20/11/2019
Desigualdade racial no mundo do trabalho reflete regime de escravidão no Brasil

A população negra representa mais da metade dos brasileiros (56%). Mesmo sendo maioria, a desigualdade social por cor e raça ainda é gritante. Prova disso é a desvantagem no mercado de trabalho, nos indicadores de renda, nas condições de moradia, na educação e no acesso a bens e serviços.
De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgados na última quarta-feira (13), trabalhadores brancos ganham, em média, 74% mais do que pretos e pardos. O estudo mostra que a média salarial do brasileiro branco é de R$ 2.796. Já a de pretos e pardos, é de R$ 1.608.
Tal desvantagem também pode ser vista na ocupação de cargos, como os gerenciais, por exemplo. De acordo com o IBGE, quase 70% das vagas destes cargos são para brancos e menos de 30% para pretos ou pardos. A taxa de desocupação também é maior entre negros do que a de pessoas brancas. São 14,1% dos negros e pardos sem trabalho. Entre os brancos, o desemprego é de 9,5%.
Para Almir Aguiar, secretário de Combate ao Racismo da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), os dados mostram que as desigualdades raciais no mundo do trabalho estão ligadas ao regime de escravidão, que perdurou por mais de 300 anos no Brasil.
“O negro por força da Lei, era proibido de frequentar a escola pública, não teve direito à moradia, trabalho, terra, nem a reparação. Mas, no entanto, o Estado indenizou os senhores de engenho e deu terras para os imigrantes”, disse.
“Os números do IBGE, mostram isso, são 131 anos de uma abolição inacabada, que nos forçam a ampliar nossa luta por uma sociedade justa, democrática e com igualdade” afirmou Almir Aguiar.
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