13/08/2019
Marcha das Margaridas tomará Brasília em defesa da soberania e da democracia

Brasília receberá nesta terça (13) e quarta-feira (14), milhares de mulheres na Marcha das Margaridas 2019. A manifestação, que ocorre desde 2000, a cada quatro anos, reúne mulheres do campo, da floresta e das águas, com o objetivo de conquistar visibilidade, reconhecimento social, político e cidadania plena. Elas lutam contra toda forma de exploração, dominação, violência e em favor de igualdade, autonomia e liberdade para as mulheres.
A marcha mesmo, quando as participantes caminham até a Esplanada dos Ministérios, será realizada na manhã da quarta-feira. Mas a mobilização começa nesta terça, com uma sessão solene no plenário da Câmara dos Deputados, às 9h, e a Mostra de Saberes e Sabores das Margaridas, a partir das 14h, no Parque da Cidade. Lá, à noite, será realizado também um ato político cultural.
Homenagem a Margarida Alves
A Marcha homenageia a líder camponesa Margarida Maria Alves, que nesta segunda-feira 12 completa 36 anos de morte: foi assassinada em 12 de agosto de 1983. Presidenta do sindicato dos trabalhadores rurais de Alagoa Grande, município da Paraíba, Margarida Alves lutava por direitos básicos que, em pleno século 20, ainda não haviam chegado para os homens e mulheres do campo no Brasil, entre eles, carteira de trabalho assinada, descanso remunerado, jornada de trabalho de oito horas, 13º salário e férias.
Sua luta desagradou os coronéis do nordeste, em especial os senhores de engenho. Ela foi assassinada na frente do marido e do filho, com um tiro de escopeta calibre 12, que desfigurou seu rosto. O proprietário da maior usina de açúcar local, a Usina Tanques, foi acusado de ser o mandante.
A Marcha
Em entrevista à Rede Brasil Atual, a coordenadora-geral da Marcha 2019, Maria José Morais Costa, a Mazé, contou que milhares de mulheres se envolvem na construção do evento. “É um processo de formação, mobilização e construção na base. A gente define o lema, o caráter e os eixos temáticos que estaremos trabalhando na base”, diz.
“Aí as mulheres passam praticamente dois anos discutindo, fazendo o processo de formação na base. Termina uma marcha, as mulheres já vão pensando (a próxima). Faltando dois anos, já começam a intensificar esse processo. Envolve não só as 100 mil que vêm à Brasília, mas milhares de outras por todo o canto do país e do mundo, que sabem o que é a Marcha das Margaridas”, explica Mazé, que é secretária de Mulheres Trabalhadoras Rurais Agricultoras Familiares da Confederação Nacional de Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares (Contag).
Com 27 federações e mais de 4 mil os sindicatos filiados, a Contag promove as marchas também em parceria com movimentos feministas, de mulheres trabalhadoras, centrais sindicais e organizações internacionais.
De 20 mil participantes no ano 2000, a Marcha multiplicou-se para 40 mil em 2003, 70 mil em 2007, 100 mil nos anos de 2011 e 2015.
Mazé relata que este ano as mulheres estão encontrando muitas dificuldades para a Marcha. “Nesse governo que aí está, que só quer retirar os direitos da classe trabalhadora, sobretudo das mulheres, a gente não tem nem como dialogar.”
Assim, os eixos políticos da Marcha 2019 tocam em pontos nevrálgicos, sob risco no governo Jair Bolsonaro. Tratam da defesa da terra, água e agroecologia; da autodeterminação dos povos, com soberania alimentar e energética; pela proteção e conservação da sociobiodiversidade; por autonomia econômica, trabalho e renda; por previdência e assistência social pública, universal e solidária; por saúde pública e em defesa do SUS; por uma educação sexista e antirracista e pelo direito à educação do campo; pela autonomia e liberdade das mulheres sobre seu corpo e sua sexualidade; por uma vida livre de todas as formas de violência; por democracia com igualdade e fortalecimento da participação política das mulheres.
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