20/04/2022
33 milhões de trabalhadores não ganham sequer um salário mínimo de R$ 1.212 por mês

A renda média do brasileiro atingiu o menor nível da série histórica no final de 2021, terceiro ano do governo de Jair Bolsonaro (PL), segundo levantamento da LCA Consultores, realizado com base nos indicadores trimestrais da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio) do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
A análise mostra que a remuneração mensal de cerca de 33 milhões de trabalhadores não chega sequer ao valor do salário mínimo, que passou de R$ 1.100 em 2021 para R$ 1.212 neste ano.
Para o Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos), o salário mínimo ideal para atender as necessidades básicas de uma família de quatro pessoas, incluindo alimentação, moradia, saúde, educação, vestuário, higiene, transporte, lazer e previdência, deveria ter sido de R$ 6.394,76, valor 5,28 vezes maior do que o piso nacional, em março.
O cálculo do salário mínimo ideal é feito com base na cesta básica mais cara entre as 17 capitais pesquisadas pelo Dieese. Os dados de abril serão ainda maiores, pois inflação disparou em março e registrou a maior alta desde a criação do Real há 28 anos.
36% do total de trabalhadores ocupados ganhava no máximo 1 salário mínimo
De acordo com o levantamento da LCA Consultores, publicado pelo G1, os brasileiros com uma renda mensal de no máximo 1 salário mínimo passaram a representar desde o ano passado a maior fatia da população ocupada na divisão por faixas de renda. Os mais atingidos pela baixa remuneração costumam ser os trabalhadores com baixa escolaridade e que trabalham na informalidade, fazendo os chamados "bicos" ou "corres".
No final de 2021, o Brasil registrava 33,8 milhões de trabalhadores (36% do total de ocupados) ganhando uma renda mensal de até 1 salário mínimo, “o maior contingente já registrado na série histórica iniciada em 2012. Em um ano, o salto foi de 12,2%, ou 4,4 milhões de pessoas a mais.
O levantamento da LCA aponta que do total de brasileiros com renda de até 1 salário mínimo, 49% possuem até o fundamental completo, outros 40,4% têm o ensino completo ou incompleto e 10,2% chegaram ao ensino superior. A desigualdade também é vista na distribuição por cor da pele: 57,2% se autodeclararam pardos, 30,2% brancos e 12,5% pretos.
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