22/06/2022
Cinco maiores bancos lucram quase R$ 30 bi no 1º trimestre; alta média de 15,4% em 12 meses

No 1º trimestre de 2022, os lucros dos cinco maiores bancos do país (Itaú Unibanco, Bradesco, Banco do Brasil, Caixa Econômica e Santander), juntos, somaram R$ 27,6 bilhões, com alta média de 15,4% em doze meses, apesar do cenário econômico difícil em que se encontra o país.
A maior alta se deu no Banco do Brasil (+57,6% no período), cujo lucro totalizou R$ 6,7 bilhões; no Itaú Unibanco, a alta foi de 15,1%, chegando a R$ 7,4 bilhões. O Bradesco lucrou pouco mais de R$ 7,0 bilhões no trimestre, com alta de 13,9%. Por sua vez, com alta de 1,3% no período, o lucro do Santander atingiu R$ 4,0 bilhões. A unidade brasileira foi a que mais contribuiu com o resultado global do Santander, representando cerca de ¼ (ou 25%) do Lucro Líquido de € 2,543 bilhões no 1º trimestre de 2022.
A Caixa Econômica foi a única instituição entre os cinco bancos com queda nos seus resultados. O Lucro Recorrente da Caixa, que exclui efeitos extraordinários, foi de R$ 2,5 bilhões, com queda de 19,6%. O lucro contábil, entretanto, apresentou queda de 44,5%. Grande parte da queda se deve ao provisionamento de 100% da carteira do PRONAMPE (Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte) e do FGI (Fundo Garantidor para Investimentos). Tais resultados elevaram também a rentabilidade sobre o patrimônio líquido dos cincos bancos (o ROE), que variou de 11,0% (na Caixa) a 21% (no Itaú). No Santander, foi de 20,7%; no Bradesco, 18,5%; e, no Banco do Brasil, 17,3%.
Os ativos dos cinco bancos somados totalizam R$ 8,3 trilhões, com alta média de 4,5% em doze meses. Parte desse crescimento se deve às suas carteiras de crédito que, somadas, atingiram R$ 4,2 trilhões, crescendo, em média, 13,5% no período. No segmento de Pessoa Física, chama atenção a alta no segmento de cartão de crédito e no crédito pessoal. Para Pessoa Jurídica, em geral, o segmento das microempresas, pequenas e médias empresas (MPME) apresentou melhor desempenho que o segmento das grandes empresas no período. Segmentos esses com maior risco e, de fato, as taxas de inadimplência apresentaram alta nos relatórios das cinco instituições, todavia, ainda em níveis abaixo do período anterior a pandemia, variando entre 1,9% e 3,2%. Mesmo assim, as despesas com provisões para devedores duvidosos subiram, em média, 53,2% nos bancos, totalizando R$ 9,1 bilhões a mais, impactando negativamente nos lucros, que poderiam ter sido maiores ainda.
Contudo, se os bancos podem se prevenir quanto a tais eventuais perdas, a população vai se complicando cada vez mais com suas dívidas. De acordo com o Banco Central, em 2021 a procura pelo rotativo do cartão de credito foi a maior em 10 anos. Por outro lado, as taxas de juros cobradas pelos bancos pelo rotativo do cartão/pessoa física, em fevereiro de 2022, estavam em média de 355,2% a.a. Com isso, se observa o endividamento cada vez maior das famílias brasileiras, que vem utilizando o cartão de crédito para as despesas mais básicas da casa como, por exemplo, com alimentação. Segundo a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo, mais de 77% das famílias estão endividadas; 28,6% estão com contas em atraso e, mais de 10%, não terão como pagar suas dívidas.
E se os bancos ganham com as taxas de juros elevadíssimas, ganham também com as taxas que cobram de seus clientes. As receitas com prestação de serviços e tarifas dos cinco bancos somou, no 1º trimestre de 2022, R$ 36,2 bilhões, com alta média de 7,0%. Essas receitas cobrem com folga suas despesas de pessoal, incluindo-se o pagamento da PLR. O Banco Santander, por exemplo, cobriu quase duas vezes a sua folha de pagamentos (185,2%).
Ademais, de acordo com o Banco Central, os bancos já fecharam mais de 5.000 agências pelo país, desde 2013. No mesmo período, fecharam mais de 76 mil postos de trabalho bancário, demonstrando que a prioridade dos bancos em digitalizar o máximo possível de suas operações e reduzir sua estrutura física de atendimento, deixando boa parte da população desassistida, sem uma cobertura bancária adequada e mais segura.
Por Vivian Machado: Economista. Mestre em Economia Política pela PUC-SP. Atualmente, técnica do DIEESE, assessorando a Subseção da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (CONTRAF-CUT) e colaboradora do Observatório CONJUSCS da Universidade de São Caetano do Sul.
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