05/06/2019
Senado aprova Medida Provisória que dificulta acesso do trabalhador ao benefício do INSS

(Foto: Agência Senado/ Jeferson Rudy)
A Medida Provisória (MP) 871, também conhecida como MP do pente-fino, foi aprovada, na segunda-feira (3) pelo Senado Federal. A MP será sancionada pelo presidente, Jair Bolsonaro, nos próximos dias e dificultará o acesso dos previdenciários aos benefícios pagos pelo Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS).
O texto da medida, além de alterar regras de concessão dos benefícios pagos pela Previdência Social, entre os quais estão auxílio-reclusão, pensão por morte e aposentadoria rural, prevê ainda a revisão de benefícios pagos atualmente pelo INSS.
De acordo com o governo, com a revisão dos benefícios e as demais medidas previstas no texto aprovado, será possível uma economia de R$9,8 bilhões em 2019. Os representantes do Partido dos Trabalhadores (PT) foram contrários à aprovação e argumentaram que a sonegação de grandes empresas é o maior problema das fraudes. O líder do partido no Senado, Humberto Costa, em protesto, citou exemplos de empresários que devem a Previdência enquanto ostentam vida de luxo.
Segundo Mauro Salles, secretário de Saúde do Trabalhador da Contraf-CUT, a medida não visa evitar a fraude. “É mais um fakenews do governo. A medida não visa enfrentar sonegação. É uma medida que busca ajuste fiscal em cima do sofrimento dos trabalhadores. Uma legião de trabalhadores doentes, com incapacidade permanente está sendo obrigada a voltar ao trabalho e quando retornam são demitidos ou não tem mais para onde voltar. E os grandes sonegadores da previdência continuam intocáveis”, disse.
Para o ex-ministro da Previdência, Carlos Gabas, a intenção do governo é de apenas restringir direitos. “A tal da operação, que eles chamam de pente-fino, não tem nenhuma relação com combate à fraude, propriamente, por que essas medidas de prevenção já faziam parte da rotina do processo de reconhecimento de direito”, afirmou.
Gabas disse ainda que a medida retira a proteção social de quem mais precisa. “Os trabalhadores são os que mais precisam da proteção social. Quando se estabelece a tal da operação “pente-fino”, que diz que é contra fraude e corta benefícios indevidos, cria-se bônus para os médicos peritos realizarem pericias mais rapidamente. Milhares de trabalhadores que estavam sem condição de trabalho, foram mandados de volta ao mercado de trabalho sem readaptação, sem reabilitação profissional e em muitos casos trabalhadores com doenças graves”, disse.
De acordo com o governo, com a revisão dos benefícios e as demais medidas previstas no texto aprovado, será possível uma economia de R$9,8 bilhões em 2019. Os representantes do Partido dos Trabalhadores (PT) foram contrários à aprovação e argumentaram que a sonegação de grandes empresas é o maior problema das fraudes. O líder do partido no Senado, Humberto Costa, em protesto, citou exemplos de empresários que devem a Previdência enquanto ostentam vida de luxo.
Para o ex-ministro da Previdência, Carlos Gabas, a intenção do governo é de apenas restringir direitos. “A tal da operação, que eles chamam de pente-fino, não tem nenhuma relação com combate à fraude, propriamente, por que essas medidas de prevenção já faziam parte da rotina do processo de reconhecimento de direito”, afirmou.
Gabas disse ainda que a medida retira a proteção social de quem mais precisa. “Os trabalhadores são os que mais precisam da proteção social. Quando se estabelece a tal da operação “pente-fino”, que diz que é contra fraude e corta benefícios indevidos, cria-se bônus para os médicos peritos realizarem pericias mais rapidamente. Milhares de trabalhadores que estavam sem condição de trabalho, foram mandados de volta ao mercado de trabalho sem readaptação, sem reabilitação profissional e em muitos casos trabalhadores com doenças graves”, disse.
Para o diretor do Sindicato dos Bancários de Catanduva e Região, Júlio César Trigo, trata-se de uma reforma da Previdência velada, sem o apoio da população, feita sob encomenda por um governo que beneficia poucos em detrimento da classe trabalhadora. Para isso, utilizam como argumento um falso rombo previdenciário, que poderia ser resolvido através da cobrança das dívidas das centenas de empresas que devem ao INSS, dentre as quais se encontram alguns dos bancos mais lucrativos que operam no país.
