16/10/2020
Sob gestão Bolsonaro, prioridade na Caixa Econômica Federal não é atender filas

Bolsonaro acompanha atendimento ao público em agência-barco da Caixa.
(Reprodução: TV Brasil)
Com o retorno da cobrança por metas, que havia sido suspensa entre março e junho, após reivindicação das entidades representativas, os empregados estão passando por situações extremamente delicadas.
O vice-presidente de Rede da Caixa, Paulo Henrique Ângelo, chegou a falar das agências atingirem o índice de 200% da meta em certos produtos. Recentemente, um aumento na margem consignável foi usado como justificativa para aumento absurdo nas metas, sob a alegação de mudança nas “condições de mercado”.
As mesmas condições de mercado são ignoradas pela direção da Caixa quando é cobrado dos empregados o aumento nas vendas de previdência, produto que é oferecido como aplicação financeira no balcão e que está com rentabilidade negativa.
Chama a atenção a incoerência da presidência do banco. Em evento recente, na agência-barco, o presidente Pedro Guimarães posou para fotos ao lado do presidente da República, transmitindo a imagem de que a prioridade da Caixa neste momento seria o atendimento da população que busca o Auxílio Emergencial.
O cenário real, para quem conhece o dia-a-dia do banco, é o oposto: mesmo com todas as SRs da SUV São Paulo “no azul”, em alta performance, frases como “o azul é o novo normal”, “vocês têm que estar todos ‘nas cabeças’” e “se vocês são bons mesmo, agora é hora de brigar pelo ranking”, são comumente ouvidas.
É evidente que o direcionamento dos esforços é para as “entregas” do Conquiste. Com isso, poucos empregados dão conta das filas, já que na prática a prioridade passou a ser os produtos. Assim, o atendimento das filas e a aplicação das medidas de prevenção conquistadas no início da pandemia são postas de lado. O resultado desta pressão são os empregados exauridos, o retorno das filas e o aumento do número de casos de coronavírus, que ficou evidente com a testagem sorológica.
Enquanto isso, mais uma vez, o presidente da Caixa faz política aparecendo ao lado do presidente da República.
"Em uma conjuntura de paralisação da economia, que mantém mais de 13 milhões de pessoas sem emprego, aumentar as metas é uma atitude no mínimo irresponsável da direção da Caixa", avalia o diretor do Sindicato Antônio Júlio Gonçalves Neto. "A Caixa diz que a meta é a vida, mas este tipo de gestão mostra que a prioridade não é a vida e muito menos a saúde dos empregados ou da população", denuncia o diretor.
"Se o trabalhador já adoece normalmente por sobrecarga de trabalho devido a sua rotina estressante e à falta de empregados nas unidades, o que acontecerá em um cenário de crise sanitária, com pressões irresponsáveis por metas somente para alimentar o apetite voraz de Pedro Guimarães?”, questiona Tony. "Desde o início da pandemia, o movimento sindical cobrou a suspensão da cobrança de metas e exige que haja negociação para que a medida seja retomada, de forma justa e no momento oportuno. Não vamos aceitar que a gestão do banco e este governo coloquem o lucro na frente das vidas. É cruel e desumano!”, conclui o diretor.
O vice-presidente de Rede da Caixa, Paulo Henrique Ângelo, chegou a falar das agências atingirem o índice de 200% da meta em certos produtos. Recentemente, um aumento na margem consignável foi usado como justificativa para aumento absurdo nas metas, sob a alegação de mudança nas “condições de mercado”.
As mesmas condições de mercado são ignoradas pela direção da Caixa quando é cobrado dos empregados o aumento nas vendas de previdência, produto que é oferecido como aplicação financeira no balcão e que está com rentabilidade negativa.
Chama a atenção a incoerência da presidência do banco. Em evento recente, na agência-barco, o presidente Pedro Guimarães posou para fotos ao lado do presidente da República, transmitindo a imagem de que a prioridade da Caixa neste momento seria o atendimento da população que busca o Auxílio Emergencial.
O cenário real, para quem conhece o dia-a-dia do banco, é o oposto: mesmo com todas as SRs da SUV São Paulo “no azul”, em alta performance, frases como “o azul é o novo normal”, “vocês têm que estar todos ‘nas cabeças’” e “se vocês são bons mesmo, agora é hora de brigar pelo ranking”, são comumente ouvidas.
É evidente que o direcionamento dos esforços é para as “entregas” do Conquiste. Com isso, poucos empregados dão conta das filas, já que na prática a prioridade passou a ser os produtos. Assim, o atendimento das filas e a aplicação das medidas de prevenção conquistadas no início da pandemia são postas de lado. O resultado desta pressão são os empregados exauridos, o retorno das filas e o aumento do número de casos de coronavírus, que ficou evidente com a testagem sorológica.
Enquanto isso, mais uma vez, o presidente da Caixa faz política aparecendo ao lado do presidente da República.
"Em uma conjuntura de paralisação da economia, que mantém mais de 13 milhões de pessoas sem emprego, aumentar as metas é uma atitude no mínimo irresponsável da direção da Caixa", avalia o diretor do Sindicato Antônio Júlio Gonçalves Neto. "A Caixa diz que a meta é a vida, mas este tipo de gestão mostra que a prioridade não é a vida e muito menos a saúde dos empregados ou da população", denuncia o diretor.
"Se o trabalhador já adoece normalmente por sobrecarga de trabalho devido a sua rotina estressante e à falta de empregados nas unidades, o que acontecerá em um cenário de crise sanitária, com pressões irresponsáveis por metas somente para alimentar o apetite voraz de Pedro Guimarães?”, questiona Tony. "Desde o início da pandemia, o movimento sindical cobrou a suspensão da cobrança de metas e exige que haja negociação para que a medida seja retomada, de forma justa e no momento oportuno. Não vamos aceitar que a gestão do banco e este governo coloquem o lucro na frente das vidas. É cruel e desumano!”, conclui o diretor.
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