18/08/2021
Contraf-CUT lança projeto "Basta! Não Irão Nos Calar!" contra a violência doméstica
A reunião da Direção Nacional da Contraf-CUT (Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro), realizada na terça-feira (17), lançou nacionalmente o projeto Basta! Não Irão Nos Calar! Com o projeto, a Contraf-CUT vai apoiar na implantação de serviços e atendimento de mulheres vítimas de violência doméstica e familiar. O projeto será desenvolvido nas federações e nos sindicatos da categoria bancária e tem por objetivo capacitar as entidades a criar canais de atendimento às vítimas. O atendimento é de assessoria jurídica, desde a orientação para a procura dos canais e serviços públicos até orientações sobre questões como guarda dos filhos.
“A Contraf-CUT vai ajudar as federações e os sindicatos a criarem seus canais de atendimento das vítimas de violência doméstica. É um projeto muito importante, porque infelizmente tem muitas mulheres e entre elas muitas bancárias vítimas de violência. Temos que fazer a nossa parte. O governo desmontou praticamente tudo que tinha de avanço. Vamos fazer a nossa parte até colocar esse país de volta ao eixo. Temos que lutar, resistir e transformar o que pudermos transformar porque vamos colher os frutos de um país melhor, mais feliz, mais justo. Temos obrigação de fazer essa luta”, afirmou a presidenta da Contraf-CUT, Juvandia Moreira. A Direção Nacional da Contraf-CUT aprovou por unanimidade a realização do projeto.
Problema amplo
O projeto Basta! Já existe há dois anos no Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região. Nesse período, realizou 162 atendimentos. O objetivo do projeto é dar assessoria técnica e especializada para entidades filiadas à Contraf-CUT, como o Sindicato dos Bancários de Catandva e região, criarem canais de atendimento para orientação e atendimento das vítimas de violência doméstica e familiar.
A violência doméstica não é um problema só das mulheres. É um problema social, um drama para inúmeras famílias. Tem consequências até na economia. Uma pesquisa da Universidade Federal do Ceará mostra que a economia do país perde R$ 1 bilhão com os impactos desse problema. A pesquisa é de 2017 e o problema deve estar muito maior agora, com a pandemia.
Fases
A advogada e feminista Phamela Godoy, que dará assessoria técnica para a implantação do projeto nas entidades, explicou que o desenvolvimento do projeto acontece em cinco etapas. A primeira é definir como se dará o primeiro atendimento às vítimas, se por meio de redes sociais, por telefone ou atendimento presencial. Também é necessário definir o horário de atendimento. A fase dois é definir quem fará o atendimento, se dirigentes sindicais, advogadas da entidade ou advogadas parceiras.
A terceira etapa é a formação da equipe do projeto, em um curso com 30 horas de duração. “Teremos discussão de temas como desigualdades, atendimento humanizado, Lei Maria da Penha e outros instrumentos legislativos”, explicou Phamela. A quarta fase é sobre a articulação com a rede local de enfrentamento à violência doméstica, quais os serviços disponíveis na região. A última etapa é a de acompanhamentos dos primeiros atendimentos.
Roberto Vicentim, presidente do Sindicato dos Bancários de Catanduva e região, destaca que é dever do estado criar política de acolhimento, de emprego e renda para mulheres. Mas nesse momento de tantos retrocessos, esse projeto ocupa um espaço fundamental para ampliar e fortalecer esse debate.
"O Brasil tem números alarmantes de agressões praticadas diariamente contra as mulheres em suas próprias casas. As bancárias não estão imunes. Humilhadas e constrangidas, muitas vezes precisam faltar ao trabalho, perdem produtividade e muitas acabam sendo demitidas. Isso é punir quem é vítima! Parte dessa luta contra a violência de gênero está nosso empenho em buscar formação para mudarmos uma cultura enraízada na sociedade na qual estamos incluídos. É muito importante ampliarmos essa defesa possibilitando às bancárias proteção e assistência também no Sindicato. É importante que saibam que somos muito mais do que uma entidade que faz reivindicações salariais. Somos um sindicato cidadão, e estamos na luta e na vida com a categoria!", ressaltou Vicentim.
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