07/10/2019
Desigualdade: 20% de toda renda do Brasil estão nas mãos de apenas 2,7% das famílias

O valor médio mensal recebido pelas famílias brasileiras entre 2017 e 2018 alcançou R$ 5.426,70, a maior parte é rendimento do trabalho (R$ 3.118,66), que corresponde a 57,5% do rendimento total. Mas 23,9% das famílias brasileiras sobrevivem com uma média mensal de apenas R$ 1.245,30, enquanto 2,7% de todas as famílias, ganham até 25 salários mínimos (R$ 23.850,00).
Os dados são da Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF), divulgada na sexta-feira (4), pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
A pesquisa aponta que apenas 1,8 milhão de famílias com renda superior a dez salários mínimos em 2017 (o valor de referência foi R$ 954) receberam 19,9% de todo o valor de rendimentos, seja em salários ou variações patrimoniais.
Desigualdade
A análise por faixas de rendimento mostrou ainda que as 23,9% das famílias brasileiras que ganham menos respondem por 5,5% da renda nacional. Já as 2,7% que ganham mais respondem por 20% de toda a renda média nacional.
E mais: nos lares mais pobres, com rendimento de até R$ 1.908, quase um quarto da renda (24,3%) vem de aposentadorias, pensões e programas sociais. Esse percentual pode chegar a 28,8% se forem consideradas todas as transferências de renda para a população carente.
A análise da composição do rendimento das famílias de classe mais baixa, com renda média total de R$ 1.245,30 por mês – a renda da classe alta é de R$ 17.415,13 por mês -, mostrou que a desigualdade é ainda maior entre elas. Para as mais pobres, 41% da renda vem do trabalho, 28,8% de transferência e 28,2% é rendimento não monetário. Já para as mais ricas, 60,4% é renda do trabalho, 18,5% de transferências, enquanto o rendimento não monetário é de 10,1%.
"O aprofundamento da desigualdade é um mal que tem de ser combatido na luta contra a exploração dos trabalhadores. E o Sindicato tem se empenhado para a construção uma sociedade mais justa e igualitária. A reforma da Previdência, se aprovada, pode gerar lacunas ainda maiores nas desigualdades socioeconômicas. Por isso, defendemos uma reforma tributária, com a taxação de grandes fortunas e para que no Brasil o capital e o trabalho recebam tratamentos iguais", diz o secretário geral do Sindicato dos Bancários de Catanduva e Região, Júlio César Trigo.
IBGE pesquisou nas áreas urbanas e rurais
O estudo, feito nas áreas urbanas e rurais do Brasil entre junho de 2017 e julho de 2018, traz informações sobre a composição orçamentária doméstica e sobre as condições de vida da população, incluindo a percepção subjetiva da qualidade de vida. Segundo o IBGE, o resultado é preliminar e mais informações serão divulgadas nas próximas semanas.
Famílias de zonas rurais ganham pouco mais da metade das áreas urbanas
A pesquisa mostrou diferenças regionais e em relação a situação de domicílio: as famílias que vivem no campo recebiam pouco mais da metade (52,3%) da média do valor recebido em áreas urbanas. Centro-Oeste (R$ 6.772,86) e Sudeste (R$ 6.391,29) foram as regiões com maiores rendimentos, enquanto Nordeste (R$ 3.557,98) e Norte (R$ 3.647,70) são as regiões com os menores valores.
Gastos com saúde aumentam em todas as pesquisas desde 1974
O grupo alimentação mostrou queda de 2,3 p.p. entre as duas últimas edições da POF, passando de 19,8% para 17,5%. Habitação, educação e assistência à saúde tiveram aumentos em relação a 2008-2009, sendo que esta última mostra crescimento em todas as edições da pesquisa.
Metodologia
A POF leva em consideração os rendimentos do trabalho, transferências de renda (valores recebidos de programas governamentais, como Bolsa Família, pensão, aposentadoria, bolsa de estudo, etc, ou recebidos em transações intrafamiliar, como a chamada mesada), rendimento de aluguel (e outros associados ao patrimônio de bens móveis ou imóveis), outras fontes de renda (distintas do trabalho ou de transferências), rendimentos não monetários (atribuído à produção para o próprio consumo ou a doações recebidas de produtos e serviços) e variação patrimonial (saques de poupança, recebimento de herança, venda de imóveis etc).
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