11/09/2019
Datafolha: pesquisa revela que 67% dos brasileiros são contra as privatizações

Pesquisa Datafolha publicada pela Folha de S. Paulo nesta terça-feira 10 aponta que 67% dos brasileiros são contra a entrega do patrimônio público para o capital privado. E apenas 25% são a favor das privatizações, enquanto 6% não sabem e 2% se declaram indiferentes.
“A pesquisa demonstra que grande parte da população tem consciência da importância de preservar e defender a soberania nacional. O desmonte das empresas públicas faz parte da agenda do governo, que visa beneficiar grandes empresários e os bancos privados, comprometendo importantes políticas sociais nas áreas de habitação, agricultura familiar e educacional. Enquanto as empresas públicas tem o dever de praticar a função social que possuem, enxergando a população como cidadãos, as organizações privadas veem apenas como consumidores", afirma o presidente do Sindicato dos Bancários de Catanduva e Região, Roberto Carlos Vicentim.
De 2000 a 2017, ao menos 884 serviços foram reestatizados no mundo, segundo o TNI (Transnational Institute), centro de estudos em democracia e sustentabilidade sediado na Holanda.
E as reestatizações ocorreram em países centrais do capitalismo, como Estados Unidos e Alemanha. Isso por que, segundo o TNI, as empresas privadas priorizavam o lucro e os serviços eram ineficientes e caros. Portanto, forçar a entrega do patrimônio público, como preconiza o governo atual, vai na contramão da tendência mundial e da vontade dos brasileiros.
No dia 4 de setembro foi lançada a Frente Parlamentar e Popular em Defesa da Soberania Nacional na Câmara dos Deputados, em Brasília.
Na ocasião, a Frente aprovou um calendário de mobilização unificado em defesa da soberania nacional.
No dia 20 de setembro será deflagrado Dia Nacional de Paralisações e Manifestações em Defesa do Meio Ambiente, Direitos, Educação, Empregos e Contra a Reforma da Previdência. A atividade foi deliberada na Plenária Sindical Contra as Privatizações de Bolsonaro, realizada no dia 5, no Sindicato dos Bancários de Brasília.
Empresários e quem ganha mais de 10 salários mínimos
A aprovação para a entrega das empresas públicas é maior entre os entrevistados com maior renda familiar, chegando a 50% entre os que têm renda acima de dez salários mínimos, e caindo a 16% para os de renda até dois salários.
O Datafolha mostra ainda que a aprovação das privatizações em geral é mais alta entre homens (32%), pessoas com ensino superior (38%), e empresários (51%).
O tema também tem mais apoio entre os entrevistados que declararam ter votado no atual governo: 39%. Também mostra que os simpatizantes do PSL (67% a favor e 27% contra) defendem mais as privatizações do que os eleitores de Bolsonaro (39% a favor e 53% contra).
A pesquisa foi feita entre os dias 29 e 30 de agosto e ouviu 2.878 pessoas em 175 municípios do país. A margem de erro da pesquisa é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, dentro do nível de confiança de 95%.
Em agosto, o governo ampliou a lista de projetos que deseja entregar ao setor privado. Foram incluídas nove empresas públicas no programa: Correios, Telebrás, Porto de Santos, Empresa de Tecnologia e Informações da Previdência Social (Dataprev), Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro), Agência Brasileira Gestora de Fundos Garantidores (ABGF), Empresa Gestora de Ativos (Emgea), Centro de Excelência em Tecnologia Eletrônica Avançada (Ceitec) e Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (Ceagesp).
SINDICALIZE-SE
MAIS NOTÍCIAS
- 28 de agosto marca trajetória de luta e conquistas dos bancários
- Banco do Brasil apresenta avanços em negociação, mas funcionalismo cobra propostas financeiras
- Comando Nacional derrota propostas de arrocho salarial
- Caixa promete apresentar nova proposta para o Saúde Caixa nesta sexta-feira (28)
- Caixa lucra R$ 7,4 bilhões no semestre e movimento sindical cobra valorização dos empregados
- Sindicato celebra bancários com sorteio de prêmios e reforça mobilização na Campanha Nacional
- Campanha Nacional: Sem aumento real não dá, Fenaban!
- Caixa não apresenta nova proposta para o Saúde Caixa
- Banqueiros propõem reajuste de 62% da inflação, um dos piores de 2026. Comando rejeitou na mesa
- Negociação com a Caixa: Saúde Caixa, carreira, condições de trabalho e contratações estão no centro da Campanha; veja resumo até aqui
- Sete mesas, muitas cobranças e poucas respostas: relembre a negociação com o BB
- Negociação do Banco do Brasil segue sem avanço nas principais reivindicações
- Fenaban não apresenta índice de reajuste e negociação continua nesta terça-feira (25)
- Despesas do Saúde Caixa chegaram a R$ 4,39 bilhões em 2025
- Saúde Caixa e Cassi assinam acordo para compartilhar redes credenciadas