13/05/2020
Entidades repudiam PL que fixa horário especial de funcionamento durante pandemia

Milhões de brasileiros vivem o descaso do governo federal frente à maior crise global vivida nos últimos tempos. Este cenário fica ainda mais claro ao observarmos as filas e aglomerações em frente a algumas agências da Caixa. Para piorar, o deputado federal Diego Andrade (PSD-MG) apresentou, nesta semana, o Projeto de Lei que fixa horário especial de funcionamento da Caixa durante a pandemia.
Pelo texto do PL 2489/20 em análise na Câmara dos Deputados, a Caixa fixa o horário de atendimento, das 6h às 22h durante a pandemia. “A medida sobrecarrega os empregados da Caixa. A pauta do movimento sindical segue ao contrário deste PL, ou seja, caso o horário de atendimento seja ampliado, deve haver a contratação de dois turnos. Por isso, nós, como representantes dos trabalhadores, repudiamos um projeto que coloca em risco ainda mais a saúde dos trabalhadores neste momento tão crítico. As filas são consequência da falta de organização e de planejamento do governo federal”, explicou o secretário de Finanças da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT) e presidente da Federação Nacional das Associações do Pessoal da Caixa Econômica Federal (Fenae), Sérgio Takemoto.
Para os representantes dos empregados da Caixa, o governo desconhece o seu próprio povo. “Desde o início, o movimento sindical e a Fenae vêm solicitando que o governo fizesse a descentralização destes pagamentos, pois já prevíamos um acúmulo grande de pessoas em busca deste auxílio. O país é extremamente carente e desigual e parece que o governo não conhece a realidade do seu povo, que previa o pagamento para 45 milhões de pessoas, o que já ultrapassou a casa de 50 milhões de pessoas e temos mais 20 milhões esperando receber”, disse Takemoto.
Segundo Juvandia Moreira, presidenta da Contraf-CUT, o autor deste projeto quer apenas cinco minutos de fama. “O ideal seria que o governo investisse no maior banco público do país e adotasse medidas de descentralização do pagamento para todos os bancos. Se depender desse governo, o caos nas filas irá continuar, as mortes pela pandemia e os casos de contaminação vão continuar se multiplicando, sem que haja um plano nacional de emergência para sair desta grave crise”, ressaltou.
O movimento sindical já cobrou dos bancos Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), protetores acrílicos nas agências para diminuir os índices de contaminação, entre outras coisas. No início da semana, os governos municipais e estaduais começaram a atender as orientações dos representantes dos empregados da Caixa com resultados positivos. Um exemplo disso é que algumas prefeituras do país começaram a instalar toldos e cadeiras em frente às agências, entre outras medidas. De acordo com Takemoto, infelizmente, estas são iniciativas isoladas, sem uma coordenação do governo federal, que tem deixado claro que a saúde da população não é sua prioridade.
A jornada de trabalho da categoria deve ser cumprida de segunda a sexta-feira. Sobre o trabalho aos sábados, domingos e feriados, deve ser negociado previamente com a entidade de representação sindical. O que está havendo é que o governo não tem capacidade (ou não quer) resolver o problema e está jogando tudo nas costas dos empregados da Caixa.
"Com a ampliação do horário de atendimento, sem respeitar a jornada de trabalho dos empregados, a Caixa e o governo provocam mais desgastes aos trabalhadores que já tiveram uma semana de jornada extenuante e excessiva e que gerou esgotamento físico, mental e emocional para efetuar o pagamento para mais de 50 milhões de brasileiros que aguardavam o auxílio emergencial. Infelizmente, ao invés do governo e da direção da Caixa realizarem o trabalho que lhes cabe, preferem jogar todo o peso da própria irresponsabilidade nas costas dos empregados da Caixa, que estão dando um verdadeiro exemplo de compromisso com a sociedade", denuncia o diretor do Sindicato dos Bancários de Catanduva e Região, Antônio Júlio Gonçalves Neto.
> Clique aqui para votar contra a proposta no portal de consulta público da Câmara dos Deputados.
“A própria Caixa reconheceu que não houve uma procura para estender o atendimento. Os empregados estão exaustos física e mentalmente e precisam e merecem descansar nos finais de semana. Inclusive já solicitamos que não houvesse mais os trabalhos aos sábados”, finalizou Sérgio.
SINDICALIZE-SE
MAIS NOTÍCIAS
- Eleições da Cassi começam nesta sexta-feira (13); associados podem votar por aplicativo, site e terminais do BB
- Mesmo com mercado de trabalho aquecido, bancos eliminam 8,9 mil postos em 2025; mulheres são mais afetadas
- Pela vida das mulheres: Sindicato mobiliza agências e reforça combate à violência de gênero
- Sindicato denuncia fechamento de agência do Bradesco em Ariranha e cobra responsabilidade social do banco
- Resultado do ACT Saúde Caixa: manutenção de valores de mensalidades do plano em 2025 exigiu aporte de R$ 581 mi da Caixa
- Banesprev: vem aí um novo equacionamento de déficit para o Plano II
- COE Itaú cobra transparência sobre plano de saúde, questiona fechamento de agências e discute renovação do acordo da CCV
- Eleição para o CA da Caixa terá segundo turno. Apoio do Sindicato é para Fabi Uehara
- Votação para representante dos empregados no CA é retomada. Vote Fabi Uehara!
- Baixe aqui as cartilhas de combate à violência de gênero
- Categoria reconhece força e presença dos sindicatos, aponta pesquisa da FETEC-CUT/SP
- Planejamento da FETEC-CUT/SP debate campanha salarial e cenário político de 2026
- Bancárias foram às ruas no 8 de Março contra o feminicídio e a escala 6x1, por soberania e por mais mulheres na política
- Após divulgação do lucro do Mercantil, COE solicita reunião para esclarecer valores da PLR
- Sindicato convoca assembleia para eleger delegados para o 7º Congresso Nacional da Contraf-CUT