05/02/2020
Dieese terá novo diretor técnico; Fausto Augusto Junior é quem assume o cargo

Fausto (ao microfone) e Maria Aparecida Faria (segunda à direita), nova presidenta do Dieese: ação unitária
(Foto: Roberto Parizotti/Fotos Públicas)
O Dieese possui um novo diretor técnico desde terça-feira (4): o cientista social Fausto Augusto Junior, 45 anos, assumiu o cargo no lugar do sociólogo Clemente Ganz Lúcio, que permaneceu na função durante 16 de seus mais de 35 anos no instituto. Clemente foi o segundo diretor técnico mais longevo do Dieese. Ficou menos tempo apenas que o economista Walter Barelli (22 anos), que morreu em julho do ano passado.
Segundo Clemente, a mudança “será fundamental para o Dieese percorrer esse período de graves adversidades. “Nos últimos três anos reestruturamos o Departamento para dotá-lo de capacidade para enfrentar os enormes desafios que já passamos e os que virão”, afirmou, em mensagem por rede social. “Continuarei refletindo sobre o futuro do trabalho, do sindicalismo e das políticas públicas para o desenvolvimento. E principalmente, continuarei lutando para promovermos transformações sociais no sentido da justiça, da igualdade e solidariedade.”
Paulistano, Fausto formou-se em Ciências Sociais na Faculdade de Filosofia Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da Universidade de São Paulo. Antes de ser sociólogo, foi eletrotécnico, trabalhando em empresas como Eletropaulo e TVA. Também trabalhou como professor na rede estadual, até chegar, em 1996, ao Dieese, que teve apenas seis diretores técnicos até hoje: José Albertino Rodrigues (1956-1962, 1965-1966), Lenina Pomeranz (1962-195), Heloísa Helena de Souza Martins (1966 a 1968), Walter Barelli (1968-1990), Sérgio Mendonça (1990-2003) e Clemente, de 2003 até agora.
A organização do Dieese inclui uma direção técnica e uma direção sindical. O primeiro presidente da entidade foi Salvador Romano Losacco, do Sindicato dos Bancários de São Paulo. Em período mais recente, representantes da CUT e da Força Sindical passaram a revezar-se no comando. O atual presidente é Bernardino Jesus de Brito, do Sindicato dos Eletricitários de São Paulo (Força), que na terça foi substituído por Maria Aparecida Faria (CUT).
O instituto foi criado por sindicalistas desconfiados dos índices oficiais de inflação. Aos poucos, as atividades do Dieese foram se diversificando. Apenas em 2018, último dado disponível, o departamento prestou 1.470 atendimentos ao movimento sindical, com os mais variados temas, como negociação coletiva, políticas públicas, emprego e renda, “reforma” trabalhista e indicadores macroeconômicos. Foram realizados 708 estudos para subsidiar campanhas salariais ou analisar particularidades das categorias profissionais.
Entre as pesquisas feitas regularmente, estão as que calculam o valor da cesta básica e o salário mínimo necessário, além da inflação no município de São Paulo (ICV). No ano passado, deixou de ser feita a Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED), que desde 1985 era feita em parceria com a Fundação Seade. Em depoimento para o próprio instituto, o novo diretor técnico destacou o papel do Dieese ao oferecer informações do ponto de vista do trabalhador, fazendo o contraponto a um conhecimento que é produzido pelo lado empresarial.
Combate à desigualdade nos mobiliza, diz novo diretor técnico do Dieese
Ao tomar posse como diretor técnico do Dieese, o sociólogo Fausto Augusto Junior chamou a atenção para o momento “conturbado” do país, mas lembrou que isso já faz parte da história do instituto, que se confunde com a do país.
Fausto destacou o rigor científico na produção do Dieese, voltada para o ponto de vista do trabalho. “Fazemos uma ciência de classe, mas fazemos ciência. Fazemos política pela ciência”, disse, lembrando ter sido aluno de Paul Singer, defensor da chamada economia solidária. Em sua fala, ele também citou o educador Paulo Freire.
“Este é um momento de aumento da desigualdade”, lembrou o novo diretor, para quem cabe “resistir e enfrentar algo que nos organiza e nos mobiliza, que é o embate contra a desigualdade”. “Esta é a nossa história”, completou. Além dele, o departamento terá Patrícia Pelatieri e José Silvestre como diretores técnicos adjuntos.
Fausto homenageou dois economistas com quem trabalhou: Roberto Sugiyama, o Japa, que morreu em 2015, e Osvaldo Cavignato, o Osvaldinho, metalúrgico do ABC que se tornou economista. “Uma coisa que a gente aprendeu com eles é que, no Dieese, o conhecimento é coletivo.”
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