“Mais uma vez a conta sobra para o trabalhador, que vê seu benefício ser cancelado e, para sobreviver, tem de voltar ao trabalho mesmo sem condições. É a política de um governo que barganha benefícios em troco de apoio político por meio do perdão de dívidas e da concessão de benefícios fiscais a setores patronais, desfalcando ainda mais a Previdência Social", protesta o diretor.
Alteração na regra para trabalhadores rurais
De acordo com o texto aprovado, o trabalhador rural poderá fazer uma autodeclaração de atividade no campo, cuja veracidade será comprovada por órgãos públicos. Isso valerá apenas até 2023. Depois, a autodeclaração não será mais aceita e o trabalhador rural terá de se inscrever no Cadastro Nacional de Informações Sociais (CNIS) para comprovar o tempo de serviço no campo e ter acesso ao benefício.
O governo se comprometeu a adotar um gatilho para que, se em cinco anos, não forem atingidos 50% de cadastrados, o prazo será automaticamente prorrogado, ainda não se sabe por quanto tempo. A promessa é colocar o gatilho no texto da Reforma da Previdência.
Auxílio-reclusão
O auxílio-reclusão só será concedido a trabalhadores que comprovarem ter feito 24 contribuições ao INSS. Antes da MP, não havia essa carência. Além disso, o auxílio-reclusão será pago apenas para dependentes de quem está no regime fechado. Dependentes de presos em regime semiaberto não receberão o benefício.
Revisão de benefícios
A MP, agora PLV nº 11, cria o programa especial de análise de benefício com indícios de irregularidades e o programa de revisão de benefícios por incapacidade. A revisão depende do pagamento de um bônus aos auditores que ainda não foi aprovado no Congresso.
Auxílio-acidente, pensão por morte
Quem recebe auxílio-acidente será obrigado a continuar contribuindo ao INSS para ter direito a aposentadoria, benefícios e deixar pensão a dependentes, em caso de morte.
Violência doméstica
O agressor terá que ressarcir despesas da Previdência Social com vítimas de violência doméstica.
Normas de segurança
As empresas terão que ressarcir despesas da Previdência Social com trabalhador acidentado ou doente em caso de negligência às normas de segurança e de higiene.
Como defender o seu benefício
Para que o trabalhador que teve seu benefício, cortado indevidamente, possa defender o seu direito, o ex-ministro da Previdência alerta: “Sugerimos que o trabalhador procure o departamento jurídico do seu Sindicato e ingresse com uma ação contra o INSS para restabelecer o benefício. A informação que nós temos é que a maioria dos casos, que houve o ajuizamento de uma ação, normalmente no Juizado Especial Federal Previdenciário, o benefício foi restabelecido”, concluiu.
SINDICALIZE-SE
MAIS NOTÍCIAS
- Mercantil registra lucro de R$ 279,4 milhões no trimestre, valor considerado recorde em toda sua história
- Brasil é 55,5% negro, mas terá apenas 26% das cadeiras da Câmara em 2027
- Novembro Azul: informação, prevenção e combate ao preconceito salvam vidas
- Banco Central mantém Selic em 13,75% enquanto mercado financeiro faz pressão especulativa
- Itaú lucra R$ 37,3 bilhões, mas elimina 3.259 empregos e fecha 334 agências em um ano
- Santander: Assembleia virtual nesta sexta-feira (6) delibera sobre ACT e Acordo de PPRS
- Copom decide nesta quarta-feira (4) se reduz ou mantém Selic em 13,75% ao ano
- Sindicato entrega mais de 200 kg de alimentos ao projeto social Prateleira Solidária
- Novas regras do VA e VR ampliam opções de uso; bancários têm benefícios acima da média nacional
- Saúde Caixa começa a compartilhar rede credenciada com a Cassi nesta quarta-feira (4)
- Festa dos Bancários 2026 reúne categoria em dia de confraternização, premiações e solidariedade
- Brasil bate recorde de pessoas com trabalho desde 2012
- A eleição acabou, mas a participação continua: saiba quem e pelo que cobrar
- COE cobra avanços do Bradesco em PPR, banco de horas e condições de trabalho
- Negociação da Cassi avança com proposta de aporte de R$ 2,288 bilhões