09/01/2020
Descaso: Funcef comunica fim do convênio com o INSS e abandona participantes

A participante A.C.L, que preferiu não ser identificada, está preocupada com a decisão da Funcef de não fazer o adiantamento do INSS como é feito desde 1977. Ela recebe de aposentadoria R$ 3 mil da Funcef e mais R$ 3 mil do INSS. Com o fim do convênio anunciado no início do mês passado, ACL só vai receber 50% de seus vencimentos no dia em que sempre recebeu. O restante será pago no mês seguinte, até o dia 10 de cada mês. "Estou desesperada. Todas as minhas contas vencem após o dia 20 e ainda tem o equacionamento e o empréstimo que tive que fazer para ajudar meu filho que está desempregado.
Ela não entende é porque a Funcef não mantém o adiantamento, já que pode fazer isso mesmo sem o convênio com o INSS. "Isso é o que me deixa mais triste. A fundação prefere prejudicar os participantes sem nem ao menos buscar uma solução para reverter essa questão. Isso é lamentável".
O anúncio, que trouxe angústia e preocupação aos participantes, aconteceu no dia quatro de dezembro e desde então os participantes estão correndo para mudar a data de vencimento das faturas com medo de não conseguir fechar as contas no fim do mês.
O fim do adiantamento do benefício do INSS ainda traz outros prejuízos e os participantes têm manifestado pesar pela necessidade de voltar a fazer prova de vida. S.M. desabafa que nos outros bancos a prova de vida pode ser feita no autoatendimento, mas que na Caixa é presencial. Ela também teme não ser notificada e ficar sem o benefício.
Já o participante O.R. se diz muito contrariado pelo fim do convênio ter sido defendido por um conselheiro que foi eleito para defender seus direitos. “Isso é desprezível. Se até os que deveriam nos defender estão contra nós, estamos entregues a nossa própria sorte”, desabafa.
Outros fundos buscam soluções
Diferentemente da postura adotada pela Funcef, a Previ busca soluções para a situação, que também prejudicará os trabalhadores do Banco do Brasil. O diretor eleito de Seguridade, Marcel Barros conta que desde que o comunicado chegou, a fundação e o Banco do Brasil têm feito reuniões com o INSS para reverter a medida e que outros agentes recentemente se somaram à causa.
O principal argumento é que o convênio é benéfico para todos os envolvidos. O INSS é desonerado financeiramente e burocraticamente, o fundo de pensão troca informações com o órgão, o que se reverte em ganho atuarial, e o participante recebe seu pagamento com cerca de 15 dias de adiantamento.
Barros lembrou que o fim do convênio diminui a margem consignável o que pode acarretar na suspensão do crédito para milhares de pessoas.
Barros ainda reforçou a importância de somar esforços outras entidades fechadas de previdência complementar juntarem esforços neste sentido para que as negociações ganhem cada vez mais peso.
Na Funcef, falta de respeito
Um comunicado seco, no site, anunciou o fim de um convênio que existe desde que a Funcef foi criada. Os benefícios concedidos a partir de 1º de janeiro serão pagos diretamente pelo banco e para os já aposentados a mudança acontecerá no mês de março.
A Funcef age como se estivesse se livrando de um peso, já que a direção da Funcef, em especial a área de benefícios, que por sinal é de eleitos, não esboçou nenhuma tentativa de reverter tal medida que trará prejuízo a milhares de participantes.
Além de não demostrar intenção em resolver o problema ou criar outras medidas internas para substituir o convênio, a Funcef anunciou mudanças no Credplan, prejudicando ainda mais os participantes que já vão ter sua margem consignável consideravelmente diminuída com o fim do convênio.
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