23/05/2019
Redução das normas de saúde e segurança podem aumentar acidentes de trabalho

A redução de 90% nas Normas Reguladoras (NRs) de saúde e segurança no trabalho, anunciada pelo governo federal, preocupa cada vez mais as entidades de defesa dos trabalhadores. Dentre as 36 normas a serem revistas, está a NR 12, que regula máquinas e equipamentos.
O setor é o responsável pelo maior número de acidentes de trabalho no país, de acordo com dados oficiais da Previdência Social. De 2012 a 2018, 528.473 acidentes de trabalho foram registrados envolvendo máquinas e equipamentos. Do total de acidentados, 2.058 morreram e 25.790 foram submetidos a amputações ou enucleações, que é a extirpação de um órgão após incisão.
Segundo o Ministério Público do Trabalho (MPT), o total de mortes causadas por esse grupo é três vezes maior e o de amputações chega a ser 15 vezes maior do que a média das demais causas de acidentes do trabalho.
Atenção à NR 17
Um estudo, divulgado pelo Ministério da Saúde, revelou que de 2007 a 2016, o país registrou 67.599 casos de lesões por esforço repetitivo e distúrbios osteomusculares relacionados ao trabalho (LER/Dort).
De acordo com o ministério, essas doenças podem prejudicar a produtividade e são responsáveis pela maior parte dos afastamentos do trabalho, representando custos com indenizações e tratamentos.
O órgão do governo recomenda à Norma Regulamentadora 17, “que estabelece parâmetros que permitam a adaptação das condições de trabalho às características psicofisiológicas dos trabalhadores”.
"Infelizmente essas enfermidades fazem parte da vida de muitos trabalhadores bancários e muitos deles têm sérias complicações de saúde em decorrência das LER/Dort. Isso ocorre por falta de prevenção, que deve ser tida como prioridade. Esta deve ser tanto nas questões de ergonomia física, cognitiva ou organizacional. Além disso, é fundamental que existam políticas nacionais de prevenção”, defende Roberto Carlos Vicentim, presidente do Sindicato dos Bancários de Catanduva e Região.
Grupo de trabalho contra a reformulação das NRs
A Central Única dos Trabalhadores (CUT) construiu um grupo de trabalho com outros parceiros com experiência em saúde e segurança do trabalho para lutar contra a extinção ou reformulação das NRs.
Para a secretária de Saúde do Trabalhador da CUT, Madalena Margarida da Silva, a saúde do trabalhador é um direito humano que não se discute, se cumpre. “A CUT não tem se furtado ao debate por mais complexo que seja, muito menos este. É nosso princípio o direito à vida, à saúde e ao desenvolvimento seguro e saudável das atividades laborais. Por isso, vamos lutar até o final”.
O procurador do MPT, Leonardo Osório Mendonça, afirmou que, tanto empregadores quanto trabalhadores e sindicatos têm de lutar pela segurança no trabalho. “É importante que todos atuem na prevenção de acidentes, em prol de um ambiente seguro. Só assim vamos mudar a cultura de que a segurança é gasto. Ao contrário, nos países desenvolvidos, em que as normas protetivas são mais rígidas do que as do Brasil, segurança é investimento e é assim que todos devem entender”, afirmou.
SINDICALIZE-SE
MAIS NOTÍCIAS
- Mercantil registra lucro de R$ 279,4 milhões no trimestre, valor considerado recorde em toda sua história
- Brasil é 55,5% negro, mas terá apenas 26% das cadeiras da Câmara em 2027
- Novembro Azul: informação, prevenção e combate ao preconceito salvam vidas
- Banco Central mantém Selic em 13,75% enquanto mercado financeiro faz pressão especulativa
- Itaú lucra R$ 37,3 bilhões, mas elimina 3.259 empregos e fecha 334 agências em um ano
- Santander: Assembleia virtual nesta sexta-feira (6) delibera sobre ACT e Acordo de PPRS
- Copom decide nesta quarta-feira (4) se reduz ou mantém Selic em 13,75% ao ano
- Sindicato entrega mais de 200 kg de alimentos ao projeto social Prateleira Solidária
- Novas regras do VA e VR ampliam opções de uso; bancários têm benefícios acima da média nacional
- Saúde Caixa começa a compartilhar rede credenciada com a Cassi nesta quarta-feira (4)
- Festa dos Bancários 2026 reúne categoria em dia de confraternização, premiações e solidariedade
- Brasil bate recorde de pessoas com trabalho desde 2012
- A eleição acabou, mas a participação continua: saiba quem e pelo que cobrar
- COE cobra avanços do Bradesco em PPR, banco de horas e condições de trabalho
- Negociação da Cassi avança com proposta de aporte de R$ 2,288 bilhões