26/10/2020
Brasil fechou mais empresas do que abriu pelo 5º ano seguido, apontam dados do IBGE

"É preocupante porque isso gera desemprego, desigualdade, pobreza, miséria", observa José Silvestre
(Foto: Tania Regô/EBC)
Levantamento do IBGE divulgado na última quinta-feira (22) mostra que o Brasil fechou mais empresas do que abriu entre 2014 e 2018. Pelo quinto ano seguido, o saldo de empresas – que registra a diferença entre as que entraram e saíram do mercado – foi negativo (menos 65,9 mil). No total, 382,5 mil estabelecimentos foram fechados, o que levou à perda dos postos de ocupação de 2,9 milhões de trabalhadores assalariados.
O estudo Demografia das Empresas e Estatísticas de Empreendedorismo 2018 também destaca que a maior taxa de saída das empresas ocorreu no Amazonas. Ao menos 21,6% fecharam as portas nestes cinco anos no estado. A segunda taxa mais alta foi no Pará, com 20,8% e a terceira no Distrito Federal, que registrou 20,7% dos fechamentos. A região Sul, no entanto, concentrou os resultados inversos. Santa Catarina (13,4%), Rio Grande do Sul (15,5%) e Paraná (15,9%) tiveram as menores taxas.
Para o diretor-adjunto do Dieese, José Silvestre, os dados são “reflexo do baixíssimo desempenho da economia brasileira. Sobretudo com a recessão de 2015 e 2016, que derrubou o PIB em cerca de 7%, e mesmo nos anos posteriores, quando o crescimento foi pífio”, pontua. “Por isso não poderia ter sido diferente do ponto de vista do comportamento das empresas”, analisa na coluna do Dieese no Jornal Brasil Atual.
Concentração de mercado
O comércio foi o setor que mais contribuiu para a redução do número de empresas. A pesquisa do IBGE também observou que quanto maior o porte da empresa, maior é a taxa de sobrevivência no mercado. Nas chamadas empresas de alto crescimento, em que a contratação é superior a 20%, a taxa alcança até 96,1%, enquanto nas micro e pequenas empresas a sobrevivência cai para 64,5%.
De acordo com Silvestre, a pesquisa evidencia que são essas companhias que sentem mais a crise, o que afeta diretamente o emprego e por consequência a renda dos trabalhadores. Dados do Sebrae de 2019, por exemplo, mostram que as pequenas empresas somam 54% dos empregos formais no país. Mesmo assim, são elas que têm o menor a acesso a crédito e financiamento.
Reformas são ladainhas
“A pesquisa revela nada mais e nada menos que um processo de baixíssimo crescimento da economia brasileira. Em que pese todas as reformas que foram feitas durante esse período pelo governo de Michel Temer, como a reforma trabalhista, que tinha como um dos grandes argumentos por parte dos defensores que iria, entre outras coisas, gerar emprego. E mesmo o atual governo, embora a pesquisa não alcance esse período, a ladainha é que as reformas fariam com que a economia brasileira deslanchasse, crescesse e gerasse renda. A gente está vendo exatamente o contrário, não temos tido crescimento, em 2019, ele foi pouco mais do que 1%”, avalia Silvestre.
O diretor-adjunto já projeta que, pela insistência do governo de Jair Bolsonaro com medidas reformistas e de austeridade fiscal, além dos impactos da pandemia, a série histórica do IBGE sobre as empresas divulgada em 2022 pode ser ainda pior.
“Mesmo que o país cresça em 2021, e deve crescer, o crescimento será sobre uma base muito deprimida que vai ser o ano de 2020. Para uma recuperação da economia que nos leve de volta ao patamar de 2010, precisaríamos ter uma taxa de crescimento na ordem de 3% a 4% em três ou quatro anos consecutivos”, conclui Silvestre.
Confira a entrevista
O estudo Demografia das Empresas e Estatísticas de Empreendedorismo 2018 também destaca que a maior taxa de saída das empresas ocorreu no Amazonas. Ao menos 21,6% fecharam as portas nestes cinco anos no estado. A segunda taxa mais alta foi no Pará, com 20,8% e a terceira no Distrito Federal, que registrou 20,7% dos fechamentos. A região Sul, no entanto, concentrou os resultados inversos. Santa Catarina (13,4%), Rio Grande do Sul (15,5%) e Paraná (15,9%) tiveram as menores taxas.
Para o diretor-adjunto do Dieese, José Silvestre, os dados são “reflexo do baixíssimo desempenho da economia brasileira. Sobretudo com a recessão de 2015 e 2016, que derrubou o PIB em cerca de 7%, e mesmo nos anos posteriores, quando o crescimento foi pífio”, pontua. “Por isso não poderia ter sido diferente do ponto de vista do comportamento das empresas”, analisa na coluna do Dieese no Jornal Brasil Atual.
Concentração de mercado
O comércio foi o setor que mais contribuiu para a redução do número de empresas. A pesquisa do IBGE também observou que quanto maior o porte da empresa, maior é a taxa de sobrevivência no mercado. Nas chamadas empresas de alto crescimento, em que a contratação é superior a 20%, a taxa alcança até 96,1%, enquanto nas micro e pequenas empresas a sobrevivência cai para 64,5%.
De acordo com Silvestre, a pesquisa evidencia que são essas companhias que sentem mais a crise, o que afeta diretamente o emprego e por consequência a renda dos trabalhadores. Dados do Sebrae de 2019, por exemplo, mostram que as pequenas empresas somam 54% dos empregos formais no país. Mesmo assim, são elas que têm o menor a acesso a crédito e financiamento.
Reformas são ladainhas
“A pesquisa revela nada mais e nada menos que um processo de baixíssimo crescimento da economia brasileira. Em que pese todas as reformas que foram feitas durante esse período pelo governo de Michel Temer, como a reforma trabalhista, que tinha como um dos grandes argumentos por parte dos defensores que iria, entre outras coisas, gerar emprego. E mesmo o atual governo, embora a pesquisa não alcance esse período, a ladainha é que as reformas fariam com que a economia brasileira deslanchasse, crescesse e gerasse renda. A gente está vendo exatamente o contrário, não temos tido crescimento, em 2019, ele foi pouco mais do que 1%”, avalia Silvestre.
O diretor-adjunto já projeta que, pela insistência do governo de Jair Bolsonaro com medidas reformistas e de austeridade fiscal, além dos impactos da pandemia, a série histórica do IBGE sobre as empresas divulgada em 2022 pode ser ainda pior.
“Mesmo que o país cresça em 2021, e deve crescer, o crescimento será sobre uma base muito deprimida que vai ser o ano de 2020. Para uma recuperação da economia que nos leve de volta ao patamar de 2010, precisaríamos ter uma taxa de crescimento na ordem de 3% a 4% em três ou quatro anos consecutivos”, conclui Silvestre.
Confira a entrevista
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