dele.
Dados levantados pela plataforma DataLawyer Insights, que elabora estatísticas sobre processos judiciais mostram que somente em 2020 e 2021, anos em que mais trabalhadores migraram para o teletrabalho ou ficaram isolados, mais de 103 mil ações foram ajuizadas na Justiça do Trabalho, contendo as palavras chave ‘demissão’ e ‘WhatsApp’. Durante esse tempo, tornou-se comum esse tipo de dispensa, “dadas as circunstâncias”, segundo o especialista em Direito do Trabalho, Fernando José Hirsche, sócio do LBS Advogados, que presta assessoria jurídica para a CUT Nacional.
“Na época da pandemia era comum esse tipo de dispensa, inclusive por e-mail e WhatsApp, até porque grande parte da população estava isolada. Mas é importante frisar que nunca houve nenhuma vedação legal para isso, portanto em processos trabalhistas é difícil a Justiça reconhecer danos morais”, ele explica.
E a grande maioria das decisões judiciais têm reconhecido a legalidade da prática, considerando que o WhatsApp é uma ferramenta de comunicação válida, mesmo antes da pandemia. Em 2017, o juiz do Trabalho, Carlos Alves Magalhães, da 3ª Vara do Trabalho de Uberlândia (MG), negou pedido de um trabalhador demitido pelo WhatsApp, considerando que a prática não se configura dano moral, o que mostra que juízes podem não considerar a prática um constrangimento ou humilhação.
“É uma indelicadeza, mas no campo jurídico, realmente não há legislação sobre o tema”, pontua o advogado.
Ao contrário dessa ‘mecanização’, deveriam ser seguidos, minimamente, os preceitos de dignidade e diálogo social, defendidos pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) na promoção do trabalho. A afirmação é do secretário de Relações do Trabalho da CUT, Ari Aloraldo Nascimento.
“Todo processo demissionário deveria ser humanizado e respeitoso. Antes de tudo deveria ser precedido da abertura de canais de diálogo ou negociação com participação dos trabalhadores, tendo o sindicato papel fundamental nesta articulação, junto à empresa”, diz o dirigente.
Casos
Victor Hugo, ortopedista, 29 anos, trabalhava em uma unidade de saúde de Barão de Cotegipe (RS). Sua postagem no Twitter rendeu mais de 94 mil curtidas e mais de 1,5 mil curtidas. Também foi retuitada mais de 3.3 mil vezes.
Dados levantados pela plataforma DataLawyer Insights, que elabora estatísticas sobre processos judiciais mostram que somente em 2020 e 2021, anos em que mais trabalhadores migraram para o teletrabalho ou ficaram isolados, mais de 103 mil ações foram ajuizadas na Justiça do Trabalho, contendo as palavras chave ‘demissão’ e ‘WhatsApp’. Durante esse tempo, tornou-se comum esse tipo de dispensa, “dadas as circunstâncias”, segundo o especialista em Direito do Trabalho, Fernando José Hirsche, sócio do LBS Advogados, que presta assessoria jurídica para a CUT Nacional.
“Na época da pandemia era comum esse tipo de dispensa, inclusive por e-mail e WhatsApp, até porque grande parte da população estava isolada. Mas é importante frisar que nunca houve nenhuma vedação legal para isso, portanto em processos trabalhistas é difícil a Justiça reconhecer danos morais”, ele explica.
E a grande maioria das decisões judiciais têm reconhecido a legalidade da prática, considerando que o WhatsApp é uma ferramenta de comunicação válida, mesmo antes da pandemia. Em 2017, o juiz do Trabalho, Carlos Alves Magalhães, da 3ª Vara do Trabalho de Uberlândia (MG), negou pedido de um trabalhador demitido pelo WhatsApp, considerando que a prática não se configura dano moral, o que mostra que juízes podem não considerar a prática um constrangimento ou humilhação.
“É uma indelicadeza, mas no campo jurídico, realmente não há legislação sobre o tema”, pontua o advogado.
Ao contrário dessa ‘mecanização’, deveriam ser seguidos, minimamente, os preceitos de dignidade e diálogo social, defendidos pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) na promoção do trabalho. A afirmação é do secretário de Relações do Trabalho da CUT, Ari Aloraldo Nascimento.
“Todo processo demissionário deveria ser humanizado e respeitoso. Antes de tudo deveria ser precedido da abertura de canais de diálogo ou negociação com participação dos trabalhadores, tendo o sindicato papel fundamental nesta articulação, junto à empresa”, diz o dirigente.
Casos
Victor Hugo, ortopedista, 29 anos, trabalhava em uma unidade de saúde de Barão de Cotegipe (RS). Sua postagem no Twitter rendeu mais de 94 mil curtidas e mais de 1,5 mil curtidas. Também foi retuitada mais de 3.3 mil vezes.

Em entrevista ao Uol, o médico afirmou que outros colegas também foram dispensados da mesma maneira. Nos comentários da postagem, vários internautas disseram ter passado pela mesma situação.
SINDICALIZE-SE
MAIS NOTÍCIAS
- Brasil é 55,5% negro, mas terá apenas 26% das cadeiras da Câmara em 2027
- Novembro Azul: informação, prevenção e combate ao preconceito salvam vidas
- Banco Central mantém Selic em 13,75% enquanto mercado financeiro faz pressão especulativa
- Itaú lucra R$ 37,3 bilhões, mas elimina 3.259 empregos e fecha 334 agências em um ano
- Santander: Assembleia virtual nesta sexta-feira (6) delibera sobre ACT e Acordo de PPRS
- Copom decide nesta quarta-feira (4) se reduz ou mantém Selic em 13,75% ao ano
- Sindicato entrega mais de 200 kg de alimentos ao projeto social Prateleira Solidária
- Novas regras do VA e VR ampliam opções de uso; bancários têm benefícios acima da média nacional
- Saúde Caixa começa a compartilhar rede credenciada com a Cassi nesta quarta-feira (4)
- Festa dos Bancários 2026 reúne categoria em dia de confraternização, premiações e solidariedade
- Brasil bate recorde de pessoas com trabalho desde 2012
- A eleição acabou, mas a participação continua: saiba quem e pelo que cobrar
- COE cobra avanços do Bradesco em PPR, banco de horas e condições de trabalho
- Santander lucra R$ 9,7 bilhões, mas fecha quase 6 mil postos de trabalho
- Negociação da Cassi avança com proposta de aporte de R$ 2,288 bilhões