15/10/2020
Absurdo: banco Itaú dobra metas em plena pandemia e sobrecarrega bancários

Não bastassem as demissões que estão ocorrendo no Itaú, o banco está dobrando as metas exigidas dos trabalhadores pelo Agir, programa com uma série de itens de vendas e atendimento a serem cumpridos. E isso em plena pandemia de coronavírus, momento em que a comercialização de produtos bancários está muito mais difícil.
O crédito consignado é um exemplo: em outubro a meta do produto pelo Agir veio 30% maior do que em setembro, e após o governo divulgar o aumento na margem de consignado INSS de 30% para 35%, a meta do consignado aumentou mais 30%. Mas as exigências do Agir incluem também itens como tempo de atendimento ao cliente, contratação de crédito, abertura de contas, venda de plano de capitalização, entre outros. E vários desses pontos tiveram suas metas ampliadas sem levar em conta o momento atípico pelo qual o país está passando por conta da pandemia de coronavírus.
O Itaú precisa levar em consideração que o país está enfrentando uma crise sanitária e econômica sem precedentes nas últimas décadas, que o desemprego está ainda maior, e que poucas pessoas estão dispostas a contratar produtos bancários.
As próprias condições de funcionamento das agências dificulta o alcance das metas: as unidades estão funcionando em horários reduzidos, muitos bancários estão afastados por serem do grupo de risco, e muitos clientes não estão indo às agências, nem dispostos a atender os bancários por telefone. Tudo isso, somado ao medo das demissões promovidas pelo Itaú em plena pandemia, tem deixado os trabalhadores sobrecarregados, estressados e adoecendo.
“Não aceitamos que o Itaú faça cobranças abusivas de funcionárias e funcionários para que cumpram metas em uma situação como a que estamos vivendo. Os trabalhadores já vivem apreensivos com a pandemia e não é possível que sejam ainda mais pressionados nos locais de trabalho. O compromisso de cobrar com razoabilidade já não atendia nossa reivindicação, mas nem isso o Itaú tem feito. Razoabilidade, bom senso e respeito estão bem longe das práticas de gestão que observamos no banco. A vida vale mais que o lucro e o Itaú deve respeitar os trabalhadores, agindo com responsabilidade social", reforça o secretário geral do Sindicato dos Bancários de Catanduva e Região, Júlio César Trigo.
O movimento sindical está cobrando do banco que revise as metas do Agir, que estão ultrapassando os 1.200 pontos. As metas abusivas sempre foram um problema no setor financeiro, e as entidades representativas sempre atuaram tentando combater o problema. Mas, o Itaú está passando dos limites. Exigir o cumprimento de 150% das metas nessas condições totalmente adversas, e com o banco alegando baixa performance para demitir é desumano. As entidades continuarão cobrando que isso seja revisto.
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