06/05/2022
Casos de racismo assustam o país. Podcast da Contraf-CUT debate o tema; ouça aqui!

O racismo não para de crescer no Brasil. Nos últimos dias, vários casos de preconceito racial ganharam as páginas dos jornais. No Metrô de São Paulo, na noite da última segunda-feira (2), a auxiliar administrativa Wélica Senra Ribeiro, logo após entrar em um vagão, foi agredida por uma mulher branca, identificada como Agnes Vajda, que lhe pediu que se afastasse, pois seu cabelo “poderia causar alguma doença”. Houve revolta generalizada das pessoas que presenciaram a agressão, como pode ser visto em vídeos que viralizaram nas redes sociais. O caso foi registrado em uma delegacia da Polícia Civil.
Na terça-feira (3), outro caso em São Paulo. Durante uma sessão de uma CPI da Câmara Municipal de São Paulo, o áudio do vereador Camilo Critófaro, que participava de modo remoto, vazou, com a seguinte frase: “É coisa de preto”. O parlamentar tentou se explicar, depois admitiu e acabou por dizer que se tratava de uma brincadeira com um amigo que estava a seu lado. Ele foi expulso do partido, o PSB, e o caso será analisado pela Corregedoria da Casa.
"Como percebemos, a própria representação política no Brasil foi construída sobre uma sociedade diversificada, porém elitista. Por isso, você tem um Parlamento que não reflete essa diversidade da sociedade. O perfil do Parlamento é masculino, branco, heterosexual... o que acaba colaborando com a perpetuação do preconceito, desrespeito e desigualdades", acrescenta o presidente do Sindicato dos Bancários de Catanduva e região, Roberto Vicentim.
Nos bancos, a cobrança por igualdade de oportunidades vem sendo há anos uma importante reivindicação nas campanhas nacionais e nas negociações específicas. "Conquistamos avanços importantes, mas não basta obter conquistas no papel. As pesquisas mostram como o preconceito funciona na vida real e é necessário avançar para acabar de uma vez por todas com as discriminações, até que conquistemos na prática o pleno direito de igualdade, de oportunidades e de cidadania para todos os brasileiros", acrescenta Vicentim.
Os casos citados acima não são os únicos recentes a envergonhar o Brasil. Confira no podcast da Contraf-CUT, apresentado por André Accarini, entrevista com o secretário de Combate ao Racismo da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), Almir Aguiar. O dirigente comenta esses e outros casos e faz uma avaliação sobre as causas que fizeram o preconceito aumentar tanto nos últimos anos. Almir afirma que punições mais severas e políticas afirmativas são o caminho para conter a violência da sociedade contra a população negra.
> Ouça o podcast da Contraf-CUT aqui.
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