05/03/2020
Santander não atende reivindicação sobre a isenção total de tarifas para os bancários
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Representantes dos bancários e do Santander iniciaram os debates sobre a minuta de reivindicações para o Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) dos empregados na terça e na quarta-feira (3 e 4). Os trabalhadores querem que, além da renovação das cláusulas vigentes, haja avanços em alguns pontos, entre eles a isenção de tarifa e linhas de crédito com condições diferenciadas para os empregados do banco.
No dia 3 o banco havia apresentado uma proposta que prevê a renovação do atual acordo, alterando apenas o índice de correção do piso do Programa Próprio de Resultados Santander (PPRS), de acordo com o índice da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) da categoria. Os representantes dos trabalhadores recusaram a proposta do banco no momento de sua apresentação e deixaram claro que, além de renovar na íntegra o aditivo, é preciso avançar em alguns pontos.
“O banco tem condições de atender todas as reivindicações apresentadas. Estamos aguardando uma proposta que dialogue com os anseios dos trabalhadores”, disse o secretário de Assuntos Socioeconômicos e representante da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT) nas negociações com o Santander, Mario Raia, lembrando que, no Brasil, o Santander obteve Lucro Líquido Gerencial de R$ 14,550 bilhões em 2019, crescimento de 17,4%, em relação a 2018, montante que representa 28% do lucro global do banco, que foi de € 8,252 bilhões (com crescimento de 3% em um ano).
Reivindicações
Entre as reivindicações, além da renovação da íntegra do atual acordo; da isenção total de tarifa de conta corrente; e linhas de crédito com taxas mais acessíveis para os funcionários do Santander, os trabalhadores reivindicam que sejam revistos os custos de coparticipação do plano de saúde; haja redistribuição da bolsa auxílio pós-graduação e MBA; e que o piso da PPRS seja de R$ 3.658,00, para equiparar o resultado do banco à participação paga aos empregados. “Entre 2015 a 2019, o lucro do banco cresceu 120%. No mesmo período, o piso da PPRS cresceu apenas 32%”, explicou o dirigente da Contraf-CUT.
Os trabalhadores também reivindicam que o banco pague não só a primeira prova do CPA20, mas também as outras que os funcionários tiverem que fazer, já que a certificação é uma exigência do banco.
As reivindicações foram definidas em consulta realizada aos bancários durante os meses de janeiro e fevereiro.
“Os funcionários do banco não pagam tarifas em nenhum dos países onde o banco está presente. Somente aqui no Brasil o banco cobra tarifas de seus funcionários”, observou a coordenadora da Comissão de Organização dos Empregados (COE) do Santander, Maria Rosani.
Contraproposta do banco
O banco apresentou uma contraproposta que não atende as reivindicações dos trabalhadores. A proposta prevê a melhoria na redistribuição das bolsas de estudo sendo 1.000 bolsas para a primeira graduação, 1.400 bolsas para a segunda graduação e 100 bolsas para cursos de MBA.
Sobre a CPA20, a banco disponibilizará um simulador para os funcionários treinarem e estudarem antes de fazerem a prova e que marcará a prova do funcionário quando este atingir 80% de aproveitamento no simulador.
Para a PPRS, a proposta do banco é aumentar o piso dos R$ 2.660,00 atuais para 2.800,00. Para o ano 2020 e 2021 a PPRS seria reajustado pelo índice da CCT daquele ano.
Em relação à isenção de tarifas, o banco pediu 30 dias para apresentar uma proposta, mas não quer vincular a renovação do aditivo à essa pauta.
Diante da não aceitação da proposta pelos representantes dos trabalhadores, o banco alegou que não tinha mais como avançar na proposta e encerrou a mesa negociações.
“Valorizamos o processo de negociação e sabemos da importância deste acordo tanto para o banco quanto para os trabalhadores. Por isso, esperamos que nos seja apresentada uma proposta que atenda às reivindicações levantadas na consulta junto os funcionários do banco”, finalizou a coordenadora da COE Santander.
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